O que é a Visitação de Nossa Senhora
A Visitação é a cena em que Maria, já grávida, atravessa a região montanhosa da Judeia para visitar a prima Isabel, também grávida e já idosa. Não é uma aparição nem um título ligado a um lugar: é um episódio do Evangelho que a Igreja transformou em festa.
O detalhe que dá o tom da devoção é o motivo da viagem. Maria acaba de receber a notícia mais importante da história e a primeira coisa que faz é ir ajudar outra pessoa.
A origem, com as datas
A festa foi instituída pelo Papa Urbano VI em 1389, num tempo de divisão dentro da Igreja, justamente para pedir unidade e paz. Ela nasceu como oração por um problema concreto, e não como comemoração devocional.
Depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, a celebração passou para 31 de maio, encerrando o mês dedicado a Maria. A posição no calendário virou catequese: o mês de Maria termina com ela indo servir, e não com ela sendo homenageada.
O que existe hoje
A festa está no calendário da Igreja inteira, o que a distingue dos títulos marianos locais. As leituras do dia trazem o encontro das duas mulheres e o Magnificat, e em muitas comunidades é o dia do encerramento das novenas de maio.
Em Ein Karem, os franciscanos celebram a Missa solene em 31 de maio, no santuário construído sobre o lugar que a tradição aponta como a casa de Isabel.
Onde visitar
O endereço é a Basílica da Visitação, em Ein Karem, aldeia na encosta ocidental de Jerusalém. Na entrada do santuário, o Magnificat está reproduzido em várias línguas, em painéis, para que cada peregrino leia o cântico no próprio idioma.
O lugar era mantido por monges armênios no século XIV e foi adquirido pelos franciscanos em 1679. Quem visita a Terra Santa costuma juntar Ein Karem a Belém, porque as duas cenas são do mesmo capítulo do Evangelho.
Quando a Igreja celebra
A data é 31 de maio, festa da Visitação de Nossa Senhora, e vale para a Igreja inteira. Antes da reforma litúrgica, a celebração ficava em 2 de julho, depois da festa de São João Batista.
A mudança tem lógica: colocando a Visitação em 31 de maio, ela passa a ficar entre a Anunciação, em 25 de março, e o nascimento de João Batista, em 24 de junho, respeitando a ordem dos acontecimentos.
Coisas que pouca gente sabe
A festa nasceu de um pedido de unidade. Urbano VI a instituiu em 1389 durante uma divisão interna grave, esperando que a intercessão de Maria trouxesse concórdia. Poucas festas marianas têm origem tão política e tão prática.
Outro detalhe: o Magnificat é o texto mais longo que o Evangelho põe na boca de Maria. Fora dele, as falas dela nos quatro Evangelhos são poucas e curtas, o que faz do cântico o retrato mais completo do que ela pensava.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde a Visitação com a Anunciação. São cenas seguidas e distintas: na Anunciação o anjo fala com Maria, em 25 de março; na Visitação ela viaja até Isabel, e a festa é em 31 de maio.
Também se confunde a Visitação com a Apresentação de Maria no Templo, celebrada em 21 de novembro, que é outro episódio e outra festa.
E há quem imagine o Magnificat como um cântico doce e apenas gentil. O texto diz que Deus derruba do trono os poderosos e eleva os humildes, despede os ricos de mãos vazias e enche de bens os que têm fome. É um cântico de reviravolta.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora da Visitação pedindo disposição para servir sem medir vantagem, e também por gestação, por parto e por quem cuida de alguém idoso. É a festa das duas gravidezes improváveis.
O modo mais próprio é rezar o Magnificat, que faz parte das Vésperas da Igreja todos os dias. Em 31 de maio, muitas famílias rezam o segundo mistério gozoso do terço, que é exatamente esta cena, e visitam alguém que está sozinho.