Quem é Nossa Senhora do Líbano
Nossa Senhora do Líbano é o título mariano do povo maronita, e é também uma das devoções do Oriente cristão mais presentes no Brasil, embora quase ninguém fora da comunidade libanesa saiba disso.
É chamada também Nossa Senhora de Harissa, pelo santuário onde está a estátua que deu forma à devoção.
A origem, com as datas
A devoção surgiu em 1904, quando a Igreja Católica celebrou o jubileu de ouro do dogma da Imaculada Conceição.
Naquele contexto, o Patriarca Maronita e o Núncio Apostólico no Líbano e na Síria, de comum acordo, incentivaram os libaneses a honrar a Virgem Maria, e daquele impulso nasceu o santuário e o título.
O santuário de Harissa
O santuário fica a cerca de vinte quilômetros de Beirute, e é um dos principais lugares de peregrinação cristã maronita.
O que se vê de longe é a estátua: bronze, quinze toneladas, oito metros e meio de altura e cinco metros de diâmetro, no alto, voltada para o mar e para a cidade. É a imagem que aparece em quase toda fotografia religiosa do Líbano.
No Brasil, uma catedral em São Paulo
Aqui está o dado brasileiro, e ele é grande.
Os primeiros árabes que imigraram para o Brasil eram, na grande maioria, cristãos, e a maior parte deles era de católicos maronitas da Síria e do Líbano. Eles trouxeram na bagagem a devoção a Nossa Senhora do Líbano.
Em 1954 chegaram ao Brasil três padres da Ordem Libanesa Maronita, e nesse período foi construído o templo de Nossa Senhora do Líbano, na rua Tamandaré, em São Paulo, hoje catedral maronita, sede da eparquia e coração da comunidade no país.
O que existe hoje
A comunidade maronita brasileira é uma das maiores fora do Líbano, e celebra a padroeira com festa própria, em maio, o mês de Maria.
Vale saber que os maronitas são católicos em plena comunhão com o Papa, com rito próprio, o rito siríaco maronita, e liturgia em árabe e siríaco. Não é outra religião nem outra Igreja: é a mesma Igreja Católica, com rito diferente do latino.
Onde visitar
No Líbano, o endereço é o santuário de Harissa, perto de Beirute, com a estátua de bronze e a vista para o mar.
No Brasil, é a Catedral Nossa Senhora do Líbano, em São Paulo, na rua Tamandaré, onde a comunidade maronita se reúne e onde a padroeira é festejada.
Quando a Igreja celebra
A festa da padroeira é celebrada em maio, e a data exata é definida pela comunidade maronita, que costuma marcar a celebração num domingo do mês.
Coisas que pouca gente sabe
A devoção é do começo do século XX, e não medieval como muita gente supõe. Nasceu em 1904, no jubileu de ouro do dogma da Imaculada Conceição.
Outro dado: a maior parte dos imigrantes árabes que chegaram ao Brasil era cristã, e maronita. A imagem de que a imigração árabe no país é predominantemente muçulmana não corresponde ao que aconteceu na origem.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que maronita é uma Igreja separada de Roma. Os maronitas são católicos em plena comunhão com o Papa, com rito próprio.
Também se supõe que a devoção é antiga como as devoções marianas europeias. Ela é de 1904, e o santuário de Harissa é do mesmo período.
E há quem imagine que Nossa Senhora do Líbano é uma aparição. Não é: é um título mariano ligado a uma estátua e a um santuário, nascido de um impulso pastoral do patriarca maronita e do núncio.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora do Líbano pelo Líbano e pelos cristãos do Oriente Médio, que vivem sob guerra e emigração, e por famílias que precisam deixar o país para sobreviver.
Em maio, um modo simples é rezar um terço pelo Líbano, e por uma família imigrante que você conheça, de qualquer origem.