O que é Jesus no Horto das Oliveiras
Jesus no Horto das Oliveiras é o nome que a piedade popular deu à cena da agonia em Getsêmani, quando Jesus foi rezar depois da Última Ceia e antes de ser preso. É o momento em que ele pede que o cálice passe e termina aceitando a vontade do Pai.
Getsêmani quer dizer prensa de óleo em aramaico, a língua que Jesus falava. O lugar era um pomar de oliveiras com uma prensa para extrair azeite, e o nome ajuda a entender a cena: é ali, onde a azeitona é esmagada, que ele é esmagado por dentro.
A origem, com as datas
A cena está nos quatro Evangelhos e é uma das mais detalhadas da Paixão. Jesus leva os discípulos mais próximos, pede que fiquem acordados, afasta-se para rezar e volta três vezes encontrando-os dormindo. O relato de Lucas acrescenta o suor como gotas de sangue e a presença de um anjo que o conforta.
Depois da oração vem a prisão: Judas chega com um grupo armado e o beija para identificá-lo. Do jardim ele sai preso, e tudo o mais acontece a partir dali.
O que existe hoje
Em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, os franciscanos cuidam de três lugares ligados a essa noite: a Gruta de Getsêmani, o Jardim das Oliveiras e a Basílica da Agonia, também chamada Basílica de Getsêmani ou Igreja de Todas as Nações.
Dentro da Basílica, o mosaico da abside central mostra a agonia no jardim, e os mosaicos das absides laterais mostram a traição de Judas e a prisão. A rocha onde a tradição situa a oração de Jesus está no centro, diante do altar, exposta e sem revestimento.
Onde visitar
O endereço é o pé do Monte das Oliveiras, em Jerusalém, do outro lado do vale em relação à Cidade Velha. O jardim que o peregrino vê é pequeno e fica ao lado da Basílica, cercado por uma grade baixa.
As oito oliveiras mais antigas são o que mais impressiona quem chega. Estudos indicaram que os troncos e ramos têm cerca de 900 anos e que todas pertencem a uma única variedade, com o mesmo material genético, ou seja, brotaram das raízes de uma planta-mãe comum.
Quando a Igreja celebra
O dia próprio é a Quinta-feira Santa. Depois da Missa da Ceia do Senhor, o Santíssimo é levado para um altar preparado e a Igreja convida os fiéis a permanecer em adoração, e é esse o momento em que a agonia no Horto é rezada dentro da liturgia.
A cena aparece também na Via-Sacra e no primeiro dos mistérios dolorosos do terço, rezado nas terças-feiras e nas sextas-feiras.
Coisas que pouca gente sabe
As oliveiras de hoje não são as que Jesus viu, e ainda assim têm parentesco com elas. Como todas descendem de uma mesma planta-mãe por brotação de raiz, o olival atual é continuação vegetativa do que existia ali, e não um plantio novo feito depois.
Outro detalhe: o pedido dos três discípulos era simples, vigiar. O Evangelho registra que eles dormiram, e registra a frase de Jesus sobre o espírito pronto e a carne fraca. É um dos poucos momentos em que o texto sagrado descreve o cansaço de quem acompanha alguém em sofrimento.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde o Horto das Oliveiras com o Monte das Oliveiras inteiro. O monte é grande e abriga vários lugares santos, entre eles o da Ascensão e o Túmulo de Maria; o horto é o jardim ao pé dele, junto à Basílica da Agonia.
Também se diz que a agonia foi medo da morte física. Os Evangelhos apresentam algo mais fundo: a luta de quem aceita livremente o que vem, e por isso a cena termina com a entrega, não com a fuga.
E há quem pense que o suor de sangue está nos quatro Evangelhos. Esse detalhe é próprio do relato de Lucas.
Como e quando rezar
Reza-se a Jesus no Horto das Oliveiras nas noites de angústia, quando a decisão já está tomada e ainda dói, e quando se pede força para aceitar o que não se pode mudar. É a oração de quem está acordado enquanto os outros dormem.
O modo mais próprio é ficar em silêncio diante do Santíssimo na Quinta-feira Santa, ou rezar em casa o primeiro mistério doloroso do terço lendo antes a cena no Evangelho. Uma única frase basta para começar: não a minha vontade, mas a tua.