Quem é Nossa Senhora da Oliveira
Nossa Senhora da Oliveira é o título sob o qual Maria é venerada em Guimarães, cidade do norte de Portugal onde nasceu o país. O nome não é simbólico nem antigo por acaso: ele vem de uma árvore, e de um episódio que a cidade guarda como parte da própria identidade.
Antes desse nome, a invocação do lugar era outra: Nossa Senhora da Vitória. A mudança de nome é o coração da história.
A origem, com as datas
A Colegiada de Guimarães tem origem no mosteiro criado pela condessa Mumadona Dias, na primeira metade do século X. Em 1387, cumprindo um voto feito antes da Batalha de Aljubarrota, o rei D. João I remodelou por completo o antigo conjunto monástico e mandou construir o novo templo, obra entregue ao mestre João Garcia de Toledo, em modelos góticos.
A tradição da oliveira é anterior. Segundo o relato, uma oliveira plantada na praça principal da cidade acabou secando. Em 1342 foi colocada ao lado dela uma cruz, oferecida por Pero Esteves, mercador de Guimarães, e três dias depois a árvore brotou de novo. Os habitantes atribuíram o fato à intercessão de Nossa Senhora da Vitória, que passou então a ser chamada Nossa Senhora da Oliveira.
O que existe hoje
A Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira continua no centro histórico de Guimarães, que é reconhecido como Patrimônio Mundial. Ao lado dela está o Largo da Oliveira, um dos lugares mais fotografados de Portugal.
No largo fica o Padrão do Salado, erguido em 1340 por iniciativa do rei Afonso IV para celebrar a vitória na Batalha do Rio Salado, do mesmo ano. O padrão guarda no centro uma cruz, com Cristo crucificado de um lado e Nossa Senhora do outro, e é a mesma cruz que a tradição liga ao episódio da oliveira.
Onde visitar
O endereço é o Largo da Oliveira, no centro histórico de Guimarães, no distrito de Braga. Num mesmo largo estão a Colegiada, o padrão e a memória da árvore, o que faz da visita uma aula de história portuguesa em poucos metros.
No Brasil, o título aparece em comunidades e paróquias, sobretudo em regiões de colonização portuguesa, e é comum encontrar a variante no plural, Nossa Senhora das Oliveiras.
Quando a Igreja celebra
Em Guimarães, a devoção é celebrada nas festas da cidade, em agosto, conhecidas como as Festas Nicolinas e Gualterianas no calendário local, com a Colegiada no centro das celebrações religiosas.
No Brasil, cada comunidade dedicada ao título mantém a própria data e a própria novena, e não há festa própria no calendário da Igreja inteira.
Coisas que pouca gente sabe
A devoção mudou de nome por causa de uma árvore. Era Nossa Senhora da Vitória, ligada a uma batalha, e passou a ser Nossa Senhora da Oliveira depois do episódio de 1342. É raro um título mariano registrar a própria troca de nome com data.
Outro detalhe da tradição: conta-se que a oliveira original teria vindo do Horto das Oliveiras, em Jerusalém, trazida em tempos antigos e plantada primeiro em outro lugar da região. É lenda transmitida na cidade, e vale lê-la como tal.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde Nossa Senhora da Oliveira com Nossa Senhora do Monte do Carmo ou com devoções ligadas a outras árvores e montes. Aqui a ligação é com uma oliveira específica, na praça de Guimarães, e com um episódio datado em 1342.
Também se confunde a Colegiada de Guimarães com o castelo da cidade e com o Paço dos Duques, que ficam próximos e são monumentos civis, e não o templo da devoção.
E há quem tome o reverdecer da árvore como fato registrado em documento da época. É tradição da cidade, e a página trata assim.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora da Oliveira pedindo recomeço onde tudo pareceu secar: casamento gasto, vocação esfriada, saúde que não volta, projeto que morreu. A imagem da árvore seca que brota é a chave dessa oração.
Um modo simples é rezar diante de um crucifixo, lembrando que na tradição foi a cruz posta ao lado que fez a árvore reverdecer, e pedir por uma situação nomeada em voz alta. O terço rezado em família fecha bem a devoção.