Quem é Nossa Senhora dos Humildes
Nossa Senhora dos Humildes é um título mariano brasileiro com endereço fixo: Santo Amaro, na Bahia, no Recôncavo, terra de engenho de açúcar.
O nome do título e a história da obra combinam: era uma casa para as mulheres que a sociedade da época não contava.
A origem, com as datas
Em 1793, o santamarense Inácio Teixeira dos Santos Araújo construiu uma capela para louvar Nossa Senhora. Oito anos depois, em 1801, já sacerdote, ampliou o templo e construiu o campanário.
A construção do convento começou em 1808, e o Recolhimento de Nossa Senhora dos Humildes foi fundado em 1809. Em 8 de dezembro de 1817, seis meninas e nove servas foram as primeiras a ser recebidas.
Para quem a casa foi feita
Este é o ponto que faz a história valer, e ele é duro.
O recolhimento, único no interior da província naquele tempo, abrigava senhoras pias, viúvas, meninas órfãs, servas, mulheres escravizadas, pensionistas, filhas de senhores de engenho e meninas de famílias da região.
Ou seja: sob o mesmo teto, filhas de senhores de engenho e mulheres escravizadas. Elas aprendiam catecismo e trabalhos domésticos, sob a guarda do clero. A obra é do seu tempo, com tudo o que isso significa, e é justamente por isso que ela documenta a vida das mulheres do Recôncavo como pouca coisa documenta.
O que existe hoje
O conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia em 1981, e a construção do convento se estendeu de 1793 a 1870.
Hoje ali funciona o Museu do Recolhimento dos Humildes, que conta cerca de duzentos anos daquela devoção e daquela casa, e o templo continua em uso para culto. O acervo guarda imagens de Nossa Senhora dos Anjos, de São Miguel e de Santa Rita.
Onde visitar
Na Bahia, o endereço é Santo Amaro, no Recôncavo, com o templo e o convento de Nossa Senhora dos Humildes e o museu instalado ali.
É visita de quem gosta de história do Brasil, e não apenas de romaria: o lugar guarda o cotidiano de mulheres brasileiras de dois séculos atrás.
Quando a Igreja celebra
Não localizei data litúrgica própria para este título no calendário universal, porque ele é invocação local. A comunidade de Santo Amaro celebra a padroeira em data definida pela paróquia, e é ali que se deve conferir o dia.
A data que aparece nos registros da casa é 8 de dezembro de 1817, quando as primeiras recolhidas foram recebidas, o que coincide com a solenidade da Imaculada Conceição.
Coisas que pouca gente sabe
Quem fundou a obra foi um filho da própria cidade, que primeiro construiu a capela como leigo e depois voltou sacerdote para ampliá-la. A obra cresceu em três tempos: capela, campanário, convento.
Outro dado: o nome Humildes não é adjetivo devocional vago. Descreve exatamente para quem a casa foi construída.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que recolhimento era o mesmo que convento de clausura. Era instituição mista, entre convento e casa de acolhida: recebia religiosas, mas também meninas órfãs e mulheres sem lugar para ficar.
Também se pensa que Santo Amaro é apenas o nome do lugar. É o nome do padroeiro da cidade, e a devoção a Nossa Senhora dos Humildes é outra, convivendo com ele no mesmo município.
E há quem imagine que a obra desapareceu. O conjunto está tombado desde 1981 e funciona como museu e como templo.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora dos Humildes por mulheres sozinhas, por quem cuida de casa alheia, por trabalhadoras domésticas e por quem não é contado em nenhuma estatística.
Um modo simples é rezar o Magnificat, o cântico de Maria, com atenção à parte que fala dos humildes que são elevados, e oferecer por uma mulher que trabalha na sua casa ou perto dela.