Quem é Nossa Senhora da Assunção
Nossa Senhora da Assunção é Maria no fim da vida terrena, levada ao céu em corpo e alma.
A festa é em 15 de agosto e é uma solenidade, ou seja, o grau mais alto que uma celebração tem no calendário.
Ela não conta um episódio do Evangelho: não existe página bíblica narrando essa cena. É uma verdade que a Igreja Católica guardou por séculos na oração antes de defini-la em documento.
E a data em que ela foi definida costuma surpreender quem ouve pela primeira vez.
A oração da Assunção de Nossa Senhora
A oração da Missa deste dia é curta:
Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
O dogma é de 1950, e ele não diz se ela morreu
A definição saiu em 1º de novembro de 1950, pelo Papa Pio XII, num documento chamado Munificentissimus Deus.
Guarde o ano. Uma verdade rezada desde os primeiros séculos foi posta no papel há poucas décadas, depois da Segunda Guerra Mundial.
E agora a parte que quase ninguém repara. A fórmula diz que Maria, "terminado o curso da vida terrestre", foi elevada em corpo e alma à glória celestial.
Leia de novo a expressão escolhida: terminado o curso da vida terrestre.
Ela não diz que Maria morreu. Também não diz que ela não morreu. A pergunta continua aberta, e continua aberta de propósito: o documento define o destino dela e deixa a passagem em silêncio.
É raro um texto oficial ter tanto cuidado para não responder uma pergunta.
Assunta quer dizer levada, não subida
A palavra vem do latim assumere, que quer dizer tomar, pegar, levar consigo.
Repare no formato do verbo: ela foi assunta. É voz passiva.
Não é uma coisa que ela faz, é uma coisa que fazem com ela. Maria não vai por conta própria: ela é levada.
A gramática, aqui, está dizendo teologia. Toda a devoção está guardada nessa diferença entre agir e receber.
No Oriente, a festa tem outro nome
As comunidades cristãs do Oriente celebram o mesmo dia com um nome diferente: Dormição.
Vem do grego koimesis, que é o adormecer.
O nome oriental resolve por outro caminho a mesma delicadeza: em vez de discutir se houve morte, chama aquilo de sono.
Duas tradições, dois vocabulários e o mesmo cuidado com a mesma cena.
Quem escolheu o dia 15 de agosto
A data é anterior ao dogma em mais de mil anos.
As celebrações da Dormição aparecem no Oriente a partir do século VI, e a fixação em 15 de agosto se atribui ao imperador Maurício, que governou entre 582 e 602.
Ou seja: a data vem de uma decisão do século VI, e a definição escrita veio no século XX. São mil e trezentos anos de distância entre celebrar e definir.
Isso diz uma coisa sobre como a fé católica funciona: primeiro o povo reza, depois a Igreja escreve.
A oração pede uma coisa para quem reza
Volte à oração da Missa e repare no que ela pede.
Ela não pede nada para Maria. Maria já chegou.
O pedido é "dai-nos viver atentos às coisas do alto". É um pedido para quem está rezando, e sobre a vida de agora.
A festa de quem foi elevada termina pedindo que a gente viva de olho para cima enquanto ainda está aqui.
Quando se reza a Nossa Senhora da Assunção
Reza-se em 15 de agosto, dia da solenidade.
Reza-se nas paróquias e cidades que têm Nossa Senhora da Assunção como padroeira, e são muitas no Brasil e em Portugal.
Reza-se diante da morte de alguém querido, porque é uma festa que fala de corpo e de destino, e não só de alma.
E reza-se quando o de agora aperta demais, que é exatamente o que a oração pede: viver atento às coisas do alto.