Quem é Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos
Consoladora dos Aflitos é um dos títulos de Maria na Ladainha de Loreto, aquela ladainha que se reza no fim do rosário. Em latim é Consolatrix afflictorum, e por isso o mesmo título aparece em português também como Nossa Senhora da Consolação e como Nossa Senhora Consolata.
É invocação de quem está no meio do sofrimento e precisa de alguém que fique. Consolar, nesse sentido, não é resolver: é acompanhar quem sofre.
A origem, com as datas
A tradição liga o início da devoção a uma pintura de Nossa Senhora encontrada em Terra Santa, e depois a um acontecimento na Itália: em 1014, Arduíno, marquês italiano, gravemente enfermo, teria tido uma visão em que a Virgem lhe pedia para reconstruir um templo sobre as ruínas de outro, em Turim. Segundo o relato, ele se recuperou.
Esses são relatos de tradição, e é assim que devem ser lidos. O que a história documenta com segurança é a difusão da devoção pela Ordem dos Agostinianos, em todo o mundo.
Santa Mônica, e por que os agostinianos
Aqui está a razão de a devoção ser agostiniana, e ela é comovente.
Santa Mônica, aflita com a vida desregrada do filho, recorreu à intercessão de Nossa Senhora da Consolação. Depois veio a conversão de Agostinho, que se tornou um dos maiores santos da Igreja e escolheu como protetora da ordem que fundou justamente aquela que é a Consoladora dos Aflitos.
Ou seja: o título nasceu, na prática pastoral, da oração de uma mãe por um filho perdido. É por isso que ele é o título das mães que rezam por filhos.
O que existe hoje
O santuário mais conhecido está em Turim, na Itália, onde a devoção é chamada Consolata, e recebe peregrinos de várias partes do mundo.
Da espiritualidade nascida em torno da Consolata surgiram os Missionários e as Missionárias da Consolata, congregação fundada no século XX pelo padre José Allamano, que levou o nome e a devoção a vários países, inclusive o Brasil, onde chegou em 1937.
No Brasil, um santuário em São Paulo
Em São Paulo há o Santuário Nossa Senhora Mãe dos Aflitos, no Jardim Santa Cruz, na Diocese de Santo Amaro.
A história dele começou nos anos 1960, com uma capela modesta erguida para atender uma comunidade que crescia rápido. Em 1974, pela devoção do povo, a capela foi elevada a paróquia, e em 2011 o lugar foi reconhecido como santuário diocesano.
É um caso típico de devoção que sobe de baixo: primeiro a comunidade reza, depois a estrutura reconhece.
Onde visitar
Na Itália, o endereço é o santuário da Consolata, em Turim.
No Brasil, o roteiro passa pelo Santuário Nossa Senhora Mãe dos Aflitos, em São Paulo, e pelas paróquias dos Missionários da Consolata, presentes no país desde 1937.
Quando a Igreja celebra
A festa de Nossa Senhora Consolata é em 20 de junho. O título Consoladora dos Aflitos, por ser invocação da Ladainha de Loreto, pode ser rezado em qualquer dia do ano, e as comunidades brasileiras com esse nome costumam ter festa própria.
Coisas que pouca gente sabe
O título está na Ladainha de Loreto, que muita gente reza sem prestar atenção nos nomes. Quem termina o rosário com a ladainha já chamou Maria de Consoladora dos Aflitos dezenas de vezes.
Outro dado: o nome Consolata, das congregações missionárias, é o mesmo título em italiano. Missionário da Consolata quer dizer missionário de Nossa Senhora Consoladora.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que Consoladora dos Aflitos, Nossa Senhora da Consolação e Consolata são três devoções diferentes. É o mesmo título de Maria em três formas do nome, com origem na Ladainha de Loreto.
Também se confunde essa invocação com Nossa Senhora das Dores, que é outra devoção: uma trata da dor de Maria, a outra do consolo que ela dá a quem sofre.
E há quem imagine que consolar significa fazer o sofrimento passar. Na devoção, consolar é ficar com quem sofre, o que é diferente, e costuma ser o que a pessoa aflita mais precisa.
Como e quando rezar
Reza-se a Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos no luto, na doença, na aflição por um filho, e quando não há o que fazer além de esperar. É a devoção das mães que rezam por filhos, pelo caminho de Santa Mônica.
Em 20 de junho, um modo simples é rezar a Ladainha de Loreto inteira, com atenção ao momento em que se diz Consoladora dos Aflitos, e oferecer por uma pessoa aflita que você conheça pelo nome.