Quem é Nossa Senhora Rosa Mística
Nossa Senhora Rosa Mística é o título com que Maria é invocada em Montichiari e em Fontanelle, na província de Brescia, no norte da Itália. A expressão é mais antiga que a devoção italiana: Rosa mística está no texto das Ladainhas Lauretanas publicado pela Santa Sé, entre Morada consagrada de Deus e Torre de Davi. Quem reza a Ladainha de Nossa Senhora já pronuncia esse nome, mesmo sem conhecer a história de Montichiari.
O traço próprio da devoção é o pedido de oração pelos sacerdotes e pelas pessoas consagradas. É esse o eixo que o santuário coloca à frente, antes de qualquer outra coisa.
A origem, com as datas
Pierina Gilli nasceu em 3 de agosto de 1911, em Montichiari. Filha de camponeses, trabalhou como empregada de casa paroquial e depois como enfermeira. Ela manteve diários de 1946 a 1983, publicados em Milão em 2016, e morreu em 12 de janeiro de 1991, aos 79 anos.
A diocese de Brescia levou décadas para se aproximar. O bispo Giacinto Tredici, nos anos 1960, não reconheceu origem sobrenatural nos fatos, e a mesma atitude foi mantida por seus sucessores. No fim dos anos 1940, a autoridade determinou que Pierina não morasse mais em Montichiari: ela foi para a Toscana e depois para um convento em Brescia, onde permaneceu cerca de vinte anos. O primeiro passo em outra direção veio em 2001, quando o bispo Giulio Sanguineti nomeou um padre para acompanhar o culto.
O que existe hoje
Em 7 de dezembro de 2019 foi erigido o Santuário Diocesano Rosa Mistica, Mãe da Igreja, em Fontanelle, a cerca de três quilômetros de Montichiari. Não é basílica: é santuário de direito diocesano, cuidado pela Fondazione Rosa Mistica Fontanelle, criada em janeiro de 2014.
Em 5 de julho de 2024, o Dicastério para a Doutrina da Fé enviou carta ao bispo de Brescia, assinada pelo cardeal Víctor Manuel Fernández com aprovação escrita do Papa Francisco. O texto reconhece que a proposta espiritual não contém elementos teológicos ou morais contrários à doutrina da Igreja, e diz que o objetivo do discernimento não é estabelecer a eventual sobrenaturalidade dos fatos. O ato seguinte é do bispo: o decreto de Dom Pierantonio Tremolada, de julho de 2024, concede o nihil obstat e registra que a adesão dos fiéis não implica declaração de caráter sobrenatural, e que ninguém é obrigado a crer nas aparições.
Onde visitar
O endereço é Via Rampina di San Giorgio, 24, em Montichiari, província de Brescia. O lugar nasceu como anfiteatro a céu aberto, e não como templo fechado: de um lado uma capela para a Eucaristia, do outro uma capela menor protegendo a fonte, obra iniciada em 1966. Estão ali a Fonte de Misericórdia e Graça, a piscina de lavagem penitencial (entra-se descalço e não se tiram fotos), a Escada Santa, uma grande Cruz e a urna onde os peregrinos depositam os pedidos.
Quando a Igreja celebra
A festa no santuário é em 13 de julho, precedida de doze dias de preparação. Em 8 de dezembro, das 12h às 13h, reza-se a Hora da Graça, ligada à solenidade da Imaculada Conceição. Em 13 de outubro acontece a União Mundial da Comunhão Reparadora, e todo dia 13 de cada mês é Dia Mariano no santuário, às 17h. Nenhuma dessas datas está no Calendário Romano Geral: todas nasceram no próprio santuário.
O segundo título do santuário, esse sim, tem data em toda a Igreja: a memória da Bem-aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja, na segunda-feira depois de Pentecostes, criada pelo decreto Ecclesia Mater, de 11 de fevereiro de 2018.
Coisas que pouca gente sabe
O Vaticano batizou uma rosa com o nome Rosa Mystica sem nenhuma ligação com Montichiari. Em 2 de dezembro de 2005, no Palazzo della Cancelleria, a Pontifícia Comissão para os Bens Culturais apresentou a flor, e monsenhor Mauro Piacenza resumiu o sentido: não celebramos uma rosa, mas a Rosa, a Rosa Mystica, a Imaculada.
Quem levou a devoção ao mundo foram devotos alemães, nos anos 1970, carregando imagens de país em país. A primeira imagem peregrina oficial do santuário só foi abençoada em 13 de abril de 2024. Desde 2012 a diocese acentua a chave batismal: a água e a piscina lembram o Batismo, e não o pedido de prodígio.
O que muita gente acredita e não é verdade
Circula em português a afirmação de que a Santa Sé teria aprovado as aparições de Montichiari em 2024. Os próprios documentos dizem o contrário: a carta do Dicastério afirma que o discernimento não pretende estabelecer a eventual sobrenaturalidade, e as Normas de 17 de maio de 2024 pedem cuidado, no artigo 22, parágrafo 2, para que os fiéis não tomem nenhuma dessas decisões como aprovação de caráter sobrenatural.
O mesmo Dicastério pediu três ajustes na linguagem da devoção. A imagem de Maria como para-raios que freia a justiça divina deve ser evitada. Expressões como Maria Redenção e Maria da Graça precisam de esclarecimento, porque somente Jesus Cristo é nosso único Redentor. E as três rosas, oração, sacrifício e penitência, não devem ser apresentadas como o núcleo do Evangelho, que só pode ser a caridade.
O Brasil nesta devoção
Existe congregação brasileira nascida daqui: as Pequenas Missionárias de Maria Rosa Mística, fundadas em 31 de maio de 2004 no Gama, no Distrito Federal, por Madre Hildegardis Pereira Nunes, que antes fora monja beneditina por vinte anos. A Arquidiocese de Brasília aprovou a comunidade como de direito diocesano em 12 de dezembro de 2010. Desde 2017 as irmãs atuam na Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano, com sede em Belo Oriente, em Minas Gerais. O santuário italiano publica boletim trimestral em português e chama a congregação de a primeira fundada no Brasil por inspiração de Rosa Mistica.
Como e quando rezar
Reza-se a Rosa Mística pedindo pelos sacerdotes e pelas pessoas consagradas, que é o pedido central proposto pelo santuário. Os dias 13 de cada mês e o meio-dia de 8 de dezembro são os momentos mais procurados. Em casa, a forma mais simples é rezar a Ladainha de Nossa Senhora, onde a invocação Rosa mística já está, e acrescentar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria pelas vocações.