Quem é Nossa Senhora dos Migrantes
Nossa Senhora dos Migrantes é o título que coloca Maria ao lado de quem parte. Ela também é chamada de Mãe dos Migrantes, e a devoção pertence à mesma família de causas que a Igreja acompanha há mais de um século: a de quem sai da própria terra por necessidade, guerra, fome ou trabalho.
A escolha do título não é decorativa. Maria viveu a experiência de sair correndo com o filho pequeno e atravessar a fronteira, e é essa passagem do Evangelho que sustenta a devoção inteira.
A origem, com as datas
A devoção nasceu do trabalho de João Batista Scalabrini, bispo italiano que dedicou a vida à defesa dos migrantes e fundou congregações voltadas para eles.
A primeira imagem da devoção foi coroada solenemente pelo Papa Pio XII em 1955. Trata-se de um alto-relevo, com pintura de Francesco Agnosotti, escultura de Massimiliano Stuffer e trabalho de gravação de Lodola e Mantegozza.
Em 11 de julho de 1957, a imagem foi entregue oficialmente aos padres scalabrinianos e colocada como padroeira no altar principal da capela paroquial deles na Avenida Almirante Brown, no bairro de La Boca, em Buenos Aires. Foi dali que a devoção se espalhou.
O que existe hoje
O título nomeia obras, capelas e estruturas inteiras da família scalabriniana. A Província Maria, Mãe dos Migrantes celebra a fundação em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, padroeira da província. Em 2013, três províncias se uniram para formar a Região Nossa Senhora Mãe dos Migrantes.
Onde há trabalho com migrante, costuma haver imagem, capela ou festa com esse nome, e isso vale para o Brasil, para a Argentina, para o Paraguai e para vários países da Europa e da América do Norte.
O santo dessa causa
João Batista Scalabrini foi canonizado pelo Papa Francisco em 9 de outubro de 2022, e o próprio Papa o chamou de pai dos migrantes. Falando aos peregrinos no dia seguinte, em 10 de outubro de 2022, Francisco resumiu o projeto do novo santo: ele queria um mundo e uma Igreja sem barreiras, onde ninguém fosse estrangeiro.
Quando a Igreja celebra
A data de referência é o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado desde 1914, no último domingo de setembro. No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove a Semana Nacional do Migrante, de 16 a 22 de junho, com o Dia do Migrante em 19 de junho e o Dia Mundial do Refugiado em 20 de junho.
Onde visitar
No Brasil, o roteiro dessa devoção passa pelas obras scalabrinianas: casas de acolhida, centros de atendimento a migrantes e paróquias com o título. Fora do país, o endereço histórico fica em La Boca, em Buenos Aires, onde a imagem coroada por Pio XII foi entronizada em 1957.
Coisas que pouca gente sabe
A imagem original não é uma escultura de vulto, e sim um alto-relevo, feito por uma equipe de artistas, e não por um autor único. A devoção começou a se espalhar a partir de um bairro portuário de Buenos Aires, ponto de chegada de milhões de imigrantes europeus. E o santo dessa causa entrou na lista de santos há pouquíssimo tempo, em 2022.
O que muita gente acredita e não é verdade
Há quem pense que a devoção sirva apenas para quem cruza fronteira internacional. No Brasil, a maior parte dos migrantes é brasileira, que trocou de estado atrás de trabalho, e a devoção é tão deles quanto de quem chegou de fora.
Outro engano é confundir esse título com Bom Jesus dos Migrantes, que é invocação de Cristo, e não de Maria. As duas devoções acompanham a mesma causa, mas não são a mesma coisa.
Como e quando rezar
Reza-se na véspera da viagem, no primeiro dia de trabalho longe de casa, na saudade que aperta em data de família, e no pedido por documento, moradia e emprego. O gesto que combina com o título é prático: acolher quem chegou, indicar trabalho, ensinar o caminho, dividir a mesa.