Quem é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
A Oração de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é rezada por quem está numa dificuldade que não passa e precisa de ajuda que não falte. O nome diz isso: socorro perpétuo, socorro que não se interrompe.
A devoção não nasceu de uma aparição. Nasceu de uma pintura. E essa pintura, um ícone antigo vindo da ilha de Creta, é o centro de tudo aqui: quem entende o que está pintado nela já sabe rezar essa oração. A festa é em 27 de junho.
O que se pede na oração de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
A oração clássica é curtíssima e tem uma segunda parte que quase ninguém repara.
Primeiro se pede: mostrai-nos que sois verdadeiramente nossa mãe, e se apresenta o pedido concreto. Depois vem o resto, que muda tudo: e a graça de usar dele para a glória de Deus e a salvação de minha alma.
Ou seja, pede-se a coisa e pede-se saber usar a coisa. É um pedido de quem já viu graça virar problema na mão de quem não estava pronto para ela.
O ícone: o que está pintado ali
Vale olhar com calma, porque cada detalhe foi posto de propósito. Os Redentoristas, que guardam o original, explicam a leitura.
Maria aparece com o Menino nos braços, e o título antigo do ícone é Virgem da Paixão. As letras gregas acima da cabeça dela a proclamam Mãe de Deus, e as que estão junto do Menino são o nome de Jesus Cristo em grego.
Dos dois lados há dois arcanjos, e eles não estão ali de enfeite: cada um segura instrumentos da Paixão. São Gabriel traz a cruz e os cravos. São Miguel traz a lança e a vara com a esponja.
O Menino olha para aqueles objetos e se aperta contra a mãe, com as duas mãos apoiadas na mão dela. É a imagem da confiança inteira: ele viu o que vem, e segurou.
Maria, no entanto, não olha o Filho. Ela olha para fora do quadro, para quem está diante dela. Os olhos são grandes de propósito, para acolher e para ver a necessidade de quem chega. A boca está fechada: ela não diz nada, e a mão direita dela aponta para Jesus.
O ouro ao redor é a alegria do Céu. A túnica vermelha e o manto azul vestem uma mãe daquele tempo, e uma estrela no véu dela é a estrela que guia até o Filho.
Por que a sandália do Menino está caindo
Este é o detalhe que mais chama atenção de quem olha o ícone de perto: o pé direito do Menino aparece com a sandália solta, quase caindo, pendurada por um cordão fino.
A leitura que os Redentoristas guardam é comovente. Aquela sandália pendurada por um fio é o pecador: alguém que já se soltou de quase tudo e continua ligado a Jesus por um fio só, o último, que é a devoção à Mãe dele.
É a razão de essa devoção ser tão querida por quem se sente longe. A imagem não mostra alguém firme: mostra alguém pendurado, e não caído.
A viagem do ícone: Creta, um roubo e uma tempestade
A história de como esse ícone chegou a Roma é digna do que ele representa.
No século XV, um comerciante roubou a pintura de um templo na ilha de Creta com a intenção de vendê-la em Roma. Na travessia do Mediterrâneo, uma tempestade violenta quase afundou o navio. Ele chegou, adoeceu e, arrependido, pediu a um amigo que devolvesse o ícone a um templo.
Em 27 de março de 1499 a pintura foi entronizada no templo de São Mateus, em Roma, e ali ficou por mais de trezentos anos.
Trinta anos esquecido, e um Papa
No fim do século XVIII, com a invasão francesa, o templo de São Mateus foi destruído. Os religiosos que cuidavam do ícone o levaram consigo, e ele ficou guardado, longe dos olhos, por cerca de trinta anos.
Foi em 1866 que o Papa Pio IX entregou aquele ícone aos Missionários Redentoristas, com uma recomendação que virou o programa da devoção: fazei com que todo o mundo conheça esta devoção.
Eles cumpriram. O original está hoje no templo de Santo Afonso, na Via Merulana, em Roma, e a devoção chegou a praticamente todo o mundo católico, com força enorme no Brasil.
A Novena Perpétua e por que ela é na quarta-feira
Aqui está o dado que explica uma cena repetida em milhares de paróquias brasileiras toda semana.
Em 11 de julho de 1922, num templo dedicado a Santo Afonso em Saint Louis, nos Estados Unidos, um padre redentorista chamado André Brown rezou uma novena a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e teve a ideia de repetir aquilo toda semana. Escolheu a quarta-feira por um motivo prático: era o dia mais livre.
Deu certo além de qualquer expectativa. É dali que vem o nome perpétua: a novena não tem começo nem fim no calendário, ela acontece num dia fixo da semana, em todas as semanas do ano, sem interromper. Cada região escolhe o seu dia, e no Brasil a quarta-feira ficou como a mais comum, embora haja lugares que rezem na terça.
O efeito disso é que, a qualquer hora, existe alguma comunidade no mundo rezando essa novena. Em 2022 ela completou cem anos.
Quando se reza a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Reza-se na novena semanal, que é o jeito próprio dessa devoção, e em 27 de junho, dia da festa.
Reza-se em dificuldade que se arrasta: desemprego longo, doença sem prazo, filho em caminho ruim, dívida que não fecha. O título foi feito para isso, para o socorro que precisa continuar chegando.
E reza-se diante da imagem, olhando para ela. É um ícone que foi pintado para ser olhado: o olhar de Maria está voltado para quem reza, e a mão dela aponta para onde ela quer que a gente olhe.