Quem é Nossa Senhora de La Salette
La Salette é uma aldeia nos Alpes franceses, no departamento de Isère.
Em 19 de setembro de 1846, nas pastagens acima dela, duas crianças que cuidavam de rebanho disseram ter visto uma Senhora toda em luz, vestida como camponesa, chorando.
Ela lhes falou de conversão e de reconciliação, e pediu que a mensagem chegasse a todo o seu povo.
Da aparição nasceram os Missionários Saletinos, congregação que existe até hoje e que trouxe a devoção para o Brasil, onde há santuários e Paróquias com esse nome.
O título dela é Reconciliadora dos pecadores, e a festa é em 19 de setembro.
A oração de Nossa Senhora de La Salette
O texto rezado a ela é este:
Lembrai-vos, ó Nossa Senhora de La Salette, das lágrimas que derramastes por nós, no Calvário. Lembrai-vos também dos cuidados que, sem cessar, tendes por vosso povo, a fim de que, em nome de Cristo, se deixe reconciliar com Deus. E vede se, depois de tanto terdes feito por vossos filhos, podeis agora abandoná-los. Reconfortados por vossa ternura, ó Mãe, eis-nos aqui, suplicantes, apesar de nossa infidelidade e ingratidão. Não rejeiteis nossa oração, ó Virgem Reconciliadora, mas volvei nosso coração para vosso Filho. Alcançai-nos a graça de amar Jesus acima de tudo, e de vos consolar por uma vida de doação, para a glória de Deus e o amor de nossos irmãos. Nossa Senhora de La Salette, Reconciliadora dos pecadores, rogai sem cessar por nós que recorremos a vós. Amém.
A postura em que ela foi vista
Este é o detalhe que separa La Salette de tudo o mais, e ele está na descrição que as crianças deram.
Elas não contaram ter visto uma figura majestosa, de pé, com as mãos abertas.
Contaram que a viram sentada numa pedra, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto enterrado nas mãos.
É a posição de quem chora de tristeza. Qualquer pessoa reconhece essa postura, porque já a viu numa cozinha, num corredor de hospital, numa sala de espera.
Só depois ela se levantou e falou.
Vale pensar no que isso comunica antes de qualquer palavra ser dita. Duas crianças pobres chegaram e encontraram a Mãe de Deus na posição em que uma mãe fica quando o filho se perdeu.
As duas crianças que se conheciam havia dois dias
Os dois pastores eram Maximin Giraud, de onze anos, e Mélanie Calvat, de quinze.
Há um detalhe sobre eles que costuma passar batido e que pesa muito: eles se conheciam havia apenas dois dias.
Não eram irmãos, não eram amigos de infância, não tinham história em comum. Tinham sido postos a trabalhar no mesmo lugar quarenta e oito horas antes, e foram interrogados separadamente, muitas vezes, por gente treinada para encontrar contradição.
Contaram a mesma coisa.
Cada um deles recebeu ainda um segredo, que não deviam revelar. O de Maximin foi curto. O de Mélanie levou quase vinte minutos. Os dois foram escritos e entregues ao Papa Pio IX, em 1851.
Os cinco anos que a Igreja levou para reconhecer
Aqui vale prestar atenção no ritmo, porque ele diz muito sobre como a Igreja trata esse tipo de acontecimento.
A aparição foi em setembro de 1846. O reconhecimento veio em setembro de 1851.
Foram cinco anos de exame: interrogatórios, comissões formadas para estudar o caso, gente enviada à aldeia para conhecer a vida daquelas duas crianças, análise do que diziam e do que não diziam.
Só depois disso o bispo de Grenoble, dom Philibert de Bruillard, declarou a autenticidade e liberou a devoção pública.
Cinco anos parecem muito para quem está esperando uma resposta, mas é exatamente esse tempo que dá valor ao que foi aprovado. A Igreja não tem pressa de dizer sim, e é isso que faz o sim dela significar alguma coisa.
A oração que se oferece para consolar
Agora leia de novo um trecho da oração, prestando atenção na direção do pedido:
Alcançai-nos a graça de amar Jesus acima de tudo, e de vos consolar por uma vida de doação.
Quem reza não está pedindo consolo. Está pedindo a graça de consolar.
Isso é raro. A maior parte das orações marianas pede amparo, proteção, socorro, e está certo que peça. Aqui, quem reza olha para uma Mãe que foi vista chorando e se oferece para enxugar aquele choro, não com palavras, mas com uma vida de doação.
É a resposta exata ao que a aparição mostrou. Ela apareceu chorando, e a oração se propõe a consolá-la.
A outra ponta está na primeira linha do texto, que lembra as lágrimas derramadas no Calvário: as lágrimas da montanha e as lágrimas da cruz são apresentadas como as mesmas lágrimas.
Quando se reza a Nossa Senhora de La Salette
Reza-se em 19 de setembro, dia da aparição e também do reconhecimento.
Reza-se pela reconciliação dentro de casa, entre pessoas que pararam de se falar, que é o pedido central desta devoção.
Reza-se por quem está afastado da fé, sobretudo pelos filhos e netos de quem reza.
Reza-se antes de uma conversa difícil, daquelas em que é preciso pedir perdão ou aceitar um pedido de perdão.
E reza-se em dia de tristeza, diante de uma Senhora que foi vista exatamente assim.