O que é a devoção à Sagrada Família
A Oração da Sagrada Família é rezada por casais, por pais e por quem está tentando manter uma casa de pé. A devoção é a Jesus, Maria e José, tomados juntos, como família.
E é isso que a torna diferente das outras: aqui não se reza a uma pessoa, e sim a três, na relação que tinham entre si. O que se contempla não é um milagre nem um martírio: é uma casa.
A festa acontece no domingo depois do Natal.
O que se pede na oração da Sagrada Família
A oração mais rezada hoje é do Papa Francisco, e ela é direta a ponto de surpreender.
Começa dizendo que em Jesus, Maria e José se contempla o esplendor do verdadeiro amor, e que é a eles que se recorre com confiança. Depois pede que as nossas famílias se tornem lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas do Evangelho e pequenas Igrejas dentro de casa.
E então vem a parte que quase nenhuma oração de família tem coragem de dizer: pede que nunca mais se faça, nas famílias, experiência de violência, egoísmo e divisão, e que quem ficou ferido ou escandalizado depressa conheça consolação e cura.
Repare no que isso reconhece. A oração não finge que as famílias são lugares seguros por natureza. Ela nomeia a violência, o egoísmo e a divisão, e reza pelos que já foram feridos dentro da própria casa.
Termina simples: Jesus, Maria e José, escutai, atendei a nossa súplica.
A família que precisou fugir do país
Uma coisa se perde quando a Sagrada Família é vista apenas como quadro na parede: eles passaram por coisas duras.
Logo depois do nascimento de Jesus, José foi avisado em sonho de que Herodes queria matar a criança. Levantou de noite, pegou o menino e a mãe e saiu do país. Ficaram no Egito até que fosse seguro voltar.
Ou seja: a família que a Igreja apresenta como modelo foi uma família que fugiu de casa com um bebê, atravessou fronteira e viveu num lugar onde não conhecia ninguém.
Quem reza a essa devoção estando longe de casa, ou vivendo de aluguel em cidade estranha, ou recomeçando depois de perder tudo, está falando com gente que sabe o que é isso.
Os anos em que nada foi registrado
Depois da volta do Egito, a família se estabeleceu em Nazaré, e aqui está o dado mais silencioso do Evangelho.
Dos cerca de trinta anos que Jesus viveu antes de começar a pregar, o Evangelho registra praticamente nada. Uma cena aos doze anos, quando ele se perde de Maria e José em Jerusalém e é encontrado no Templo, e depois o silêncio.
Trinta anos de vida comum: trabalho, refeição, vizinho, oficina, sábado na sinagoga. É esse tempo que a devoção à Sagrada Família celebra.
Vale para quem se sente pouco: a maior parte da vida de Jesus na terra foi exatamente aquilo que a maioria das pessoas faz todos os dias e ninguém registra.
Por que a festa é no domingo depois do Natal
A data mudou de lugar uma vez, e a história é curta.
Em 14 de junho de 1893, o Papa Leão XIII instituiu a Festa da Sagrada Família, e ela caía no terceiro domingo depois da Epifania. O Papa Pio XI a tornou obrigatória em toda a Igreja em 1921.
Com a reforma do calendário litúrgico depois do Concílio Vaticano II, a festa foi transferida para o domingo seguinte ao Natal, e é ali que ela está hoje.
A mudança faz sentido: celebra-se a família de Jesus poucos dias depois de celebrar o nascimento dele, quando o presépio ainda está montado na casa das pessoas.
Como se consagra a família em casa
Há uma prática antiga ligada a essa devoção, e ela é simples de fazer.
A família se reúne diante de uma imagem ou de um quadro da Sagrada Família e reza a oração de consagração, entregando aquela casa e aquelas pessoas ao cuidado de Jesus, Maria e José. Costuma-se fazer isso no dia da festa, no Natal ou num aniversário de casamento.
A oração tradicional de consagração diz o essencial: lembra que o Redentor quis passar a maior parte da vida na humildade e na obediência, em Nazaré, santificando aquela família que devia ser o modelo de todas as famílias cristãs, e pede que aceite a nossa, que hoje a ele se dedica.
Não é preciso sacerdote e não há fórmula obrigatória. O que a prática pede é que a família esteja junta na hora.
Quando se reza a Sagrada Família
Reza-se no domingo depois do Natal, na festa, e ao longo do tempo do Natal.
Reza-se por casamento em crise, por filho em conflito com os pais, por casa em que as pessoas pararam de conversar. A oração do Papa Francisco foi escrita para essas situações e as nomeia.
Reza-se por famílias separadas pela distância, por quem trabalha longe e por quem emigrou, lembrando a fuga para o Egito.
E reza-se em família, o que é o jeito próprio desta devoção: à mesa, antes da refeição, ou à noite, com as pessoas que moram ali.