O que é a devoção do Alívio
O nome diz o pedido: alívio. É a devoção de quem está em dor, em doença ou em aperto que não passa, e pede não a solução imediata, mas o alívio.
A palavra é modesta de propósito, e talvez seja por isso que ela durou: quem reza pedindo alívio não está exigindo milagre, está pedindo para conseguir carregar o que tem.
A origem, em 1798
A devoção nasceu de gratidão. O padre Xavier Frágoas, pároco em Soutelo, no norte de Portugal, sofria de uma doença que o atormentava, e atribuiu a cura à intercessão de Nossa Senhora.
Em agradecimento, mandou construir a primeira capela com esse título. Ela foi consagrada em 7 de setembro de 1798, com festa grande, presença de autoridades da Igreja e muita gente. É dessa consagração que vem a data da festa.
O santuário hoje
O Santuário de Nossa Senhora do Alívio está na freguesia de Soutelo, no concelho de Vila Verde, distrito de Braga.
É hoje um dos centros de romaria mais conhecidos de Portugal, com milhares de visitantes por ano. Para uma devoção que começou como agradecimento pessoal de um padre de aldeia, virou coisa grande.
A história da sucuri, contada pela tradição
Existe um relato de 1818 que a devoção guardou, e vale conhecê-lo como o que é: tradição, não documento.
Conta-se que um emigrante português no Brasil estava cortando madeira quando percebeu que estava sentado sobre uma sucuri enorme. Rezou a Nossa Senhora do Alívio e, segundo o relato, recebeu força para enfrentar o animal com um facão e sair vivo.
A história explica bem por que essa devoção viajou: quem contava caso assim era emigrante, e cada um levava o nome dela para onde ia.
A devoção no Brasil
Foram os portugueses que trouxeram a devoção para cá, e ela se firmou em pontos específicos do país.
No Rio Grande do Norte, a cidade de Taipu tem essa devoção como parte da própria identidade religiosa. É devoção de raiz portuguesa que virou coisa de sertão nordestino, o que acontece com frequência na história das devoções brasileiras.
Onde visitar
Em Portugal, o destino é Soutelo, em Vila Verde, a poucos quilômetros de Braga, região das romarias mais tradicionais do país.
No Brasil, o caminho é Taipu, no Rio Grande do Norte, e as comunidades que mantêm o título. A festa de 7 de setembro é a melhor data para os dois lados.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 7 de setembro, dia da consagração da primeira capela, em 1798.
Há um detalhe bonito de calendário: 7 de setembro é a véspera da Natividade de Nossa Senhora, celebrada em 8 de setembro. A festa do Alívio cai justamente na antevéspera do aniversário dela.
Coisas que pouca gente sabe
A devoção não nasceu de aparição, e sim de gratidão por uma cura. É um caso claro de devoção que começa de baixo, com uma promessa cumprida, e não de cima.
No Brasil, 7 de setembro é feriado da Independência, o que faz a festa dela concorrer com desfile e churrasco, e ajuda a explicar por que o título é pouco conhecido aqui.
E o nome tem parentesco com outros: Alívio, Socorro, Livramento e Remédios são títulos diferentes de Maria, todos nascidos do mesmo tipo de pedido, em lugares diferentes.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde Nossa Senhora do Alívio com Nossa Senhora do Socorro ou com Nossa Senhora do Livramento. São devoções distintas, com origens e datas próprias, e a semelhança está no tipo de pedido, não na história.
Também é comum imaginar que a devoção é brasileira, por causa do relato da sucuri. A origem é portuguesa, de 1798, e o caso do emigrante é de vinte anos depois.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora do Alívio em doença longa, em dor crônica, em tratamento que não termina e em situação que já se sabe que não vai mudar de um dia para o outro.
É também oração de quem cuida de doente em casa por anos, que é quem mais precisa de alívio e menos costuma pedir.