Quem é Nossa Senhora Auxiliadora
A Oração de Nossa Senhora Auxiliadora é rezada por famílias, pela casa e pelos filhos, e é uma das devoções marianas mais presentes em colégio católico no Brasil. A festa dela é em 24 de maio.
Este título não nasceu de aparição. Nasceu de uma necessidade: gente em apuro pedindo socorro e chamando Maria por aquilo que ela fazia. Auxiliadora é o nome de uma função.
O que Auxiliadora quer dizer
A palavra é a tradução de uma expressão latina antiga, Auxilium Christianorum, que quer dizer Auxílio dos Cristãos.
Não é um enfeite poético. Chamar Maria de Auxiliadora é dizer que se conta com ela para uma ajuda concreta, no meio de uma dificuldade concreta. O título aparece nos registros da Igreja já no século XV: em 1476, o Papa Sisto IV deu a uma imagem antiga o nome de Nossa Senhora do Bom Auxílio.
Guardar esse sentido muda o jeito de rezar. Quem reza a Auxiliadora não está pedindo um favor distante: está chamando alguém para ajudar agora.
O que se pede na oração de Nossa Senhora Auxiliadora
A oração mais rezada no Brasil é a da protetora do lar, e ela tem uma estrutura que impressiona pela franqueza.
Quem reza escolhe Maria como Senhora e protetora daquela casa e pede que ela mostre ali o seu auxílio. Depois vem a lista, e ela é bem concreta: preservar a casa do incêndio, da inundação, do raio, das tempestades, dos ladrões, dos malfeitores, da guerra e das outras calamidades. Em seguida pede bênção e guarda para as pessoas que moram ali.
E então vem o fim, que é o melhor da oração. Depois de pedir proteção contra sete perigos concretos, ela diz qual é a graça mais importante: a de viverem sempre na amizade de Deus, evitando o pecado.
Ou seja, a própria oração corrige a expectativa de quem só quer segurança material. Ela pede o telhado e pede a alma, e diz claramente qual das duas coisas importa mais.
O Papa que voltou em 24 de maio
A data da festa vem de um episódio político, e vale conhecer.
No começo do século XIX, o Papa Pio VII foi preso por ordem de Napoleão Bonaparte e mantido longe de Roma por anos. Durante o cativeiro, prometeu que instituiria uma festa em honra de Maria se voltasse à liberdade.
Voltou a Roma em 24 de maio de 1814. E cumpriu: pouco depois, em 1816, instituiu a festa de Maria Auxílio dos Cristãos naquela data.
É por isso que 24 de maio é o dia dela. A data marca a volta de um homem que estava preso, e é justamente esse o tipo de causa que a devoção guarda: situação sem saída aparente.
Dom Bosco e a Basílica de Turim
Quem espalhou essa devoção pelo mundo foi um padre italiano que trabalhava com meninos pobres: São João Bosco.
Ele chegou ao título de Auxiliadora por volta de 1862 e, em vez de apenas rezar, construiu. Levantou em Turim uma basílica dedicada a Maria Auxiliadora, concluída em 1868, feita em grande parte com esmola de gente simples.
Dom Bosco fundou os Salesianos, e a devoção a Maria Auxiliadora entrou no coração da congregação: ela é a padroeira. Foi por esse caminho que o título chegou ao Brasil, junto com os colégios e as obras salesianas.
Ele mesmo compôs uma oração a ela, com a linguagem forte do século XIX, chamando-a defensora da Igreja e auxílio dos cristãos, e pedindo defesa nas angústias, nas lutas e na hora da morte.
Por que tantos colégios rezam a ela
Porque a devoção veio pela escola, e não pelo santuário.
O trabalho dos Salesianos sempre foi com crianças e jovens, e onde chegava uma obra salesiana chegava também Maria Auxiliadora, com festa, novena e imagem no pátio. Gerações de brasileiros conheceram esse título em sala de aula.
Daí vem a marca dessa devoção: é a Maria que se pede por filho, por estudo, por casa e por trabalho, as coisas de quem está criando alguém.
Quando se reza a Nossa Senhora Auxiliadora
Reza-se em 24 de maio, na festa, e nos nove dias da novena que a antecede.
Reza-se pela casa, e é comum que a oração da protetora do lar fique em quadro na parede ou colada na porta da cozinha, para ser rezada em família.
Reza-se pelos filhos e pelos estudos, herança da escola salesiana. E reza-se em situação que parece sem saída, lembrando de onde veio a data: um Papa preso que prometeu uma festa e voltou para cumprir a promessa.