Quem foi São Peregrino
A Oração de São Peregrino é rezada por quem tem câncer e por quem acompanha alguém em tratamento. Ele é o santo a quem a Igreja associa essa doença, e a razão é a própria história dele: teve um tumor na perna, tinha data marcada para amputar, e amanheceu sem a doença.
Peregrino Laziosi nasceu em Forlì, no norte da Itália, em 1265, e morreu em 1345, com 80 anos. No Brasil, a memória dele é celebrada em 4 de maio.
O que se pede na oração de São Peregrino
Vale olhar a ordem dos pedidos, porque ela ensina a rezar nessa situação.
A oração pede, em sequência: a paz de espírito, o alívio das dores e a cura da doença. A cura vem por último. Antes dela vêm as duas coisas de que se precisa todos os dias, inclusive nos dias em que a cura não chega: paz por dentro e dor menor.
Quem já acompanhou um tratamento longo sabe por que essa ordem importa. Há dias em que pedir a cura é pesado demais, e ainda assim é possível pedir paz.
O rapaz que agrediu um santo
A história da conversão dele é boa de contar porque começa mal.
Peregrino era jovem, tinha temperamento explosivo e estava no lado que se opunha ao Papa nas disputas políticas da cidade. Quando um religioso chamado Filipe Benizi, superior da Ordem dos Servos de Maria, foi a Forlì pregar a paz, a multidão o expulsou com violência, e Peregrino, que estava ali, o agrediu.
O que aconteceu em seguida virou a vida dele: Filipe ofereceu a outra face. Não revidou, não fugiu, não gritou. Peregrino ficou de tal modo tocado por aquele gesto que mudou de lado e, depois, de vida. Entrou na mesma ordem que havia agredido, os Servitas, a família religiosa que também espalhou pelo mundo a devoção às Dores de Maria.
Trinta anos sem se sentar
Como penitência pelo que havia sido, Peregrino se impôs uma regra dura: permanecer de pé em todas as ocasiões em que as pessoas normalmente se sentam. Cumpriu isso por trinta anos.
O corpo cobrou. Vieram varizes e, com o tempo, um tumor na perna que se abriu em ferida.
É importante dizer com clareza o que a devoção guarda dessa história, porque ela pode ser mal lida. A Igreja não propõe a ninguém repetir aquela penitência, e o sofrimento dele não é o motivo da cura. O que a devoção guarda é o que veio depois, na véspera da cirurgia.
A noite antes da amputação
Os médicos examinaram a perna e decidiram amputar. Havia data marcada, e Peregrino aceitou o tratamento que a medicina do tempo dele tinha para oferecer.
Na noite anterior, ele foi rezar diante de um crucifixo. Relata-se que teve ali uma visão: Cristo descendo da cruz para tocar a perna doente. Na manhã seguinte, quando o médico chegou para operar, não encontrou a doença.
Repare no que essa cena é: a história de alguém que fez as duas coisas ao mesmo tempo. Ele aceitou o tratamento que os médicos indicaram, com data marcada, e rezou enquanto esperava a hora. Foi assim que ele passou aquela noite, e é assim que a devoção convida a rezar, ao lado do que a medicina oferece.
Ele viveu ainda muitos anos depois disso, sempre em Forlì, cuidando de doentes e de pobres. Morreu em 1º de maio de 1345, e foi canonizado em 1726 pelo Papa Bento XIII.
Por que ele é o padroeiro dos doentes de câncer
Porque ele passou por dentro dessa doença. Não é um santo escolhido por sorteio para essa causa: é alguém que conviveu com um tumor, sentiu o cheiro da ferida, ouviu de um médico que ia perder a perna e esperou a cirurgia.
Por isso a devoção a ele cresceu tanto em hospital, em sala de quimioterapia, em grupo de família. Quem reza a São Peregrino está falando com alguém que entende o assunto por experiência.
A devoção o invoca também por quem sofre de feridas que não fecham e de doenças longas de pele.
Como se reza a novena de São Peregrino
A novena são nove dias seguidos com a mesma oração e a mesma intenção, rezada por si ou por outra pessoa, dizendo o nome dela.
Muitas famílias rezam durante o tratamento inteiro, e não apenas por nove dias: um pouco a cada dia, junto do doente ou longe dele. É comum também rezar antes de um exame, na véspera de uma cirurgia e no dia de receber um resultado.
Não há fórmula obrigatória. A devoção pede constância, não quantidade.
Quando se reza a São Peregrino
Reza-se no dia do diagnóstico, que é quando quase todo mundo procura essa oração pela primeira vez.
Reza-se durante o tratamento, pelos efeitos, pelo cansaço, pelo medo que aparece de noite. Reza-se por quem cuida, que costuma esquecer de rezar por si. E reza-se em 4 de maio, na memória dele.
E reza-se também em agradecimento, o que muita gente deixa de fazer: pelo exame que veio bom, pela alta, pelo dia em que a dor foi menor que na véspera.