Quem é Nossa Senhora Divina Pastora
Nossa Senhora Divina Pastora é Maria representada como pastora, vestida de camponesa, com o cajado e as ovelhas em volta. É uma das poucas imagens marianas em que ela não aparece coroada nem em trono: aparece trabalhando.
O título completo da origem espanhola diz o que a imagem quer dizer: Divina Pastora das Almas. Se o Filho é o Bom Pastor, a Mãe é apresentada como quem reúne o rebanho e vai atrás de quem se perdeu.
A origem, com as datas
A devoção surgiu em Sevilha, na Espanha, no início do século XVIII, a partir de uma visão atribuída ao capuchinho frei Isidoro de Sevilha. Segundo a tradição, ele viu Maria vestida como camponesa, que se apresentou como Divina Pastora das Almas e pediu que aquela imagem fosse difundida.
No Brasil, a chegada tem data: 1782, quando missionários capuchinhos trouxeram uma imagem e a instalaram na então comunidade da Ladeira, hoje cidade de Divina Pastora, em Sergipe. O templo foi edificado entre 1782 e 1810, com financiamento do coronel José Bernardino de Sá Souto Maior.
O que existe hoje
A paróquia foi elevada a santuário em 2012, e em 15 de outubro de 2017 Nossa Senhora Divina Pastora foi proclamada padroeira do estado de Sergipe. Até então, Sergipe era o único estado brasileiro sem padroeira.
A romaria é a maior manifestação de fé do estado. A primeira peregrinação aconteceu em agosto de 1958, e desde 1971 a peregrinação arquidiocesana se realiza sempre no terceiro domingo de outubro, reunindo romeiros de todo o estado.
Onde visitar
O endereço é o Santuário de Nossa Senhora Divina Pastora, na cidade de Divina Pastora, em Sergipe, a poucas dezenas de quilômetros de Aracaju. O nome da cidade veio da devoção, e não o contrário.
Na Espanha, o berço é Sevilha, onde a imagem foi concebida e de onde os capuchinhos a espalharam. Quem procura a raiz da devoção encontra ali o modelo que chegou ao Brasil.
Quando a Igreja celebra
A data forte é o terceiro domingo de outubro, quando acontece a peregrinação arquidiocesana, e a festa ocupa a terceira semana do mês. O dia da padroeira de Sergipe é lembrado também em 15 de outubro, data da proclamação de 2017, instituída em lei estadual.
Não é festa do calendário da Igreja inteira: é celebração local, com peso de padroado estadual.
Coisas que pouca gente sabe
Sergipe passou quase dois séculos com a devoção e sem o título oficial. A imagem chegou em 1782 e a proclamação como padroeira do estado só veio em 15 de outubro de 2017, o que fez de Sergipe o último estado brasileiro a ter padroeira reconhecida.
Outro detalhe da imagem: as ovelhas em volta dela costumam carregar uma rosa na boca, e uma delas aparece sendo salva de um lobo. Não é enfeite, é catequese em objeto, e explica por que a devoção pegou entre gente de roça.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que Divina Pastora é o nome da cidade e que a santa veio depois. É o contrário: a cidade sergipana se chama Divina Pastora por causa da imagem que os capuchinhos instalaram ali em 1782.
Também se confunde o título com Bom Pastor, que é invocação de Cristo e não de Maria. A imagem da pastora é dela; o Bom Pastor é ele, e as duas devoções se completam sem se misturar.
E há quem tome a visão de Sevilha como fato documentado. É tradição da origem capuchinha da devoção, e a página trata assim de propósito.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora Divina Pastora por quem se afastou da fé, por filho que saiu de casa e por gente perdida em vício ou em decisão errada. É a devoção de quem pede que alguém seja buscado de volta.
Em outubro, o costume sergipano é a romaria, feita a pé por muitos devotos. Quem está longe reza o terço pedindo por uma pessoa nomeada em voz alta, que é a forma mais fiel ao que a imagem representa.