O que é a festa de Cristo Rei
Cristo Rei é a celebração em que a Igreja proclama que Jesus é rei, e o nome completo dela hoje é Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.
É uma solenidade, o grau mais alto do calendário.
E ela tem uma posição única: é a última celebração do ano litúrgico. Cai sempre num domingo, entre 20 e 26 de novembro, e no domingo seguinte tudo recomeça.
A oração a Cristo Rei
O texto rezado é este:
Ó Cristo Jesus, eu vos reconheço como Rei universal. Tudo o que foi feito, para vós foi criado. Exercei sobre mim todos os vossos direitos. Renovo as minhas promessas do batismo, renunciando a Satanás, às suas pompas e às suas obras, e prometo viver como bom cristão. Divino Coração de Jesus, ofereço-vos as minhas pobres ações para alcançar que todos os corações reconheçam a vossa realeza sagrada, e que por este modo o reino da vossa paz se estabeleça em todo o mundo.
Por que a festa foi criada em 1925
Esta é uma das celebrações mais recentes do calendário, e nasceu de um problema concreto do próprio tempo.
Em 11 de dezembro de 1925, o Papa Pio XI publicou a encíclica Quas Primas, e foi ela que instituiu a festa.
O mundo daquele momento vinha de uma guerra, e havia dois movimentos crescendo ao mesmo tempo: um esforço para tirar a religião da vida pública, forte sobretudo na França e no México, e a subida de nacionalismos que pediam do cidadão uma lealdade total.
O Papa fez a leitura dele: as calamidades daquele tempo vinham do afastamento de Cristo, não só na vida particular de cada um, mas também na vida comum.
A festa foi a resposta a isso. Não uma resposta política, e sim uma afirmação de ordem: se Cristo é rei, nenhuma outra lealdade pode ser a última.
A mudança que trocou o sentido da festa
Quando nasceu, a festa era celebrada no último domingo de outubro.
Na reforma do calendário, em 1969, ela mudou de lugar: passou para o último domingo do ano litúrgico.
Parece detalhe de agenda, e não é. Mudou o que a festa diz.
No lugar antigo, ela era mais uma celebração no meio do ano, com o calendário seguindo depois dela.
No lugar novo, ela é o ponto final. Tudo o que a Igreja celebrou durante o ano inteiro, do Natal à Páscoa e ao longo do tempo comum, termina ali, nessa afirmação.
Ou seja, o ano litúrgico passou a ser lido como um caminho que vai dar em algum lugar. E o lugar onde ele vai dar é este.
O que vem no domingo seguinte
Aqui está o contraste que vale guardar.
No domingo seguinte a Cristo Rei começa o Advento, o tempo de espera do Natal.
Repare no que acontece então. O ano termina proclamando o Rei do Universo, aquele diante de quem tudo se ajoelha. E recomeça, sete dias depois, esperando um bebê que vai nascer sem lugar, num estábulo emprestado.
É a mesma pessoa nas duas pontas.
A Igreja fecha o ano com a majestade e reabre com a fragilidade, e faz isso todo ano, de propósito. Quem acompanha o calendário passa a vida entre essas duas imagens.
O que a oração pede
A oração é curta e tem uma estrutura que vale notar.
Ela começa reconhecendo: eu vos reconheço como Rei universal.
Depois faz um pedido incomum, que quase nenhuma oração faz: exercei sobre mim todos os vossos direitos. Ou seja, quem reza não está pedindo um favor, está entregando o comando.
Em seguida renova as promessas do batismo, as mesmas que se renovam na Vigília Pascal.
E termina pedindo pela paz do mundo, ligando as duas coisas: se os corações reconhecerem essa realeza, o reino de paz se estabelece.
O caminho da oração, portanto, é de dentro para fora: começa em quem reza e termina no mundo inteiro.
Quando se reza a Cristo Rei
Reza-se na solenidade, no último domingo do ano litúrgico, entre 20 e 26 de novembro.
Reza-se ao fim de um ciclo qualquer da vida, quando se fecha um ano, um trabalho ou uma etapa, que é exatamente a função dela no calendário.
Reza-se quando é preciso decidir a quem obedecer, entre lealdades que se chocam.
Reza-se pela paz, que é o pedido final do próprio texto.
E reza-se ao renovar as promessas do batismo, que estão no meio da oração.