Quem é o Bom Jesus de Matosinhos
Bom Jesus de Matosinhos é uma invocação de Cristo na Paixão, e o nome não vem do Brasil: vem de Matosinhos, no norte de Portugal, onde a devoção já existia quando os portugueses chegaram às Minas Gerais.
O que ficou famoso no Brasil foi o endereço, não o título. Quem procura essa devoção está quase sempre procurando o santuário de Congonhas, no interior mineiro, e é por ali que a página precisa começar.
A origem, com as datas
O santuário nasceu de uma promessa com nome e sobrenome. Feliciano Mendes, português, sofria de uma doença que consideravam incurável e prometeu que, se fosse curado, fundaria em Congonhas uma irmandade semelhante à do norte de Portugal. Curado, cumpriu a promessa.
A solenidade começou em 1780, em duas datas: 3 de maio e 14 de setembro. O conjunto foi construído e reformado na segunda metade do século XVIII, e as obras que o tornaram célebre vieram depois: os doze profetas em pedra-sabão, esculpidos por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, entre 1800 e 1805.
O que existe hoje
O santuário é um conjunto formado pela Basílica, pelo adro e por seis capelas, os chamados passos, que narram a Paixão de Cristo com 64 figuras de cedro. No adro, os doze profetas em pedra estão a céu aberto, e a UNESCO reconheceu o conjunto como Patrimônio Mundial.
O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos acontece todos os anos de 7 a 14 de setembro, e cerca de 200 mil pessoas passam por Congonhas nesse período. A programação é organizada pela Basílica junto com a Arquidiocese de Mariana, e em 2024 a festa chegou à edição de número 243.
Onde visitar
O endereço é a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais, a pouco mais de oitenta quilômetros de Belo Horizonte. A visita costuma seguir a ordem da própria devoção: sobe-se pelas seis capelas dos passos, chega-se ao adro dos profetas e entra-se na Basílica no fim.
Em Portugal, a devoção original é guardada em Matosinhos, no distrito do Porto. Quem faz o caminho inverso, do Brasil para Portugal, encontra ali a raiz do nome.
Quando a Igreja celebra
A data principal é 14 de setembro, e o Jubileu ocupa a semana anterior, de 7 a 14. A escolha do dia não é casual: 14 de setembro é a festa da Exaltação da Cruz no calendário da Igreja, e a devoção é justamente ao Cristo da Paixão.
Historicamente havia também a data de 3 de maio, ligada ao mesmo mistério, e ela aparece nos registros da solenidade desde 1780.
Coisas que pouca gente sabe
O conjunto de Congonhas tem dois acervos, e o menos famoso é o maior. Os doze profetas em pedra-sabão são as estátuas que aparecem em toda fotografia, mas são as 64 figuras de cedro das seis capelas que contam a Paixão passo a passo, e é diante delas que o romeiro reza.
Outro dado: a devoção brasileira nasceu de uma dívida pessoal. Não houve aparição nem imagem encontrada. Houve um homem doente, uma promessa e o cumprimento dela, e disso saiu um dos maiores conjuntos do barroco no mundo.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que Bom Jesus de Matosinhos é a mesma devoção do Bom Jesus da Lapa, na Bahia, ou do Senhor do Bonfim, em Salvador. Todas são invocações de Cristo, e todas são distintas: mudam a origem, o santuário e a data da festa.
Também se atribui ao Aleijadinho o santuário inteiro. Ele fez as esculturas, os profetas de pedra e boa parte das figuras de cedro, mas o conjunto é obra de várias mãos ao longo de décadas, começando pela irmandade que Feliciano Mendes fundou.
E há quem trate Congonhas apenas como museu a céu aberto. É patrimônio reconhecido e é santuário em atividade: a mesma escadaria que recebe turista recebe romeiro de promessa.
Como e quando rezar
Reza-se ao Bom Jesus de Matosinhos pedindo cura e força para carregar o que não passa, e é devoção de quem paga promessa com o corpo: subida a pé, vela acesa, objeto deixado no santuário.
Quem não pode ir a Congonhas costuma rezar em casa na semana do Jubileu, entre 7 e 14 de setembro, acompanhando a novena. Um Pai-Nosso diante de um crucifixo, com a intenção dita em voz alta, é o modo mais simples e mais antigo.