Quem é Nossa Senhora do Patrocínio
Nossa Senhora do Patrocínio é Maria invocada como quem assume publicamente a defesa de alguém. Patrocínio, na origem da palavra, é isso: o compromisso de proteger, tornado público, como o de um patrono que responde por quem está sob a sua guarda.
O título não descreve uma aparição nem um lugar. Descreve uma relação, e é por isso que ele foi tão adotado por cidades, irmandades e colégios: quem tem patrocínio tem alguém que responde por si.
A origem, com as datas
A devoção é ibérica. A festa foi concedida por autorização do Papa Alexandre VII em 28 de julho de 1656, e nasceu como ação de graças por vitórias militares atribuídas à intercessão de Maria naquele contexto europeu.
Os portugueses trouxeram o título para o Brasil ao longo de vários séculos, e ele se espalhou pelo interior, dando nome a paróquias, cidades e escolas. No Brasil, a devoção deixou de ser lembrança de batalha e virou proteção do cotidiano.
O que existe hoje
O endereço mais conhecido é o templo de Nossa Senhora do Patrocínio em Itu, no interior de São Paulo, construído entre 1815 e 1819 pelo padre Jesuíno do Monte Carmelo e inaugurado na festa da padroeira, em 13 de novembro de 1820. Em 2020 a cidade celebrou os duzentos anos daquela inauguração.
O padre Jesuíno do Monte Carmelo é figura fora do comum: era pintor e músico além de sacerdote, e o templo é obra dele em mais de um sentido. Quarenta anos depois da morte dele, chegou a Itu a Madre Maria Theodora Voiron para abrir junto ao templo um colégio, que se tornou a primeira escola normal e a primeira faculdade da cidade e da região.
Onde visitar
Em Itu, o templo fica no centro histórico e é um dos marcos da cidade. Quem vai por devoção costuma juntar a visita à festa de novembro.
O título aparece também em Patrocínio, em Minas Gerais, cujo nome vem justamente dessa invocação, e em paróquias de várias dioceses brasileiras, entre elas Jaú, Jundiaí e Patos de Minas. É devoção espalhada, sem um santuário nacional único.
Quando a Igreja celebra
Em Itu, a festa da padroeira é em 13 de novembro, a mesma data da inauguração do templo em 1820. Cada comunidade dedicada ao título mantém a própria data e a própria novena.
Não é festa do calendário da Igreja inteira, e sim celebração local, como acontece com quase todos os títulos marianos ligados a padroado de cidade.
Coisas que pouca gente sabe
A devoção mudou de sentido ao atravessar o oceano. Na Espanha do século XVII, ela era ação de graças por vitória em guerra. No Brasil, virou proteção de lavoura, de casa e de escola, e ninguém que reza hoje se lembra da origem militar.
Outro detalhe: o homem que construiu o templo de Itu pintou também os quadros dele. Jesuíno do Monte Carmelo é estudado como artista, e não apenas como padre construtor, e é raro um santuário brasileiro ter autor único assim.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que Patrocínio é nome de cidade e nada mais. É o contrário: a cidade de Patrocínio, em Minas Gerais, tem esse nome por causa da devoção, e não a devoção por causa da cidade.
Também se confunde o título com o de padroeira em geral. Toda padroeira exerce um patrocínio, mas Nossa Senhora do Patrocínio é uma invocação específica, com festa concedida em 1656 e história própria.
E há quem imagine que o templo de Itu é uma catedral antiga de origem jesuítica do século XVI. Ele é do começo do século XIX, entre 1815 e 1819, e o autor é o padre Jesuíno do Monte Carmelo.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora do Patrocínio pedindo proteção continuada, e não socorro de um dia só: casa, filhos, trabalho, terra, escola. É a oração de quem quer alguém respondendo por si a longo prazo.
O costume mais difundido é a novena que antecede a festa da padroeira, e em casa uma Ave-Maria diária pela família, dita sempre no mesmo horário. Em 13 de novembro, quem é de Itu ou tem devoção à padroeira participa da Missa da festa.