Quem é Nossa Senhora Mãe dos Homens
Nossa Senhora Mãe dos Homens é o título que apresenta Maria como mãe espiritual de toda a humanidade, e não apenas de um povo, de uma cidade ou de um ofício. É por isso que o nome soa tão largo: ele abraça todo mundo.
No Brasil, esse título tem um endereço que muita gente conhece sem saber que é dela: o Santuário do Caraça, na serra mineira, entre Catas Altas e Santa Bárbara, a cerca de cento e vinte quilômetros de Belo Horizonte.
A imagem
A escultura veio de Portugal, obra do século XVIII atribuída ao escultor José de Almeida. Ela mede seis palmos de altura e mostra a Virgem Maria com a mão direita erguida em bênção e o Menino Jesus apoiado no braço esquerdo.
A origem, com as datas
Em 1774, o Irmão Lourenço de Nossa Senhora, português, ergueu naquela serra uma ermida dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens, junto de duas alas residenciais em traço barroco. Ele deu à casa o nome de Hospício de Nossa Senhora Mãe dos Homens, e a função era acolher religiosos e romeiros que passavam por ali.
A devoção cresceu depressa. O Irmão Lourenço fundou a Irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens, aprovada por um Breve do Papa Pio VI em 12 de agosto de 1791. Aquela irmandade chegou a reunir 23.226 fiéis inscritos e existiu até 1885.
O fundador morreu em 27 de outubro de 1819, com cerca de noventa e cinco anos, e foi sepultado na própria ermida. Pela Carta Régia de 31 de março de 1820, Dom João VI concedeu a propriedade aos padres da Congregação da Missão, os lazaristas, que chegaram ao Caraça em 15 de abril de 1820, com o padre Antônio Ferreira Viçoso e o padre Leandro Rabelo Peixoto e Castro.
De onde vêm as buscas por Caraça
Vale dizer com clareza, porque é o que a maioria procura: o nome mais buscado dessa devoção não é o título, é o lugar. O Santuário do Caraça virou destino de turismo e de retiro, com hospedaria, museu, biblioteca e reserva natural, e por isso aparece muito mais que a padroeira que lhe deu origem.
Quem chega pelo turismo costuma não saber que a serra inteira começou com uma ermida de 1774 e uma imagem portuguesa.
O colégio que formou dois presidentes
Entre 1820 e 1821, os lazaristas abriram ali um colégio, com uma primeira turma de catorze alunos. Ao longo do tempo passaram por ele cerca de onze mil estudantes, entre eles dois presidentes da República, Afonso Pena, matriculado em 1859, e Artur Bernardes, matriculado em 1887, além de vinte e um bispos. O colégio civil encerrou as atividades em 1912.
Em 28 de maio de 1968, um fogareiro elétrico esquecido ligado na sala de encadernação provocou o incêndio que destruiu o prédio do colégio. Da biblioteca, que tinha quarenta mil obras, cerca de quinze mil foram salvas.
O que existe hoje
O templo atual, em traço neogótico, é de 1883. O conjunto mantém museu, biblioteca, a Pousada do Caraça e a Pousada Fazenda do Engenho, dentro de uma reserva particular de 11.233 hectares. O endereço fica na Estrada do Caraça, quilômetro 9, em Catas Altas.
Como e quando rezar
O costume ali é rezar no fim da tarde, quando o movimento diminui e a serra fecha. É devoção para pedir amparo amplo: pela família inteira, pelos que estão longe, pelas pessoas de quem se perdeu o contato. O título convida a rezar por quem não tem quem reze.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que o Caraça seja um mosteiro medieval trazido pedra por pedra da Europa. Não é: o traço neogótico do templo é do século XIX, feito no Brasil, e a origem do lugar é uma ermida barroca de 1774.
Também se confunde a devoção com Nossa Senhora Mãe dos Homens de outras regiões. O título é de origem portuguesa e aparece em mais de um lugar, mas o centro brasileiro dele é o Caraça.