Quem foi São Valentim
A Oração de São Valentim é rezada por casais, por noivos e por quem está pedindo um bom amor. Ele foi um sacerdote romano do século III, morto por celebrar casamentos que o imperador havia proibido.
A memória dele é em 14 de fevereiro, data que se tornou o Dia dos Namorados na maior parte do mundo. No Brasil, a data é outra, e a explicação está mais adiante.
O imperador que proibiu o casamento
A história de São Valentim é uma história de desobediência, e é bom começar por ela.
O imperador Cláudio II governou Roma entre 268 e 270 e baixou um decreto que proibia o casamento de homens jovens em idade militar. A lógica era fria: soldado sem mulher e sem filho luta com menos medo de morrer, porque não tem para quem voltar.
Valentim era sacerdote em Roma e continuou celebrando casamentos cristãos, escondido. Não por rebeldia contra o Estado, mas por entender que aquela união era coisa de Deus e não cabia a um governante desfazer.
Foi denunciado, preso e interrogado. As fontes contam que ele defendeu o casamento diante do próprio imperador. Foi açoitado e depois decapitado, na via Flamínia, em 14 de fevereiro do ano 269.
Guarde o motivo da morte dele: Valentim morreu por casar gente.
O que se pede na oração de São Valentim
A oração mais rezada surpreende quem espera pedido de paixão.
Ela chama Valentim de quem semeou bondade, amor e paz na terra, e pede que ele seja guia espiritual de quem reza. Depois faz dois pedidos que valem por um tratado sobre convivência: ensinar a aceitar os defeitos e as falhas do companheiro, e ajudar o companheiro a reconhecer as virtudes de quem reza.
Repare na direção dupla. Uma parte pede paciência para aguentar o outro, e a outra pede que o outro veja o que há de bom em mim. É oração de quem já está numa relação de verdade, com as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Não há pedido de conquista nem de retorno de ninguém. O que se pede é vista para o bem do outro e paciência para o resto.
Por que o Brasil comemora em 12 de junho
Esta é a dúvida mais buscada sobre ele, e a resposta não é religiosa.
No mundo, o Dia dos Namorados é em 14 de fevereiro, data da morte de Valentim. No Brasil, é em 12 de junho, e essa data nasceu de uma campanha publicitária de 1948, criada para movimentar as vendas do comércio num mês fraco.
A escolha do dia, porém, não foi aleatória. Foi posta na véspera de 13 de junho, dia de Santo Antônio, que a devoção brasileira conhece como o santo casamenteiro. Ou seja: a data comercial se encostou numa devoção que já existia e era forte.
Então há duas coisas diferentes com o mesmo nome. O Dia dos Namorados brasileiro, em 12 de junho, é data de comércio apoiada numa devoção popular. A memória de São Valentim, em 14 de fevereiro, é data da Igreja, e é o dia em que se reza a ele.
Os dois Valentins
Há um detalhe que confunde quem vai pesquisar: a Igreja registra dois mártires com esse nome, os dois do século III.
Um é o sacerdote de Roma, da história do imperador Cláudio II. O outro é Valentim de Terni, bispo, também mártir.
Alguns estudiosos consideram que os relatos podem se referir à mesma pessoa, e outros os tratam como dois. A devoção aos namorados se firmou sobre o primeiro, e é dele que fala esta página.
14 de fevereiro
A memória de São Valentim é em 14 de fevereiro, dia da morte dele.
É uma data discreta no calendário litúrgico brasileiro, justamente porque o país deslocou a celebração popular para junho. Quem quer rezar a ele na data da Igreja reza em fevereiro.
Quando se reza a São Valentim
Reza-se pelo namoro e pelo casamento, e é a oração indicada para casal que quer rezar junto e não sabe o que rezar.
Reza-se antes de uma conversa difícil com o companheiro, que é o momento em que o pedido dela cai melhor: paciência com o defeito do outro e olhos abertos para o que ele tem de bom.
Reza-se por quem quer casar e ainda não encontrou, e vale dizer com honestidade que aqui a devoção brasileira costuma recorrer também a Santo Antônio.
E reza-se por noivos, sobretudo por quem está enfrentando dificuldade para casar: foi exatamente por casar quem não podia casar que Valentim morreu.