Quem é Santa Maria Mãe de Deus
Santa Maria Mãe de Deus e Nossa Senhora Mãe de Deus são o mesmo título, e o primeiro é a forma que o Missal usa na solenidade de 1º de janeiro. Não se trata de uma devoção local nem de aparição: é a afirmação mais básica que a Igreja faz sobre Maria.
O raciocínio é curto e definitivo. Se Maria é mãe de Jesus, e se Jesus é Deus, então ela é mãe de Deus. O título fala menos dela e mais do Filho: ele existe para proteger a verdade de quem Jesus é.
A origem, com as datas
A definição veio no Concílio de Éfeso, no ano 431, que se encerrou em 22 de junho. Ali a Igreja definiu como verdade de fé a maternidade divina de Maria, usando o termo grego Theotokos, que significa aquela que deu à luz Deus.
A questão em jogo não era mariana, e sim cristológica. Quem recusava o título recusava, no fundo, que as duas naturezas de Cristo, divina e humana, estivessem unidas na mesma pessoa. Chamar Maria de Mãe de Deus foi o modo de dizer que aquele que nasceu dela é Deus e homem.
O que existe hoje
A solenidade de 1º de janeiro é celebrada em qualquer dia da semana em que caia, e é a mais antiga festa mariana do Ocidente. A celebração começou em Roma por volta do século VI, provavelmente ligada à dedicação, em 1º de janeiro, do templo chamado Santa Maria Antiga, no Fórum Romano.
A data acumula sentidos: é o oitavo dia do Natal, é o começo do ano civil e é também o Dia Mundial da Paz, celebrado desde 1968 com uma mensagem publicada pelo Papa. Quem vai à Missa em 1º de janeiro reza as três coisas ao mesmo tempo.
Onde visitar
Éfeso, na atual Turquia, é o endereço histórico: foi ali que o Concílio de 431 se reuniu, e as ruínas da cidade são visitadas por peregrinos até hoje. Nas redondezas está a casa que a tradição aponta como a de Maria.
Em Roma, a Basílica de Santa Maria Maior guarda a memória do culto mariano mais antigo do Ocidente, e a igrejinha de Santa Maria Antiga, no Fórum, é ligada à origem da festa.
Quando a Igreja celebra
A solenidade é em 1º de janeiro, no encerramento da oitava do Natal. Não é festa móvel e não depende do calendário local: vale para a Igreja inteira.
O Evangelho do dia traz os pastores em Belém e a frase que resume a devoção: Maria guardava todas essas coisas, meditando-as no coração.
Coisas que pouca gente sabe
Este é o título mariano que mais gente reza sem perceber. Toda vez que alguém diz a Ave-Maria e chega em Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, está repetindo a definição de Éfeso do ano 431.
Outro detalhe: a festa de 1º de janeiro é a mais antiga celebração mariana do Ocidente, e por muito tempo o dia foi dedicado à Circuncisão do Senhor. A reforma litúrgica devolveu à data o caráter mariano que ela tinha na origem romana.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente entende Mãe de Deus como se a Igreja dissesse que Maria gerou a divindade, ou que ela é anterior a Deus. Não é isso: o título afirma que ela é mãe da pessoa de Jesus, que é Deus, e nada diz sobre origem da divindade.
Também se confunde este título com Nossa Senhora Mãe da Igreja. São complementares e distintos: Mãe de Deus é de 431 e fala da relação com o Filho; Mãe da Igreja foi proclamado por Paulo VI em 1964 e fala da relação com os batizados.
E há quem pense que o dogma é recente. Ele é o mais antigo de todos os dogmas marianos, anterior por séculos à Imaculada Conceição e à Assunção.
Como e quando rezar
Reza-se a Santa Maria Mãe de Deus pedindo o que se pede a uma mãe com autoridade: intercessão direta, proteção da família, paz no ano que começa. É a oração do primeiro dia do ano.
O modo mais simples é o que já se sabe de cor: rezar a Ave-Maria com atenção na segunda parte, que é justamente a invocação deste título. Em 1º de janeiro, participar da Missa e rezar um Pai-Nosso pela paz do mundo fecha a data no sentido em que a Igreja a propõe.