Quem é Nossa Senhora do Brasil
Nossa Senhora do Brasil é um título mariano cujo nome original era outro: Nossa Senhora Mãe dos Divinos Corações.
A devoção veio de Portugal com os jesuítas, ainda no tempo da colônia, e ganhou aqui uma imagem própria, feita sob encomenda.
Hoje o título é conhecido sobretudo pela Paróquia dedicada a ela em São Paulo, fundada em 1942, no Jardim América.
A festa é celebrada em 7 de setembro, dia da Independência, e a devoção também é lembrada em 22 de fevereiro.
A oração de Nossa Senhora do Brasil
O texto rezado é este, escrito por um pároco da comunidade dedicada a ela:
Pai de bondade, nesta hora importante, confiantes fazemos esta prece por nossa Terra. Aflige-nos a miséria material e espiritual de milhões de irmãos. Angustia-nos ver suas justas aspirações inatendidas. Entristece-nos a falta de grandeza ética e religiosidade, na vida particular e no procedimento público. Pedimos, pois, Vossa Graça, para que governantes e governados unam suas forças em busca do bem comum. Renovai os corações para que surjam mulheres e homens novos, capazes de construir uma grande sociedade cristã, enraizada no trabalho, na justiça e na austeridade. Isso Vos pedimos pelos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, aqui invocados sob o título de Nossa Senhora do Brasil, Vossa e nossa Mãe querida. Amém.
O nome que veio de Nápoles
Aqui está a parte que quase ninguém sabe, e ela inverte o que se esperaria.
O título Nossa Senhora do Brasil não foi criado no Brasil. Foi criado na Itália.
A história é esta. A imagem ficou aos cuidados dos frades capuchinhos, em Recife. Veio então a invasão holandesa do Nordeste, e com ela a expulsão dos capuchinhos da região.
Ao sair, os frades levaram a imagem consigo. Ela atravessou o oceano e foi parar na casa principal da ordem, em Nápoles.
E foi lá, na Itália, que ela ganhou o nome pelo qual é conhecida.
Para os napolitanos, aquela era a imagem que tinha vindo do Brasil. Passaram a chamá-la de Nossa Senhora dos Divinos Corações do Brasil e, com o tempo, encurtaram: la Madonna del Brasile, a Senhora do Brasil.
O nome atravessou o mar duas vezes. Foi daqui como imagem sem título e voltou como título.
A imagem com feições indígenas
E há um detalhe anterior a tudo isso, que explica por que a imagem era diferente das outras.
Ela foi feita sob encomenda, a pedido de um missionário jesuíta que trabalhava aqui, e o pedido tinha uma exigência incomum para a época: que fosse uma imagem brasileira, com feições indígenas.
Não era para ser uma Virgem europeia trazida de navio. Era para ser uma imagem com o rosto da gente daqui.
A composição também é própria: Nossa Senhora tem o coração traspassado de espinhos e apresenta o Filho, que traz um coração ardente. Daí o nome original, Mãe dos Divinos Corações, no plural, porque são dois corações e não um.
Vale medir o que esse pedido significava no século XVI. Alguém, olhando para as pessoas que evangelizava, decidiu que a imagem sagrada delas deveria se parecer com elas.
As duas datas
Esta devoção tem duas datas, e as duas fazem sentido.
A primeira é 22 de fevereiro, ligada à devoção em si.
A segunda é 7 de setembro, o dia da Independência, adotada pela comunidade paulistana dedicada a ela.
A escolha do 7 de setembro é coerente com o título: se a invocação chama Maria de Senhora do Brasil, faz sentido celebrá-la no dia em que o país se lembra de si mesmo.
E é uma data que muda o tom da celebração: em vez de uma festa só de devoção, vira uma festa de intercessão pelo país.
O que a oração pede
Leia de novo o texto e repare que ele quase não pede nada para quem reza.
Ele começa com três constatações duras, e nenhuma delas é espiritual no sentido vago: a miséria material e espiritual de milhões, as aspirações justas que não são atendidas, a falta de grandeza ética na vida particular e na vida pública.
Depois pede uma coisa só, e para todo mundo ao mesmo tempo: que governantes e governados unam as forças em busca do bem comum.
E termina pedindo pessoas novas, capazes de construir algo enraizado no trabalho, na justiça e na austeridade.
É uma oração pelo país inteiro, feita por quem mora nele e assume a parte que lhe cabe.
Quando se reza a Nossa Senhora do Brasil
Reza-se em 7 de setembro e em 22 de fevereiro.
Reza-se pelo país, sobretudo em tempo de crise e de divisão.
Reza-se por quem governa e por quem é governado, nos termos exatos da oração.
Reza-se pelos pobres do Brasil, que são a primeira preocupação nomeada no texto.
E reza-se por quem está longe de casa, lembrando que esta imagem também atravessou o oceano e continuou sendo chamada pelo nome da terra de onde veio.