Quem é Nossa Senhora de Guadalupe
A Oração de Nossa Senhora de Guadalupe é dirigida a Maria sob o título com que ela é invocada em todo o continente americano, e não apenas no México. Em 1999, São João Paulo II a reconheceu como Padroeira de toda a América e Estrela da primeira e da nova evangelização. A devoção nasceu em dezembro de 1531, na colina do Tepeyac, onde hoje é a Cidade do México, a partir do encontro dela com um indígena chamado Juan Diego, que a Igreja canonizou em 2002.
A história: quatro dias de dezembro de 1531
Em dezembro de 1531, Maria apareceu a um indígena pobre na colina do Tepeyac. Ele se chamava Juan Diego Cuauhtlatoatzin, era batizado havia pouco tempo e não tinha nenhuma importância social naquele mundo recém-conquistado. O Papa João Paulo II o descreveu, no dia em que o canonizou, como o índio simples e humilde que contemplou o rosto dócil e sereno da Virgem de Tepeyac, e ainda como homem justo, de costumes retos, leal filho da Igreja.
O pedido dela era para que fosse construído um templo naquele lugar. Juan Diego levou o recado ao bispo, Frei Juan de Zumárraga, o primeiro bispo do México, e não foi levado a sério: um índio recém-convertido dizendo que a Mãe de Deus havia falado com ele.
Foi então que veio o sinal. Nas palavras do próprio Papa, a Virgem entrega-lhe, como sinal, um ramalhete de rosas preciosas e ele, mostrando-as ao Bispo, descobre gravada no seu manto, a tilma, a imagem abençoada de Nossa Senhora. A tilma era a capa de fibra que os indígenas pobres usavam. É nela que a imagem está até hoje.
O que aconteceu depois é o que a Igreja considera mais importante nessa história. A evangelização do continente, que caminhava devagar e com desconfiança, mudou de ritmo. Nas palavras de João Paulo II, o acontecimento guadalupano significou o começo da evangelização, com uma vitalidade que ultrapassou qualquer expectativa. E o motivo é que a mensagem chegou de dentro: a Virgem falou a língua e vestiu os sinais daquele povo. O Papa chamou isso de um paradigma de evangelização perfeitamente inculturada, porque a mensagem de Cristo, por meio de Maria, assumiu os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e atribuiu-lhes o definitivo sentido de salvação.
O que existe hoje
A tilma com a imagem está na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, aos pés da colina do Tepeyac, no mesmo lugar onde tudo aconteceu. O templo antigo começou a afundar no solo instável e a imagem foi transferida, em 1974, para a Basílica nova, que fica ao lado.
Ali acontece a maior romaria mariana do mundo. Nos dias em volta de 12 de dezembro, a Cidade do México recebe milhões de peregrinos, e em 2025 as autoridades contaram mais de treze milhões de pessoas nas celebrações da festa.
Dois gestos de São João Paulo II ligaram essa devoção a nós de forma definitiva. Em 22 de janeiro de 1999, ele assinou a Exortação Apostólica Ecclesia in America, em que reconhece Maria de Guadalupe como Padroeira de toda a América e acolhe a proposta de celebrar 12 de dezembro no continente inteiro. Em 31 de julho de 2002, na própria Basílica, canonizou Juan Diego, que se tornou o primeiro santo indígena das Américas.
Onde visitar
A Basílica de Guadalupe está no norte da Cidade do México e é o destino de peregrinação mais visitado do continente. O conjunto reúne a Basílica nova, onde fica a tilma, o templo antigo ao lado, a capela no alto do Tepeyac e o caminho de subida da colina, feito a pé por quem quer rezar o trajeto.
O melhor conselho prático para um brasileiro que for: se você quer ver a devoção no auge, vá em 11 ou 12 de dezembro e conte com multidão de milhões. Se quer rezar com calma diante da imagem, escolha qualquer outro dia do ano, porque a Basílica funciona todos os dias e a fila do corredor rolante que passa embaixo da tilma é bem rápida fora da festa.
