Quem é Nossa Senhora do Monte Serrat
Nossa Senhora do Monte Serrat é a padroeira de Santos, no litoral de São Paulo, e a devoção está lá desde o século XVI.
A imagem chegou trazida por Dom Francisco de Sousa, então governador-geral do Brasil, e foi colocada no alto do morro que domina a cidade. O morro acabou recebendo o nome dela.
A festa é em 8 de setembro, e todo ano milhares de pessoas sobem o morro a pé.
A oração a Nossa Senhora do Monte Serrat
O texto rezado é uma entrega, e vale ler devagar:
Ó clementíssima Virgem Maria, minha soberana e Mãe, augusta Senhora do Monte Serrat, venho lançar-me no seio da vossa misericórdia e ponho, desde agora e para sempre, a minha alma e o meu corpo debaixo da vossa salvaguarda e da vossa bendita proteção. Confio-vos e entrego nas vossas mãos todas as minhas penas e misérias, bem como o curso e o fim da minha vida, para que, por vossa intercessão, todas as minhas ações se dirijam segundo a vontade de vosso divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Existe também uma versão curta, que o povo canta e decora sem esforço: Nossa Senhora do Monte, que estais no monte a rezar, pedi por nós, vossos filhos, que não vos cessam de amar.
Montserrat quer dizer monte serrado
O nome desta devoção não descreve uma pessoa, descreve uma montanha, e isso é raro.
Ele vem do catalão Montserrat, que quer dizer monte serrado. O motivo é que a serra da Catalunha onde a devoção nasceu tem formações de pedra que parecem, de longe, os dentes de uma serra de madeira.
Ou seja, o nome da padroeira de Santos é, na origem, a descrição de um relevo. Quem batizou aquele lugar olhou para as pedras e disse o que via.
A imagem morena da Catalunha
Na Espanha, a devoção original está no mosteiro de Montserrat, perto de Barcelona, e a imagem de lá é chamada carinhosamente pelo povo de la Moreneta, que quer dizer a Morena, por causa da cor escura da imagem.
Ela é a padroeira oficial da Catalunha desde o fim do século XIX, e o mosteiro é um dos lugares de peregrinação mais antigos e mais visitados da Europa.
Foi essa devoção que os portugueses e espanhóis trouxeram para cá.
Como o nome atravessou o oceano
A ligação entre os dois lugares é direta e está no nome.
Quando a imagem chegou a Santos, no século XVI, foi entronizada no alto de um morro. E o morro passou a ser chamado de Monte Serrat, pelo mesmo motivo da serra catalã: o formato do relevo.
De um lado do oceano, uma serra de pedra que parece serrada. Do outro, um morro que domina o porto. Os dois com o mesmo nome, pela mesma razão, e a mesma Senhora no alto.
Nos anos 1950, ela foi aclamada padroeira da cidade pela própria Santos e teve o título confirmado pelo Papa Pio XII.
A via-sacra escondida na subida
Aqui está o detalhe que muita gente sobe sem perceber.
São mais de quatrocentos degraus até a capela no alto do morro. E ao longo da escadaria existem catorze nichos, com as representações da via-sacra, um em cada trecho da subida.
Ou seja: quem sobe a pé não está apenas subindo. Está percorrendo a via-sacra, parando em cada estação, mesmo sem ter combinado isso.
A escadaria foi pensada assim. E, para quem não pode subir, existe o funicular, um bondinho antigo que faz o mesmo trajeto pelo trilho.
Quem chega em cima encontra a capela, a imagem e a vista do porto inteiro.
Quando se reza a Nossa Senhora do Monte Serrat
Reza-se em 8 de setembro, o dia dela, quando a cidade para.
Reza-se por Santos e por quem vive do porto, que é boa parte da cidade.
Reza-se ao subir a escadaria, aproveitando os catorze nichos, que transformam a subida numa oração inteira.
E reza-se com a entrega que o texto pede: colocar nas mãos dela não só o pedido do momento, mas o curso e o fim da própria vida.