Quem é Nossa Senhora do Amparo
Nossa Senhora do Amparo é um dos títulos marianos mais antigos que chegaram ao Brasil, e é padroeira de muitas cidades e paróquias pelo país.
O título fala de proteção, mas a palavra escolhida diz uma coisa mais específica do que parece.
E é essa palavra que vale examinar primeiro, porque ela muda o que se está pedindo.
A oração a Nossa Senhora do Amparo
Esta é a oração rezada a ela:
Ó dulcíssima Soberana do Amparo, bem sabemos que, miseráveis pecadores, não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas, mas sabemos também que a vossa grandeza não vos faz esquecer a nossa miséria e, no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir, aumenta cada vez mais para conosco. Do alto do trono em que reinais sobre todos os Anjos e Santos, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos! Vede a quantas tempestades e mil perigos estaremos, sem cessar, expostos até o fim da nossa vida. Pelos merecimentos da fé, da confiança e da santa perseverança na amizade de Deus, pedimos que possamos um dia ir beijar os vossos pés e unir as nossas vozes às dos Espíritos celestes, para vos louvar e cantar as vossas glórias eternamente no Céu. Assim seja.
Amparar é o que se põe antes
A palavra amparar vem do latim anteparare, formada por duas partes: ante, que é antes, e parare, que é preparar.
O sentido original é este: pôr alguma coisa na frente para proteger.
Repare no que isso muda.
Consolar é o que se faz depois que a pessoa levou o golpe. Amparar é o que se põe na frente antes que o golpe chegue.
É a mesma ideia da escora que se coloca embaixo de um muro que está cedendo, ou da mão que segura o braço de alguém antes da queda, e não depois dela.
Quem pede amparo não está pedindo companhia na dor. Está pedindo que a dor não chegue inteira.
O que a oração pede, então
Com esse sentido na cabeça, leia de novo o pedido central do texto.
Ele não pede que os perigos deixem de existir. Diz o contrário, e com uma honestidade que chama atenção: pede que ela veja "a quantas tempestades e mil perigos estaremos, sem cessar, expostos até o fim da nossa vida".
Até o fim da vida. A oração não promete um caminho sem tempestade.
Ela pede proteção dentro de uma vida que vai continuar tendo perigo, e é por isso que esta é uma oração de quem já entendeu como as coisas funcionam.
De onde vem o título
A tradição católica liga esse título ao momento em que Jesus, na cruz, entrega a mãe ao discípulo que estava ali, dizendo a ele: eis aí tua mãe.
A leitura que a devoção faz é direta: se ela foi dada como mãe àquele discípulo, foi dada como mãe a quem vem depois dele. E mãe, na prática, é quem ampara.
O título nasceu dessa conclusão, e não de uma aparição ou de um acontecimento extraordinário.
A devoção chegou cedo ao Brasil
A devoção tem origem em Portugal, no século XV, e veio com os portugueses.
E veio cedo: em 1617 já existia um templo dedicado a ela em Olinda, em Pernambuco.
Isso coloca esse título entre os primeiros a se firmar no país, o que explica quantas cidades e paróquias brasileiras levam esse nome até hoje.
A data varia conforme o lugar
Aqui vale um aviso prático, porque a informação circula de forma confusa.
Não existe uma data única. A celebração mais comum é 8 de setembro, mas várias cidades brasileiras festejam a padroeira em agosto, em datas próprias, ligadas à história de cada lugar.
Ou seja: para saber o dia certo, o caminho é olhar o calendário da paróquia ou da diocese, e não uma data geral.
Quando se reza a Nossa Senhora do Amparo
Reza-se na festa da padroeira, na data que a paróquia ou a cidade celebra.
Reza-se antes do perigo, e não só depois dele, que é o sentido exato da palavra.
Reza-se por quem está sem rede de apoio: sem família por perto, sem dinheiro guardado, sem ninguém para chamar.
E reza-se por quem sustenta os outros e não tem quem o sustente, porque quem ampara também precisa de amparo.