Quem é o Bom Jesus do Monte
Bom Jesus do Monte é uma invocação de Cristo na Paixão, ligada a um lugar muito concreto: a encosta do Monte Espinho, em Braga, no norte de Portugal. O nome descreve o que se vê, um monte coroado por um templo.
A ideia por trás do conjunto é mais interessante que a arquitetura. O santuário foi pensado para que o peregrino subisse fisicamente até o alto, refazendo com o corpo o caminho da Paixão, como se subisse a Jerusalém.
A origem, com as datas
A ocupação do lugar é do início do século XIV, quando alguém ergueu uma cruz no alto do monte. Em 1373 já há menção de uma ermida ali, sob a invocação da Santa Cruz, e a partir dela o lugar passou a atrair peregrinos.
O santuário como se conhece hoje começou em 1722, por iniciativa do Arcebispo de Braga daquele tempo. O célebre escadório dos Cinco Sentidos começou a ser construído em 1723. O conjunto foi crescendo por mais de seiscentos anos, sobretudo em estilo barroco, e cada geração acrescentou uma parte.
O que existe hoje
O escadório tem 573 degraus, com paredes, fontes, estátuas e ornamentos ao longo da subida, e é considerado a obra barroca mais emblemática do santuário. As fontes representam os cinco sentidos, e a subida é organizada como uma catequese em pedra: quem sobe vai lendo.
Em 2019, o Santuário do Bom Jesus do Monte foi inscrito pela UNESCO como Patrimônio Mundial. O reconhecimento não foi só pela beleza: o conjunto é exemplo da tradição europeia dos Sacri Monti, os montes sagrados que a Igreja impulsionou a partir do Concílio de Trento, no século XVI, como resposta à Reforma protestante.
Onde visitar
O endereço é Braga, no distrito de Braga, em Portugal, a poucos quilômetros do centro da cidade. Há três formas de chegar ao alto: subir o escadório a pé, ir de carro pela estrada ou tomar o elevador que funciona por contrapeso de água, um dos mais antigos do mundo em operação.
Quem sobe a pé faz o percurso como foi pensado, parando nas capelas e nas fontes. Muitos peregrinos ainda sobem parte do escadório de joelhos, em cumprimento de promessa.
Quando a Igreja celebra
A grande romaria do Bom Jesus acontece em Pentecostes, e é a data em que o santuário recebe mais gente. A Semana Santa também é tempo forte ali, porque o conjunto inteiro narra a Paixão.
Como devoção ao Cristo da Paixão, ela acompanha o calendário do Tríduo Pascal, e não uma data fixa própria.
Coisas que pouca gente sabe
O elevador do Bom Jesus funciona sem motor elétrico: ele se move por contrapeso de água, enchendo e esvaziando reservatórios, e está em serviço desde o fim do século XIX. É engenharia do século XIX ainda transportando romeiro no século XXI.
Outro detalhe: o santuário não nasceu como projeto grandioso. Começou com uma cruz de madeira no alto de um monte e uma pequena ermida citada em 1373. O barroco de hoje é o resultado de seis séculos de acréscimos, e não de um plano único.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde Bom Jesus do Monte com Bom Jesus de Matosinhos, e a confusão é compreensível: as duas são invocações portuguesas de Cristo na Paixão, e a segunda ficou famosa no Brasil por Congonhas. São santuários diferentes, em cidades diferentes.
Também se confunde o título com Nossa Senhora do Monte Serrat, que é devoção mariana e outra coisa.
E há quem trate o santuário apenas como ponto turístico com escadaria bonita. O escadório é caminho de oração, e a subida foi desenhada para ser rezada, não apenas fotografada.
Como e quando rezar
Reza-se ao Bom Jesus do Monte pedindo força para subir o que precisa ser subido: tratamento longo, luto, recomeço depois de perda. A própria forma da devoção já é a resposta, porque ela se reza andando.
Quem não pode ir a Braga costuma rezar a Via-Sacra em casa, parada por parada, ou subir a escadaria da própria paróquia rezando um Pai-Nosso em cada degrau de descanso. Em Pentecostes, acompanhar a romaria à distância é o costume de muitos portugueses e brasileiros.