O que é a devoção a Jesus adolescente
A devoção olha para um momento específico e curtíssimo do Evangelho: Jesus com 12 anos, no Templo de Jerusalém.
É o único episódio narrado entre o nascimento e o começo da vida pública, aos 30 anos. Entre essas duas pontas há dezoito anos de silêncio, e essa cena é a única janela que existe.
O que o Evangelho conta
Lucas conta que a família subia a Jerusalém todos os anos para a festa da Páscoa. Quando Jesus tinha 12 anos, terminada a festa, José e Maria voltaram com a caravana e ele ficou.
Levaram um dia para notar a falta, porque as caravanas eram grandes e as crianças andavam entre parentes. Voltaram e o procuraram por três dias, até encontrá-lo no Templo, sentado entre os doutores da Lei, ouvindo e fazendo perguntas.
Maria pergunta por que ele fez aquilo. A resposta dele é a primeira frase de Jesus registrada no Evangelho: era preciso que ele estivesse na casa do Pai dele. Depois desceu com os pais para Nazaré e era obediente a eles.
O quinto mistério gozoso
Quem reza o Rosário passa por essa cena toda semana: ela é o quinto mistério gozoso, logo depois da apresentação do Menino no Templo.
Isso significa que a devoção a Jesus adolescente não é invenção nova. Ela está dentro da oração mais rezada do catolicismo popular, e muita gente reza esse mistério sem parar para pensar de que cena se trata.
O que a Igreja ensina com isso
O texto termina dizendo que Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça. É uma frase que a Igreja usa há séculos para dizer uma coisa simples: ele foi criança e adolescente de verdade, e não um adulto em corpo pequeno.
Para uma família com filho adolescente em casa, é o trecho mais próximo do Evangelho: os pais não entenderam, ficaram angustiados, procuraram, cobraram explicação e ouviram uma resposta que não esperavam.
A devoção no Brasil
Existe uma imagem antiga e rara de Jesus aos 12 anos na Paróquia Bom Jesus, em Bom Jesus do Amparo, em Minas Gerais.
A imagem foi trazida de Portugal no século 18 pela família Motta Ribeiro, que se estabeleceu na região e construiu a primeira capela. A matriz atual foi construída em 1841. É um dos pouquíssimos lugares no Brasil em que a devoção tem imagem própria, e não apenas o mistério do Rosário.
Onde visitar
Em Minas Gerais, Bom Jesus do Amparo, na região central do estado, guarda a imagem antiga de Jesus aos 12 anos.
Em Jerusalém, o lugar da cena é a esplanada do Templo, e o roteiro tradicional dos peregrinos passa por ali. Em Nazaré, onde a família voltou a viver, está a Basílica da Anunciação.
Quando a Igreja celebra
Não existe festa própria para esse episódio. Ele é celebrado dentro da festa da Sagrada Família, no domingo depois do Natal, e rezado no quinto mistério gozoso do Rosário.
Muitas paróquias aproveitam a festa da Sagrada Família para rezar pelos adolescentes da comunidade, e é o encaixe natural dessa devoção no ano.
Coisas que pouca gente sabe
A frase que Jesus diz no Templo é a primeira palavra dele registrada em todo o Evangelho. Antes disso, ele aparece, mas não fala.
Os três dias de procura chamaram a atenção dos Padres da Igreja desde cedo, pela semelhança com os três dias entre a morte e a ressurreição. É leitura tradicional, e vale conhecê-la como tal.
E o detalhe de logística explica a angústia: as famílias viajavam em caravana, e um menino de 12 anos podia estar com tios, primos ou vizinhos. Perder um filho de vista ali era mais fácil do que parece hoje.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que o Evangelho conta a infância e a juventude de Jesus. Não conta: são dois capítulos sobre o nascimento, esta cena aos 12 anos, e nada mais até os 30.
Existem textos antigos que narram milagres do menino Jesus, chamados apócrifos, que a Igreja não recebeu como Evangelho. Quando alguém conta uma história da infância de Jesus que não está em Lucas, vem de lá.
Como e quando rezar
Reza-se a Jesus adolescente pelos filhos adolescentes, e é uma das orações mais pedidas por pais em fase de conflito em casa.
Serve também para pedir por estudantes, por quem está descobrindo vocação e por quem perdeu um filho de vista, no sentido literal ou no sentido de já não saber quem ele virou.