Quem foi Thomas Becket
Thomas Becket, ou São Tomás de Canterbury, foi um dos personagens mais conhecidos da Idade Média inglesa. Ele começou a carreira como homem de confiança do rei Henrique II, que o nomeou chanceler em 1155, o cargo mais alto da administração do reino.
Em 1162, o mesmo rei o indicou para arcebispo de Canterbury, provavelmente esperando ter na cadeira mais importante da Igreja inglesa um aliado.
A virada
Não foi o que aconteceu. Logo depois da consagração, o novo arcebispo passou a defender com firmeza a jurisdição da Igreja sobre os próprios assuntos, o que colocou os dois em rota de colisão.
A disputa entre eles atravessou anos e envolveu exílio, negociação e reconciliação frustrada. Era o velho conflito entre poder do rei e autoridade da Igreja, e nesse caso ele terminou em sangue.
O assassinato na catedral
Em 29 de dezembro de 1170, quatro cavaleiros do rei foram a Canterbury e encontraram o arcebispo diante do altar-mor da catedral. Ali mesmo o mataram.
A tradição conta que o rei, exasperado, teria perguntado em público quem o livraria daquele clérigo, e que os cavaleiros levaram a frase ao pé da letra. O episódio chocou a cristandade inteira, justamente por ter acontecido dentro de um templo e junto ao altar.
O que veio depois
Em 1173, apenas três anos depois da morte, ele foi canonizado. O túmulo dele em Canterbury virou o mais importante centro de peregrinação da Inglaterra, e relíquias ligadas a ele foram distribuídas por templos de toda a Europa.
Essa peregrinação é o pano de fundo dos Contos da Cantuária, obra clássica da literatura inglesa, em que um grupo de peregrinos vai justamente ao túmulo dele.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 29 de dezembro, data do assassinato, dentro da oitava do Natal.
Onde visitar
O endereço é a Catedral de Canterbury, no sudeste da Inglaterra, onde ele foi morto e onde ficava o túmulo. O lugar exato do assassinato é assinalado dentro do templo e continua sendo ponto de visita e de oração.
Coisas que pouca gente sabe
Ele era o segundo homem mais poderoso do reino antes de virar arcebispo, e perdeu tudo ao mudar de lado. A canonização levou três anos, uma das mais rápidas da história. E o rei Henrique II acabou fazendo penitência pública pela morte, o que mostra o tamanho do abalo que o caso causou.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde este santo com o apóstolo São Tomé, o que duvidou da ressurreição, ou com São Tomás de Aquino, o teólogo do século XIII. São três figuras diferentes, e a confusão é comum porque o nome é o mesmo.
Também há quem trate a história como disputa pessoal entre dois amigos. O fundo do conflito era institucional: até onde ia a autoridade do rei sobre os assuntos da Igreja.
Como e quando rezar
É santo de quem enfrenta pressão de superior ou de poder político por causa da consciência, e de quem trabalha em ambiente onde dizer não custa caro. Também é rezado por quem rompeu com aliados por uma questão de princípio e paga o preço disso.