Quem é Nossa Senhora da Apresentação
Nossa Senhora da Apresentação é a padroeira da cidade de Natal e de toda a província eclesiástica dela, que reúne a Arquidiocese de Natal e as Dioceses de Mossoró e de Caicó.
O título vem de uma festa antiga do calendário, celebrada em 21 de novembro: a apresentação de Maria no Templo, lembrada no Oriente desde o século VI e no Ocidente desde o século XIV.
Mas a história dela em Natal começa numa data específica, e é dessa data que vem o nome.
A oração de Nossa Senhora da Apresentação
O texto rezado a ela é este:
Santíssima Virgem Maria, Mãe querida e Padroeira nossa, Nossa Senhora da Apresentação, nós te suplicamos cheios de confiança: abre nosso coração ao acolhimento e à vivência da Palavra de Deus, a fim de anunciá-la também a todos os irmãos, pois é para evangelizar que a Igreja vive no mundo. Faze que a Eucaristia de todos os dias seja o centro de nossa fé e de nossa vida, e a fonte inesgotável de nossa atividade pastoral. Mostra teu amor de Mãe aos pobres de nossa Cidade, aos que sofrem em nosso meio e a quantos buscam libertar-se de tudo que escraviza e ameaça a vida humana. Ajuda-nos a construir em nossa terra uma sociedade justa, fraterna e solidária, como requer o empenho missionário de uma nova evangelização. Abençoa e protege constantemente o povo de nossa Arquidiocese e a Cidade do Natal, de quem és Mãe e Padroeira, para a glória de Deus, nosso Pai, por Jesus Cristo, nosso Irmão e Salvador, na força e na comunhão do Espírito Santo. Amém.
O nome que veio da data, e não da imagem
Aqui está o detalhe que faz esta devoção diferente de todas as outras da base.
Quando a imagem chegou a Natal, ela foi identificada como sendo de outro título mariano, o do Rosário.
Só que ela chegou no dia 21 de novembro.
E 21 de novembro, no calendário da Igreja, é o dia da Apresentação de Maria no Templo.
Então trocaram o nome. A imagem passou a ser chamada de Nossa Senhora da Apresentação, e é assim que ela é conhecida até hoje, com esse título e não com o que a escultura originalmente representava.
Ou seja: o nome da padroeira de uma capital brasileira não veio do que a imagem mostrava, veio do dia em que ela apareceu.
Foi a data que batizou a santa.
A caixa que o rio trouxe
A história, contada pela própria Arquidiocese, é esta.
Em 21 de novembro de 1753, pescadores encontraram, encalhado numa pedra da margem direita do Rio Potengi, junto à Igreja do Rosário, um caixote.
Dentro dele estava a imagem.
Havia também uma inscrição no caixote, com estas palavras: no ponto onde der este caixão não haverá nenhum perigo.
O vigário da época, padre Manoel Correia Gomes Pressurroso, levou a imagem para a Matriz.
O lugar onde o caixote encalhou é conhecido até hoje como Pedra do Rosário, e continua sendo ponto de celebração na festa da padroeira.
Duzentos anos depois daquilo, em 1953, o Papa Pio XII autorizou a coroação canônica da imagem, feita solenemente em 21 de novembro daquele ano, no bicentenário exato da chegada.
O que a oração pede, e é incomum
Vale ler a oração de novo prestando atenção no que ela não faz.
Ela não pede proteção contra perigo, apesar de a história da imagem trazer justamente uma frase sobre perigo escrita numa tábua.
O que ela pede é outra coisa, e em quatro blocos.
Pede abertura para acolher e anunciar a Palavra, dizendo por quê: porque é para evangelizar que a Igreja vive no mundo.
Pede que a Eucaristia diária seja o centro da fé e a fonte da ação pastoral.
Pede amor de mãe aos pobres da cidade, aos que sofrem e a quem busca libertar-se do que escraviza.
E pede ajuda para construir uma sociedade justa, fraterna e solidária.
É uma oração de padroeira que fala mais em trabalho do que em pedido, e nomeia a cidade inteira, não quem reza.
A festa de onze dias
A celebração da padroeira em Natal não é de um dia só.
Ela começa em 11 de novembro e vai até o dia 21, com celebrações na Matriz, na Catedral e na Pedra do Rosário, o lugar onde tudo começou.
São onze dias, e o último é o dia da festa.
Quando se reza a Nossa Senhora da Apresentação
Reza-se em 21 de novembro, o dia dela, e ao longo dos onze dias de festa.
Reza-se pela cidade de Natal e pelo Rio Grande do Norte, de quem ela é padroeira.
Reza-se por quem trabalha na evangelização e na pastoral, que é o pedido central do texto.
Reza-se pelos pobres, que a oração nomeia com todas as letras.
E reza-se por quem chega a um lugar novo sem saber o que vai encontrar, lembrando de onde essa imagem veio.