Quem foi São Vicente de Paulo
Vicente nasceu em Pouy, na França, em 24 de abril de 1581, filho de camponeses, e morreu em Paris, em 27 de setembro de 1660, aos setenta e nove anos. É nesse dia que a Igreja o celebra.
Ele é o padroeiro de todas as obras de caridade da Igreja, título que recebeu do Papa Leão XIII no fim do século XIX.
E é dele que vem o nome que qualquer brasileiro já ouviu na porta da paróquia: vicentino.
A oração a São Vicente de Paulo
O texto mais rezado é este:
Ó glorioso São Vicente, celeste padroeiro de todas as associações de caridade e pai de todos os infelizes, que, enquanto vivestes sobre a terra, nunca faltastes àqueles que se valeram de vossa proteção: vede a multidão dos males de que estamos oprimidos e correi em nosso auxílio. Alcançai do Senhor socorro para os pobres, alívio para os enfermos, consolação para os aflitos, proteção para os desamparados, caridade para os ricos, conversão para os pecadores, zelo para os sacerdotes, paz para a Igreja, tranquilidade para os povos e para todos a salvação.
Repare na lista de pedidos. Ela é longa e cobre a sociedade inteira, e no meio dela aparece um item que ninguém espera: caridade para os ricos.
A oração não separa o mundo entre quem precisa e quem ajuda. Ela pede alguma coisa para cada grupo, inclusive para quem tem dinheiro, e o que pede a eles é justamente o que falta.
Ele mudou o que uma religiosa podia ser
Vicente organizou a caridade da própria época, e a obra mais transformadora dele foi feita com Santa Luísa de Marillac.
Em 1633 os dois fundaram as Filhas da Caridade, e a novidade estava na regra: elas não viveriam em clausura, separadas do mundo. Viveriam no meio dele, entrando em casa de pobre, em hospital e em orfanato, todos os dias.
Para o século XVII, isso era invenção. A vida religiosa feminina era pensada dentro de muros, e o que ele e Luísa propuseram foi outra coisa: religiosas cuja clausura era a rua.
Antes disso, em 1625, ele já havia fundado a Congregação da Missão, cujos padres ficaram conhecidos como lazaristas.
Os vicentinos não foram fundados por ele
Aqui está o dado que quase ninguém sabe, e ele muda a foto.
A Sociedade de São Vicente de Paulo, a dos vicentinos que visitam família, levam cesta e sustentam obra social em milhares de paróquias, não foi fundada por São Vicente de Paulo.
Ela nasceu em Paris, em 23 de abril de 1833, na primeira reunião de um grupo de estudantes católicos, entre eles Frederico Ozanam, que era muito jovem. Eles decidiram duas coisas simples: reunir-se toda semana e visitar os pobres na casa deles.
São Vicente de Paulo tinha morrido em 1660. Ou seja: a Sociedade que leva o nome dele apareceu cento e setenta e três anos depois, escolhida como padroeiro por um grupo de rapazes que queria fazer o que ele fazia.
É um caso raro. O nome dele não foi dado por ele, foi dado por quem veio muito tempo depois e reconheceu de quem estava copiando.
O Brasil é o maior país vicentino do mundo
A Sociedade chegou ao Brasil em 1872, e aqui aconteceu algo que não estava no plano de ninguém.
De acordo com a própria Sociedade, o Brasil é hoje o maior país vicentino do planeta, entre mais de cento e cinquenta países onde ela atua.
Isso explica uma coisa que talvez você já tenha notado sem reparar: em quase toda paróquia brasileira existe um grupo vicentino, e é geralmente ele que faz a visita a quem está doente, a entrega de alimento e o atendimento silencioso que ninguém publica.
A frase que Ozanam deixou resume o projeto: abraçar o mundo inteiro numa rede de caridade. A maior parte dessa rede está aqui.
Quando se reza a São Vicente de Paulo
Reza-se em 27 de setembro, o dia dele.
Reza-se por quem trabalha em obra social, em conferência vicentina, em pastoral e em qualquer trabalho de assistência, que é o padroado formal dele.
Reza-se antes de visitar alguém que está passando necessidade, porque foi essa a prática que ele organizou e que os vicentinos herdaram.
E reza-se pedindo aquele item estranho da oração, caridade para os ricos, quando quem reza tem mais do que precisa e desconfia disso.