Quem foi São Tarcísio
Tarcísio era um menino de Roma, no século III, no tempo em que ser cristão podia custar a vida.
Servia ao altar. Era acólito, o que hoje chamamos de coroinha, e frequentava as catacumbas de São Calisto, onde a comunidade se reunia escondida.
Morreu em 15 de agosto de 257, ainda muito jovem.
É o padroeiro dos coroinhas e dos acólitos.
A oração de São Tarcísio
O texto rezado a ele é este:
Ó glorioso São Tarcísio, que agora no céu estais gozando o prêmio do vosso amor verdadeiro a Deus, de fidelidade e proteção constante à Santa Eucaristia. Abençoai nossas famílias e os devotos, que buscam em vós o amor e a coragem de lutar por Jesus Cristo. Quero, neste dia, seguir vossa bravura, sentindo em meu coração a Santa Eucaristia, seguindo a Jesus Cristo, amando e respeitando o serviço da sua Igreja. Livrai-me da maldade e de tudo o que pode me separar de Deus, do próximo e da salvação eterna. Concedei-me a graça que desejo alcançar. Graças e louvores se dê a cada momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.
O que ele levava escondido no peito
Naquele tempo, havia cristãos presos, e alguém precisava levar a comunhão até eles.
Era tarefa perigosa. Quem fosse pego carregando aquilo estava entregue.
Tarcísio se ofereceu, e o argumento dele foi este: por ser criança, ninguém desconfiaria. A pouca idade seria o melhor esconderijo.
Deixaram que fosse.
Ele saiu com a hóstia consagrada envolvida num pedaço de linho, apertada contra o peito, por baixo da roupa.
No caminho, cruzou com um grupo de meninos que o conhecia. Repararam que ele apertava alguma coisa e quiseram ver o que era. Ele não abriu.
Insistiram, e ele continuou não abrindo.
Foi atacado ali mesmo, na rua, por causa daquilo, e morreu.
Quando o socorreram, já era tarde. E as mãos dele continuavam fechadas sobre o peito, com o que ele estava levando ainda ali dentro.
A inscrição que um Papa mandou pôr no túmulo
Foi sepultado nas mesmas catacumbas em que servia.
E aqui está o detalhe que dá solidez a essa história e que quase nunca é contado.
Cerca de um século depois, o Papa Dâmaso mandou gravar na sepultura dele uma inscrição, registrando o nome e a data da morte.
É por isso que se sabe o dia: 15 de agosto de 257.
Não é uma lembrança que se transmitiu de boca em boca até chegar aqui. É uma data que um Papa do século IV achou importante o bastante para mandar cravar na pedra, para que ninguém esquecesse quem estava enterrado ali.
Um menino que ninguém teria motivo para lembrar ganhou epitáfio por ordem do bispo de Roma.
Por que ele é o padroeiro dos coroinhas
O padroado é o mais direto que existe nesta base: ele fazia exatamente o que eles fazem.
Servia ao altar, cuidava das coisas sagradas, ajudava no que era preciso. Era o menino da sacristia.
E a razão de ele ser lembrado não é ter feito algo espetacular: é ter levado a sério uma tarefa que lhe confiaram.
Isso é o que se diz a um coroinha de dez ou doze anos hoje, e é bom que o padroeiro dele seja alguém da mesma idade, e não um bispo ou um doutor.
O Dia do Coroinha
Por causa dele, em muitas dioceses do Brasil o dia 15 de agosto é celebrado também como Dia do Coroinha.
É o dia em que as Paróquias costumam fazer a bênção dos coroinhas, entregar vestes a quem está começando e reunir as equipes que servem ao altar.
Vale para quem coordena grupo de coroinha: existe uma data pronta, com um santo da idade deles, e ela cai sempre no mesmo dia.
Quando se reza a São Tarcísio
Reza-se em 15 de agosto, o dia dele.
Reza-se pelos coroinhas, pelos acólitos e por quem forma esses grupos nas Paróquias.
Reza-se por crianças e adolescentes que carregam responsabilidade maior do que a idade, dentro e fora da comunidade.
Reza-se por quem leva a comunhão aos doentes e aos que não podem sair de casa, tarefa que hoje é feita sem risco nenhum, mas que continua sendo a mesma.
E reza-se por quem precisa de coragem para não entregar aquilo que lhe foi confiado.