O que é o Santíssimo Sacramento
Santíssimo Sacramento é o nome que a Igreja dá à Eucaristia guardada e adorada fora da Missa.
Na fé católica, o pão consagrado não é símbolo nem lembrança: é o próprio Cristo, realmente presente. É por isso que a hóstia consagrada que sobra da Missa não é descartada nem tratada como comida comum: é guardada no sacrário, e diante dela se reza.
Daí vem tudo o mais: a adoração, a procissão, o ostensório, a festa de Corpus Christi e o costume de fazer o sinal da cruz ao passar em frente a um templo.
A oração ao Santíssimo Sacramento
O louvor mais rezado e mais cantado no Brasil diante do Santíssimo é este:
Graças e louvores sejam dados a todo momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.
É curtíssimo, e isso é de propósito.
Ele pertence a um tipo de oração que a Igreja chama de jaculatória, e a palavra explica a forma: vem do latim iaculum, que quer dizer dardo. Jaculatória é a oração lançada como um dardo, curta e direta, feita para ser repetida muitas vezes, no meio do trabalho, andando na rua ou dentro de uma procissão.
Não é uma oração menor por ser curta. É uma oração pensada para caber na vida de quem não pode parar.
O que é Corpus Christi
Corpus Christi quer dizer, em latim, corpo de Cristo.
É a festa em que a Igreja celebra a presença real de Jesus na Eucaristia, e o gesto próprio dela é levar o Santíssimo para fora do templo, em procissão, pelas ruas da cidade.
A data muda todo ano, porque depende da Páscoa: cai sessenta dias depois do Domingo de Páscoa, sempre numa quinta-feira, a quinta seguinte ao domingo da Santíssima Trindade.
E a escolha da quinta-feira tem um motivo: foi numa quinta-feira, na véspera da morte, que Jesus instituiu a Eucaristia na Última Ceia. A festa repete o dia da semana daquela noite.
Na prática, isso põe Corpus Christi quase sempre em maio ou junho.
Diviníssimo ou Digníssimo, afinal
Quem já cantou aquele louvor numa procissão provavelmente ouviu as duas formas na mesma rua, e ficou na dúvida.
A forma correta é Diviníssimo.
E vale explicar por quê, porque a dúvida é razoável. Alguém pode reparar que divindade não admite grau: ou é divino, ou não é, e não existe ser mais divino que outro. O superlativo, ali, é licença poética. Ele não está medindo a divindade: está afirmando com força que é Deus mesmo que está ali.
Digníssimo não está errado como palavra, e faz sentido em português. O problema é que ele diz menos. Digno é qualquer pessoa, porque toda pessoa tem dignidade. Chamar o Sacramento de digníssimo não afirma aquilo que a festa inteira existe para afirmar.
Por isso a forma consagrada, e a que a Igreja no Brasil usa, é Diviníssimo.
O ostensório, que também se chama custódia
A peça dourada em que a hóstia é colocada para ser vista tem dois nomes, e cada um conta uma coisa diferente.
Ostensório vem do latim ostendere, que quer dizer mostrar, expor. É o nome que fala da função: aquilo serve para que todos vejam.
Custódia vem de custódia, guarda. É o nome que fala do cuidado: aquilo serve para proteger.
São duas palavras para o mesmo objeto, e elas dizem coisas opostas e complementares: mostrar e guardar.
A peça costuma ser de ourivesaria, com um centro de cristal transparente onde a hóstia fica, e raios saindo em volta, como um sol.
Os tapetes que o Brasil faz na rua
Em muitas cidades brasileiras, a véspera de Corpus Christi vira noite em claro.
As comunidades cobrem quilômetros de rua com tapetes feitos de serragem colorida, sal grosso, borra de café, flores, folhas e areia, desenhando imagens religiosas no chão.
De manhã, a procissão passa por cima.
Vale reparar no que esse costume ensina, sem precisar de sermão. As pessoas passam a noite inteira fazendo uma obra bonita sabendo que ela vai ser desmanchada em minutos, e que o único uso dela é servir de chão para Jesus passar.
Não é uma obra para ser guardada. É uma obra para ser pisada, e é essa a graça dela.
O que é a adoração ao Santíssimo
Adoração é ficar diante do Santíssimo Sacramento exposto, em silêncio.
Não tem fórmula obrigatória. Reza-se com as palavras que se tem, lê-se um trecho do Evangelho, repete-se uma jaculatória, ou simplesmente se fica ali.
Muitas Paróquias mantêm horários fixos, e algumas têm adoração perpétua, com gente revezando dia e noite para que nunca falte alguém diante do altar.
Santo Afonso Maria de Ligório, que escreveu bastante sobre isso, dizia que adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós.
Quando se reza ao Santíssimo Sacramento
Reza-se na festa de Corpus Christi e ao acompanhar a procissão.
Reza-se na hora de adoração, marcada ou não, dentro do templo.
Reza-se ao passar em frente a uma Paróquia, que é a origem do costume de benzer-se na rua.
Reza-se a jaculatória ao longo do dia, no trabalho e no caminho, que é exatamente para isso que ela foi feita.
E reza-se depois de comungar, que é o momento em que aquilo que se adora no altar já está dentro de quem reza.