O que é a Transfiguração do Senhor
A Transfiguração é a cena em que Jesus sobe um monte com três discípulos e, diante deles, muda de aparência.
O rosto dele passa a brilhar como o sol e as roupas ficam brancas de um jeito que o texto não consegue descrever sem comparação.
Aparecem Moisés e Elias, conversando com ele. Depois vem uma nuvem, e da nuvem vem uma voz.
A festa é 6 de agosto.
A oração da Transfiguração do Senhor
A oração da Missa deste dia é esta:
Senhor nosso Deus, que, na gloriosa Transfiguração do vosso Filho unigênito, confirmastes os mistérios da fé com o testemunho da Lei e dos Profetas, e, de modo admirável, anunciastes a adoção filial perfeita, fazei que, escutando a palavra do vosso amado Filho, mereçamos participar na sua glória. Ele que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
A voz não manda olhar: manda escutar
Agora repare no que a voz diz, porque é aqui que a cena vira outra coisa.
Está tudo montado para ser um acontecimento visual. O rosto brilhando, as roupas brancas, duas figuras do passado aparecendo, uma nuvem descendo. Não existe cena mais luminosa no Evangelho.
E a voz que vem da nuvem diz: "Este é o meu Filho amado. Escutai-o."
Não diz olhem para ele. Diz escutem.
No meio do espetáculo mais impressionante que aqueles homens já tinham visto, a ordem que eles recebem é sobre o ouvido, e não sobre o olho.
E a liturgia guardou isso. A oração da Missa não pede para contemplar: pede que, "escutando a palavra" do Filho, a gente participe da glória dele. A antífona do dia termina com a mesma palavra: escutai-o.
O que vai durar depois que a luz apagar é o que ele diz.
Um deles quis montar acampamento
Enquanto aquilo acontecia, um dos três discípulos, Pedro, faz uma proposta.
Ele diz que é bom estar ali e se oferece para armar três tendas: uma para Jesus, uma para Moisés e uma para Elias.
O Evangelho de Lucas acrescenta um comentário desarmante sobre essa fala: ele não sabia o que estava dizendo.
A vontade é compreensível, e é de todo mundo. Diante de um momento bom, a primeira reação é querer fixar residência ali.
Só que ninguém fica. A nuvem passa, a luz acaba, e os quatro descem o monte de volta para o barulho lá embaixo.
A montanha não era o destino: era o preparo para a descida.
Moisés e Elias, e por que são esses dois
A escolha dos dois personagens não é aleatória, e a própria oração do dia entrega o motivo: ela fala do "testemunho da Lei e dos Profetas".
Moisés é quem recebeu a Lei. Elias é a maior figura entre os profetas.
Colocar os dois de pé, um de cada lado, é uma frase dita sem palavras: tudo o que veio antes está ali, e converge naquele que está no meio.
O monte da cena
O Evangelho fala em um monte alto, sem dar o nome.
A tradição cristã identifica esse lugar com o monte Tabor, na Galileia, onde hoje existe uma basílica dedicada à Transfiguração.
Vale reparar num detalhe do texto: eles precisaram subir. O episódio não acontece onde a multidão estava, e sim num lugar que exigiu esforço e afastamento para chegar.
Quando se reza a Transfiguração do Senhor
Reza-se em 6 de agosto, dia da festa.
Reza-se quando se está vivendo um momento muito bom e bate o medo de que ele acabe.
Reza-se na hora de descer: quando o retiro termina, quando as férias acabam, quando é preciso voltar para a rotina depois de algo forte.
E reza-se quando a fé está dependendo demais de sentir alguma coisa, lembrando o que a voz mandou fazer naquele dia: escutar.