Quem é Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos
Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos é o título que coloca Maria no centro da cena que abre a vida da Igreja: o Cenáculo, no dia de Pentecostes. Não é rainha porque manda nos apóstolos, e sim porque estava com eles quando o Espírito Santo desceu, e porque perseverou na oração enquanto todos esperavam.
A invocação faz parte do texto das Ladainhas Lauretanas publicado pela Santa Sé, onde aparece entre Rainha dos Profetas e Rainha dos Mártires. Quem reza a Ladainha de Nossa Senhora já a pronuncia.
A origem, com as datas
A base está nos Atos dos Apóstolos, no capítulo 1, versículo 14, quando os discípulos perseveram na oração com algumas mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus. Daí vem a imagem: Maria no meio, os apóstolos ao redor, o Espírito Santo acima de todos.
O título ganhou vida nova no século XIX com Vicente Pallotti, padre romano nascido em 21 de abril de 1795 e falecido em 22 de janeiro de 1850. A inspiração da obra que ele fundou veio em 9 de janeiro de 1835, e o cardeal vigário de Roma, Carlo Odescalchi, abençoou a União do Apostolado Católico em 4 de abril do mesmo ano. Pallotti colocou tudo sob a proteção de Maria Rainha dos Apóstolos, e escreveu que ela é o modelo mais perfeito de zelo e caridade depois de Jesus Cristo. Para ele o título não era enfeite: era programa de trabalho para todo batizado.
Pallotti encomendou ao pintor Serafino Cesaretti um quadro da Rainha dos Apóstolos, copiado de um desenho do alemão Johann Friedrich Overbeck, mostrando Pentecostes com Maria entre os apóstolos. A obra ficou pronta na década de 1840 e hoje está na Paróquia Santa Maria Regina Apostolorum, em Roma.
O que existe hoje
A União do Apostolado Católico reúne padres, irmãos, irmãs e leigos, e completou cento e noventa anos em 2025, mesmo ano em que se lembraram os cento e setenta e cinco anos da morte do fundador. Em Roma, a Paróquia Santa Maria Regina Apostolorum nasceu de um projeto da província ítalo-americana: o colégio foi inaugurado em 1924 e concluído em 1926, e a decisão de construir o novo templo veio em 1935, no centenário da fundação da obra.
No Brasil, os padres e irmãos palotinos chegaram em 24 de julho de 1886, no Vale Vêneto, no Rio Grande do Sul, para atender a Quarta Colônia de imigração italiana. Ali o nome da devoção virou instituição: o seminário menor Rainha dos Apóstolos foi inaugurado em 11 de novembro de 1922, e em abril de 1923 o padre Rafael Iop começou a publicar a revista Rainha dos Apóstolos, que se tornou uma das publicações católicas mais antigas em circulação no país. A Província Nossa Senhora Conquistadora foi criada em 7 de março de 1940, em Santa Maria, e hoje reúne cento e trinta e dois membros consagrados em seis estados brasileiros e cinco países.
Onde visitar
Em Roma, quem procura a origem encontra dois endereços: a Paróquia San Salvatore in Onda, entregue a Pallotti e à sua obra em agosto de 1844, onde estão os restos do fundador, e a Paróquia Santa Maria Regina Apostolorum, que guarda o quadro de Cesaretti. No Brasil, o Vale Vêneto, distrito de São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul, é o berço da presença palotina e ponto de romaria e turismo religioso. Em Manaus há a Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, criada em 18 de maio de 1980, cuja comunidade começou com uma missa na Praça Dom Pedro em 5 de agosto de 1973.
Quando a Igreja celebra
A festa é no sábado que antecede o Domingo de Pentecostes, e a escolha da data explica a devoção: celebra-se Maria na véspera do dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos. Ela é a padroeira da Sociedade do Apostolado Católico e da União do Apostolado Católico, e por isso a data é solene nas comunidades palotinas do mundo inteiro. Como Pentecostes é festa móvel, a data muda de ano para ano.
Coisas que pouca gente sabe
Vicente Pallotti foi canonizado em 20 de janeiro de 1963, pelo Papa João XXIII, cerca de três meses depois da abertura do Concílio Vaticano II. A homilia daquele dia está no acervo da Santa Sé com o título Solene Canonização do Beato Vicente Pallotti. A memória dele é celebrada em 22 de janeiro.
Muito do que ele defendia soa comum hoje e era raro no seu tempo: dizia que todo cristão leigo, pelo Batismo, tem direito e dever de anunciar a fé, do mesmo modo que os padres. Por isso costuma ser lembrado como alguém que antecipou o que o Concílio afirmaria mais de cem anos depois.
O que muita gente acredita e não é verdade
Rainha dos Apóstolos não é o nome de uma aparição, e não há santuário de aparição ligado a ele. É um título de honra tirado da Escritura e da Ladainha, e por isso não tem data fixa no calendário: acompanha Pentecostes.
Também não se trata de devoção exclusiva de uma congregação. A invocação pertence à oração comum da Igreja, e qualquer pessoa pode rezá-la. O que os palotinos fizeram foi adotá-la como padroeira e espalhá-la.
Como e quando rezar
O momento mais próprio é a semana entre a Ascensão e Pentecostes, quando a Igreja reza pedindo o Espírito Santo, repetindo o que os apóstolos fizeram com Maria no Cenáculo. Uma forma simples é rezar a Ladainha de Nossa Senhora e deter-se na invocação Rainha dos Apóstolos, pedindo coragem para anunciar a fé no próprio ambiente de trabalho e de família.