Quem é São Tomé
São Tomé é um dos doze apóstolos, e é o mais mal falado deles.
Ficou conhecido como o incrédulo, e o apelido pegou tanto que virou expressão do dia a dia: quando alguém só acredita vendo, dizem que a pessoa é um São Tomé.
A cena que deu origem a isso está no Evangelho de João, capítulo 20.
Mas quem lê a cena inteira encontra outra coisa, e ela é o contrário do apelido.
A oração a São Tomé Apóstolo
Esta é a oração rezada a ele:
Ó Senhor, peço-Vos perdão por todas as vezes em que fui incrédulo e não permiti que Vossa mão poderosa conduzisse minha vida. Agora, meu Jesus, pelo exemplo de São Tomé Apóstolo, coloco-me aos Vossos pés e clamo com todo o meu amor e devoção: Meu Senhor e meu Deus! São Tomé, rogai por mim, agora e sempre. Amém.
A frase mais forte do Evangelho é dele
Tomé não estava presente quando os outros viram Jesus depois da ressurreição, e disse que não acreditaria enquanto não visse e tocasse.
Oito dias depois, Jesus aparece de novo, com ele presente, e o convida a fazer exatamente isso.
E aí Tomé diz a frase: "Meu Senhor e meu Deus!"
Pare aqui, porque essa frase é maior do que parece.
Em todo o Evangelho, ninguém tinha chamado Jesus de Deus com essas palavras, na cara dele. Nenhum outro apóstolo. Nenhuma multidão. Nenhum dos que nunca duvidaram.
A declaração mais direta sobre quem Jesus é sai da boca do que ficou marcado como o incrédulo.
Quem mais duvidou foi quem mais longe chegou quando parou de duvidar.
E não é a única vez que ele surpreende
Antes disso, no mesmo Evangelho, há outra cena com ele que quase ninguém lembra.
Jesus decide voltar para uma região onde já tinham tentado matá-lo, e os discípulos tentam demovê-lo. Ninguém queria ir.
Foi Tomé quem virou para os outros e disse: vamos nós também, para morrermos com ele.
Ou seja: o apóstolo que ficou marcado como o que não confia é o mesmo que, quando a viagem era perigosa, foi o único a se oferecer para morrer junto.
O apelido que ele carrega não dá conta do sujeito.
E a oração faz você repetir a frase dele
Volte à oração e repare no que ela faz com quem reza.
Ela começa pedindo perdão por ter sido incrédulo. Até aí, é sobre a pessoa.
Aí ela muda de direção: pede para clamar "com todo o meu amor e devoção" e coloca na sua boca as palavras exatas de Tomé.
Ou seja: essa oração não pede a Tomé que interceda e pronto. Ela faz a pessoa repetir a fala dele, no mesmo lugar da cena.
É um recurso raro. Você não está pedindo pelo exemplo dele: está, por um instante, ocupando o lugar dele.
A bem-aventurança que sobra para quem lê
Logo depois da frase de Tomé, Jesus responde com uma que é dirigida a outra gente.
Diz que são felizes os que não viram e acreditaram.
Repare em quem é essa gente: é todo mundo que veio depois. É quem está lendo.
O Evangelho de João coloca aí, no fim, uma bênção endereçada a quem nunca teve a chance que Tomé teve. Não é consolo: é a última palavra da cena.
Padroeiro de quem constrói e de quem não enxerga
Além de ser lembrado como o apóstolo que a tradição liga à pregação na Índia, ele é padroeiro dos arquitetos.
E é também padroeiro dos deficientes visuais, o que tem uma ironia bonita numa história inteira montada sobre ver.
Quando se reza a São Tomé Apóstolo
Reza-se em 3 de julho, dia da festa.
Reza-se em crise de fé, quando a pessoa acha que está sozinha nisso. Ele não estava.
Reza-se por quem duvida em voz alta e é tratado como problema por causa disso.
Reza-se por arquitetos, engenheiros e por quem trabalha construindo.
E reza-se quando falta prova, que é a situação exata em que a bênção do fim da cena foi dita.