Quem é Nossa Senhora da Luz
Nossa Senhora da Luz é um título mariano antigo, de origem portuguesa, que vem de meados do século XV.
A ideia por trás dele é simples: é aquela que ilumina o caminho.
No Brasil, este título tem um lugar de destaque: com o acréscimo dos Pinhais, ele é o da padroeira de Curitiba, e a data dela, 8 de setembro, é feriado na cidade.
A oração de Nossa Senhora da Luz
O texto rezado a ela é este:
Gloriosa Senhora da Luz dos Pinhais, aurora fecunda e benfazeja do grande Sol divino que iluminou a pobre humanidade envolta nas trevas do pecado, sede a estrela fulgurante que nos guie os passos nos caminhos da perfeição e do bem. Viestes várias vezes à terra trazer aos vossos filhos aflitos doce mensagem de paz e de amor. Fazei que, aos clarões da vossa bondade, eu robusteça a minha fé e afervore o meu coração, necessitado da graça de Deus. Abençoai as nossas famílias, para que elas sejam santuários de virtudes cristãs e células vivas do Corpo Místico de Cristo. Renovai os costumes da sociedade, para que nela reinem a pureza, a ordem e a concórdia fraternal. Iluminai as nossas autoridades, para que conduzam os destinos do Estado com sabedoria, justiça e espírito cristão. Virgem Mãe, Senhora da Luz dos Pinhais, sublime padroeira de Curitiba e da Arquidiocese, abençoai os vossos filhos devotos que esperam a luz da vossa proteção, e pelos méritos infinitos de vosso Divino Filho, alcançar um dia a eterna posse do Céu. Amém.
De onde vem o nome Luz
O título nasceu de uma festa do calendário, e saber qual muda o entendimento dele.
Quarenta dias depois do Natal, a Igreja celebra a apresentação do Menino no Templo, em 2 de fevereiro. É o dia em que Maria e José levam o filho recém-nascido para cumprir o que a Lei mandava.
Naquele episódio, o velho Simeão toma o menino nos braços e diz que ali está a luz para iluminar as nações, conforme se lê em Lucas 2,32.
Ou seja: a palavra luz, naquela cena, não se refere a Maria. Refere-se ao filho que ela está carregando.
E é dessa festa que sai o título dela. Nossa Senhora da Luz é a que apresenta a Luz, a que leva no colo aquilo que ilumina.
Por isso, nas imagens antigas, ela quase nunca aparece sozinha: aparece com o menino nos braços ou apontando para ele.
A aurora, e não o Sol
A oração rezada a ela deixa isso ainda mais claro, e logo na primeira linha.
Ela chama Maria de aurora fecunda e benfazeja do grande Sol divino.
Repare no que essa imagem faz. Aurora não é o sol: é a claridade que aparece antes dele e avisa que ele vem. Quem vê a aurora sabe que o dia está chegando, mas ainda não é o dia.
A oração, portanto, não confunde as duas coisas. Diz que ela é a aurora e que Cristo é o Sol.
Num título que fala de luz, esse cuidado importa, e ele veio no texto rezado, sem que ninguém precise explicar depois.
A padroeira de Curitiba
No fim do século XVII, exploradores paulistas chegaram aos campos de Curitiba, região de mata de pinheiro, cheia de pinhão. Daí vem o acréscimo ao título: dos Pinhais.
Levavam consigo uma pequena imagem da Virgem.
A devoção pegou, a vila cresceu em volta dela e o título ficou ligado à cidade para sempre. A Catedral Basílica Menor de Curitiba, na Praça Tiradentes, é dedicada a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.
A data dela é 8 de setembro. É feriado municipal desde 1967, por decisão da Câmara da cidade, e em 1995 a Santa Sé reconheceu oficialmente o padroado sobre o município.
O cacique que marcou o centro da cidade
Aqui está a parte da história que quase ninguém de fora conhece, e ela é das mais brasileiras que existem.
A tradição da cidade conta que a imagem da Virgem amanhecia sempre voltada para o mesmo lado, na direção dos campos onde viviam os indígenas, como se indicasse onde a vila deveria ser levantada.
Os pioneiros então procuraram o cacique Tindiquera para consultá-lo sobre o lugar.
Ele os levou até certo ponto e fincou ali uma vara no chão.
Daquela vara, conta a tradição, brotou uma árvore.
Aquele ponto virou o centro da vila, e é hoje o marco-zero de Curitiba, no mesmo lugar onde está a Catedral.
Vale reparar no que essa história guarda: a capital do Paraná conta a própria fundação como uma decisão tomada a partir de uma imagem de Maria e da palavra de um cacique, no mesmo episódio.
Quando se reza a Nossa Senhora da Luz
Reza-se em 8 de setembro, o dia dela, que em Curitiba é feriado, com missa e procissão saindo da Catedral.
Reza-se pela cidade e por quem a governa, o que a própria oração pede em voz alta ao falar das autoridades.
Reza-se pelas famílias, que é o segundo pedido do texto.
Reza-se quando falta clareza para decidir, que é o uso mais comum deste título: pedir luz não é pedir que o problema suma, é pedir para enxergar o caminho.
E reza-se de manhã cedo, na hora que a própria oração descreve, quando ainda é aurora e o dia não chegou.