O que é a devoção ao Sangue de Jesus
A Oração do Sangue de Jesus é rezada por quem pede perdão, proteção e força, e por quem reza pelos que já morreram. Não é devoção a um santo: é devoção ao próprio Cristo, olhando para o preço que ele pagou.
O nome completo dela na Igreja é Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. E há um mês inteiro dedicado a isso no calendário devocional católico: julho.
O que se pede na oração do Sangue de Jesus
A oração clássica desta devoção é curta e tem uma estrutura que vale entender, porque ela não pede nada para quem reza. Ela oferece.
Diz assim: Eterno Pai, eu Vos ofereço o Sangue preciosíssimo de Jesus Cristo, em desconto dos meus pecados, em sufrágio das santas almas do Purgatório, pelas necessidades da Santa Igreja e por todos os doentes.
Repare no movimento. Quem reza não apresenta os próprios méritos, porque não tem: apresenta os de Cristo. E divide o pedido em quatro destinos, e três deles são para outras pessoas. É uma oração que começa em quem reza e termina longe dele.
Por causa dessa forma, ela é rezada muitas vezes ao dia por quem tem a devoção, como se fosse uma frase de trabalho: em cada situação difícil, oferece-se de novo.
Onde o Evangelho fala do Sangue de Cristo
A devoção não é uma ideia solta: ela nasce de cenas concretas dos Evangelhos.
Na noite do Horto das Oliveiras, Lucas descreve a angústia de Jesus e diz que o suor dele se tornou como gotas de sangue caindo no chão. Depois vêm a flagelação e a coroação de espinhos. Na cruz, os cravos. E, ao fim de tudo, com Jesus já morto, um soldado abriu o lado dele com a lança, e João registra que saíram sangue e água.
É esse último detalhe que a tradição cristã leu como o coração da devoção: do lado aberto de Cristo, já sem vida, saiu o que dá vida. A Igreja sempre viu ali uma figura dos sacramentos, o Batismo e a Eucaristia.
E há a Última Ceia, onde Jesus dá o cálice e diz que aquele é o sangue da nova aliança, derramado por muitos. Quem comunga está dentro dessa devoção sem precisar de mais nada.
O padre que fez disso a obra da vida
A devoção é antiga, mas ganhou o mundo por causa de um homem: São Gaspar del Bufalo, sacerdote italiano do século XIX.
Em 15 de agosto de 1815, ele fundou uma congregação de padres para pregar missões populares e espalhar essa devoção: os Missionários do Preciosíssimo Sangue. Em 1834, com Maria De Mattias, nasceu o ramo feminino, as Irmãs Adoradoras do Preciosíssimo Sangue.
Um detalhe que diz muito sobre o alcance daquilo: entre os que entraram na congregação estava Giovanni Mastai Ferretti, que anos depois seria eleito Papa com o nome de Pio IX.
A festa que saiu do calendário
Aqui está a resposta para uma dúvida legítima de quem tem essa devoção e não encontra a data.
Em 1849, o Papa Pio IX instituiu a festa do Preciosíssimo Sangue no calendário da Igreja, e mais tarde o Papa Pio X fixou a data em 1º de julho. Com a reforma do calendário litúrgico, em 1969, essa festa deixou de constar no calendário romano universal.
O motivo não foi abandono. O Sangue de Cristo passou a ser celebrado junto do Corpo, na solenidade que a Igreja chama de Corpo e Sangue de Cristo, o Corpus Christi. E a devoção continuou recomendada, com Missa votiva própria que pode ser celebrada em julho.
Ou seja: a festa mudou de lugar e a devoção ficou. É por isso que julho segue sendo, na prática do povo católico, o mês do Preciosíssimo Sangue.
A Ladainha que um Papa aprovou
Esta devoção tem uma oração oficial, e isso é mais raro do que parece.
A Ladainha do Preciosíssimo Sangue foi composta pela congregação romana responsável pelo culto e promulgada pelo Papa João XXIII em 24 de fevereiro de 1960, para uso público na Igreja. Aos que a rezam com devoção, concede-se indulgência parcial.
Ela é feita de invocações em sequência, cada uma olhando para um aspecto daquele Sangue, e termina com uma oração que resume a devoção inteira: pedir a graça de venerar o preço da nossa salvação e de encontrar nele defesa contra os males desta vida, para gozar dos seus frutos no Céu.
Quem quer rezar esta devoção do modo mais seguro tem aqui o caminho: um texto que a Igreja examinou e aprovou.
Quando se reza a oração do Sangue de Jesus
Reza-se ao longo de julho, o mês da devoção, e em qualquer tempo do ano.
Reza-se pelos que morreram, que é uma das quatro intenções do oferecimento clássico e uma marca antiga desta devoção. Reza-se pelos doentes, que é outra delas.
Reza-se em situação de perigo e de medo, pedindo proteção, e nessa hora vale lembrar o que a própria oração faz: ela apresenta a Deus o que Cristo já entregou, e não uma fórmula a ser repetida de modo certo. A força está no que aconteceu na cruz, e o que cabe a quem reza é oferecer aquilo com confiança.
E reza-se depois de comungar, que é o momento em que essa devoção fica mais simples de entender.