No Brasil, a devoção cresceu junto com a presença latino-americana na Igreja e existem Paróquias e capelas dedicadas a ela em várias cidades. Como 12 de dezembro é festa de todo o continente, muitas comunidades brasileiras rezam nesse dia, às vezes junto de grupos de imigrantes de países vizinhos.
Quando a Igreja a celebra
A festa de Nossa Senhora de Guadalupe é em 12 de dezembro, e no Brasil ela tem um peso que pouca gente conhece: desde 1999, por decisão de São João Paulo II na Ecclesia in America, esse dia é celebrado em todo o continente americano, com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América. Não é uma data mexicana que assistimos de fora: é a festa da Padroeira do nosso continente.
A data cai dentro do Advento, o tempo em que a Igreja espera o Natal, e a proximidade não é casual na experiência de quem reza: a imagem mostra Maria grávida, esperando o Filho, exatamente como o Advento pede que a gente espere.
Juan Diego tem festa própria, em 9 de dezembro, três dias antes dela.
Coisas que pouca gente sabe
Ela é Padroeira de toda a América desde 1999, e não apenas do México. Isso inclui o Brasil.
Juan Diego é santo canonizado, desde 31 de julho de 2002, e foi o primeiro santo indígena do continente americano.
A imagem não está numa tela nem numa parede: está na tilma, a capa de fibra que os indígenas pobres usavam, a mesma que ele abriu diante do bispo.
O sinal que convenceu o bispo foram rosas, e é assim que o próprio Papa conta a cena: um ramalhete de rosas preciosas aberto diante dele.
A imagem foi transferida em 1974 para a Basílica nova porque o templo antigo estava afundando no solo da Cidade do México.
O que vale esclarecer
O primeiro ponto é o que mais surpreende brasileiro: Guadalupe não é só do México. Desde a Ecclesia in America, de 22 de janeiro de 1999, ela é Padroeira de toda a América, e 12 de dezembro é festa do continente inteiro, com um título que diz isso na letra: Mãe e Evangelizadora da América.
O segundo é que Juan Diego não é um personagem de história antiga sem confirmação: ele é santo da Igreja Católica, canonizado por São João Paulo II em 31 de julho de 2002, dentro da Basílica de Guadalupe, e tem dia próprio no calendário, 9 de dezembro.
O terceiro é sobre o que a Igreja destaca nesta aparição. O centro não é o extraordinário do sinal, é o modo como a mensagem chegou: em língua e em sinais que aquele povo entendia. Foi por isso que João Paulo II chamou Guadalupe de paradigma de evangelização perfeitamente inculturada. Quem reza a Nossa Senhora de Guadalupe está pedindo, entre outras coisas, que a fé chegue às pessoas do jeito que elas conseguem receber.
Como e quando rezar
Esta é uma oração de quem se sente pequeno diante do que precisa enfrentar. A história começa com um homem sem título, sem estudo e sem prestígio, que foi escolhido para levar um recado a um bispo e não foi levado a sério na primeira tentativa. Quem já se sentiu ignorado, ou pequeno demais para o tamanho do problema, está rezando com a história certa.
Ela também é rezada pelas mães e pelas grávidas, porque a imagem mostra Maria esperando o Filho. Em muitos lugares, é a oração de quem pede por uma gestação, por um parto ou por um filho recém-nascido.
E é a oração dos que estão longe de casa. Guadalupe acompanha os povos indígenas, os migrantes e os que atravessam fronteiras, e é a Padroeira do continente onde essas travessias mais acontecem.
Como rezar: em 12 de dezembro, com a comunidade, ou nos nove dias antes, em novena. Em casa, diante de uma imagem, dizendo o nome do que você precisa. E se você tiver alguém da família longe, num outro país, essa é a oração para essa pessoa.