Quem é Nossa Senhora Rainha da Paz
Nossa Senhora Rainha da Paz é o título que fecha a Ladainha de Nossa Senhora, aquela que se reza depois do terço. Depois de invocar Maria como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires e de todos os Santos, a oração termina pedindo o que resume tudo: Rainha da paz, rogai por nós.
Não é um título ligado a um único lugar. É invocação antiga da Igreja inteira, e por isso aparece em contextos muito diferentes, do fim de guerras a santuários nascidos no século XX.
A origem, com as datas
A invocação entrou de forma definitiva na piedade católica no contexto da Primeira Guerra Mundial. O pedido de paz atravessou o século XX e ficou marcado no calendário da Igreja: desde 1968, o dia 1º de janeiro é celebrado como Dia Mundial da Paz, na mesma data em que a Igreja celebra Santa Maria, Mãe de Deus. Todo ano o Papa publica uma mensagem para esse dia.
A ligação entre Maria e a paz não é enfeite de linguagem. Ela nasce da compreensão de que a paz não é apenas ausência de guerra, e sim fruto da justiça e da reconciliação, e de que quem gerou o Príncipe da Paz é apresentada como caminho até ele.
O que existe hoje
Em 19 de setembro de 2024, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou a nota A Rainha da Paz, assinada pelo cardeal Víctor Manuel Fernández e por monsenhor Armando Matteo, sobre a experiência espiritual ligada a Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina. O documento reconhece os frutos espirituais do lugar e formula juízo geral positivo sobre as mensagens, autorizando o culto público por meio do nihil obstat concedido pelo bispo de Mostar-Duvno em acordo com a Santa Sé.
O mesmo texto faz uma distinção que precisa ser lida com atenção: a avaliação positiva das mensagens não significa declarar que tenham origem sobrenatural direta. Em outras palavras, a Igreja autorizou a devoção e não se pronunciou sobre a natureza dos fenômenos.
Onde visitar
O destino mais procurado hoje é a paróquia santuário da Rainha da Paz, em Medjugorje, que recebe peregrinos de dezenas de países todos os anos. No Brasil, o título dá nome a paróquias e capelas em praticamente todos os estados, muitas delas erguidas nas décadas de 1980 e 1990, quando a devoção se espalhou por aqui.
Em Roma, a Basílica de Santa Maria Maior, a mais antiga basílica mariana do Ocidente, guarda a memória de tudo o que a Igreja rezou pedindo paz ao longo dos séculos.
Quando a Igreja celebra
O dia mais próprio é 1º de janeiro, solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, que é também o Dia Mundial da Paz. Muitas comunidades dedicadas ao título celebram a padroeira nessa data. Em Medjugorje, a data de referência da comunidade é 25 de junho.
Vale distinguir: a solenidade de 1º de janeiro está no calendário da Igreja inteira, e as datas locais são celebrações próprias de cada comunidade.
Coisas que pouca gente sabe
A invocação Rainha da paz é a última da Ladainha de Nossa Senhora, e a posição não é casual. A Ladainha sobe degrau por degrau, do anjo ao santo, e termina onde a Igreja quer chegar. Quem reza o terço até o fim está pedindo paz sem sempre perceber.
Outro dado que passa despercebido: a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz é publicada desde 1968 e costuma tratar de assuntos bem concretos, como dívida dos países pobres, migração, desarmamento e trabalho. É o documento mariano mais prático que a Igreja produz todo ano.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que o título Rainha da Paz nasceu em Medjugorje. Não nasceu: ele já estava na Ladainha de Nossa Senhora e na oração da Igreja muito antes, e continua sendo rezado por quem nunca ouviu falar daquele lugar.
Também circula a leitura de que o Vaticano teria aprovado as aparições em 2024. O texto da nota diz outra coisa: autoriza o culto público e reconhece os frutos, sem declarar que as mensagens tenham origem sobrenatural direta. As duas coisas são diferentes, e a própria nota faz questão de separá-las.
Como e quando rezar
Reza-se a Rainha da Paz pedindo paz onde ela falta e não depende só de nós: casa dividida, família em litígio, trabalho hostil, país em guerra. A forma mais simples e mais antiga é rezar o terço e não pular a Ladainha, chegando até a última invocação com atenção.
No dia 1º de janeiro, começar o ano com essa oração é um costume que junta o calendário da Igreja e o calendário da vida. Um Pai-Nosso pela paz do mundo e um pela paz da própria casa fecham bem.