Quem é São Vicente Ferrer
São Vicente Ferrer nasceu em Valência, na Espanha, em 1350, e entrou na Ordem dos Pregadores aos dezessete anos.
Passou a vida pregando, andando de cidade em cidade pela Europa, e ficou conhecido como o maior pregador do seu tempo.
Morreu em 5 de abril de 1419, em Vannes, na França, aos sessenta e nove anos. A festa dele é nesse dia.
Mas a decisão mais difícil da vida dele não teve nada a ver com pregar.
A oração de São Vicente Ferrer
Esta é a oração rezada a ele:
Glorioso pai São Vicente, digníssimo filho de São Domingos, destinado por Deus a serdes pregador das nações! Vós merecestes que vossa alma fosse adornada com todas as virtudes e dons do Espírito Santo, para que, com vossa doutrina e exemplo, convertêsseis os pecadores à verdadeira penitência e atraísseis os infiéis à fé de Jesus Cristo: humildemente vos peço que intercedais, por vossos poderosos méritos, junto ao nosso Deus e Senhor, para que, afastando de mim tudo o que lhe desagrada, me conceda a graça de imitar vossas virtudes e com elas me empenhar no seu santo serviço até o último momento da minha vida. Amém.
Ele abandonou o próprio lado
Vicente viveu numa época em que a Igreja Católica estava rachada ao meio.
Havia mais de um homem reivindicando ser o papa, cada um com sua corte, seus cardeais e seus países apoiadores. A divisão durou quase quarenta anos.
Vicente escolheu um dos lados. E não escolheu de longe: virou conselheiro e confessor daquele que residia em Avignon, um conterrâneo seu. Defendeu essa posição durante anos, com o peso que a palavra dele tinha.
Aí, em 1416, ele mudou.
Não porque descobriu um documento novo, e não porque foi convencido pelo lado contrário. Mudou porque se convenceu de uma coisa: aquele a quem servia não estava disposto a abrir mão do cargo para que a Igreja voltasse a ser uma.
Então Vicente retirou o apoio.
E passou a pregar pela reconciliação, o que ajudou a encerrar a divisão pouco depois.
Por que essa decisão é grande
Repare no tipo de coragem que isso exige.
Não é a coragem de enfrentar o adversário, que é a mais fácil e a mais elogiada. É a de contrariar o próprio grupo, depois de anos defendendo publicamente aquela posição.
Ele tinha construído a autoridade dele em cima daquele apoio. Retirar significava dar razão, em parte, a quem ele havia combatido, e admitir na frente de todos que a coisa não era como ele defendia.
Fez isso aos sessenta e seis anos, perto do fim da vida.
Quem muda de posição por conveniência muda para o lado mais forte. Ele mudou para o lado que resolvia o problema, e isso é diferente.
Não confunda com os outros dois Vicentes
Aqui vale um aviso, porque a confusão é frequente e atrapalha quem procura a oração certa.
Existem três santos muito conhecidos com esse nome, e são três pessoas diferentes:
São Vicente Ferrer é este, o dominicano espanhol do século XIV, pregador, festa em 5 de abril.
São Vicente de Paulo é outro: francês, do século XVII, ligado ao serviço aos pobres, e é dele que vêm as conferências vicentinas.
E São Vicente de Saragoça, ou Vicente Diácono, é um mártir dos primeiros séculos.
Se você chegou aqui procurando o das obras de caridade, é o segundo.
O pregador das nações
A oração chama Vicente de pregador das nações, e o título vem do alcance do trabalho dele.
Ele não pregava em templo cheio para quem já estava convertido. Pregava em praça, em cidade estranha, para multidões, num tempo sem microfone, sem cadeira e sem qualquer conforto.
Isso explica por que a oração dele fala de doutrina e exemplo juntos: quem prega andando não sustenta um discurso diferente da própria vida por muito tempo.
Quando se reza a São Vicente Ferrer
Reza-se em 5 de abril, dia da festa.
Reza-se por quem prega, ensina ou fala em público, que é o ofício dele.
Reza-se em briga de família, de comunidade ou de trabalho em que os dois lados já não se escutam.
E reza-se quando é preciso mudar de posição e a pessoa tem medo do que vão dizer, porque foi exatamente isso que ele fez.