Quem é São Justino
São Justino é o santo que provou, por escrito, que a Missa é antiga. Ele era filósofo leigo, não sacerdote, e o Papa Bento XVI o chamou o mais importante dos Padres apologistas do século II.
Nasceu em Flávia Neápolis, cidade de língua grega na Judeia, no Império Romano, atual Nablus. Procurou a verdade nas escolas filosóficas do tempo dele e terminou cristão, sem deixar de ser filósofo.
A descrição mais antiga da Missa
Aqui está o motivo pelo qual ele importa para qualquer católico, e não só para estudiosos.
Por volta do ano 155, ele escreveu a Primeira Apologia, dirigida ao imperador, para defender os cristãos das acusações que circulavam. E, no capítulo 67 dessa obra, descreveu em detalhe como os cristãos de Roma celebravam no dia do Senhor: a reunião no domingo, a leitura dos escritos dos apóstolos e dos profetas, a explicação feita por quem presidia, a oração comum, o pão e o vinho com água, a ação de graças, a comunhão, o envio aos ausentes e a coleta para os necessitados.
É a estrutura da Missa de hoje, descrita por um leigo do século II. Quem lê aquele capítulo reconhece a própria celebração do domingo passado.
A origem, com as datas
A Primeira Apologia é datada entre 155 e 157, e a datação se apoia numa referência interna a um prefeito do Egito recém-nomeado.
Ele sofreu o martírio em Roma, junto com companheiros, no tempo do imperador Marco Aurélio, por volta do ano 165. É por isso que o nome dele vem sempre acompanhado da palavra mártir.
O que existe hoje
Ele é padroeiro dos filósofos, e é leitura obrigatória em qualquer curso de patrística e de liturgia.
Os textos dele estão disponíveis em português, e a Primeira Apologia é o documento mais citado quando se discute a antiguidade da Missa e da Eucaristia.
Onde visitar
Em Roma, a memória dele está ligada ao lugar do martírio, no tempo de Marco Aurélio.
No Brasil, o encontro com ele é outro: uma biblioteca, uma aula de liturgia ou o próprio texto da Primeira Apologia, que qualquer pessoa pode ler.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 1º de junho.
Coisas que pouca gente sabe
Ele era leigo, e escreveu ao imperador. Não havia estrutura, nem cargo, nem proteção: era um professor de filosofia defendendo publicamente um grupo perseguido, com o próprio nome assinado.
Outro dado: ele não abandonou a filosofia ao se tornar cristão. Manteve a escola e usou os argumentos dos filósofos para explicar a fé, o que faz dele o primeiro grande exemplo de diálogo entre razão e fé na história cristã.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que a Missa como a conhecemos foi montada séculos depois, na Idade Média ou no Concílio de Trento. A estrutura básica está descrita no ano 155, no capítulo 67 da Primeira Apologia dele.
Também se supõe que ele era bispo ou padre. Era leigo, filósofo de profissão, e morreu mártir como leigo.
E há quem confunda este Justino com São Justino de Jacobis, missionário do século XIX na Etiópia. São santos diferentes.
Como e quando rezar
Reza-se a São Justino por professores, filósofos, estudantes e por quem precisa defender a fé em ambiente hostil, com argumento e sem agressão.
Em 1º de junho, um modo simples é ler o capítulo 67 da Primeira Apologia antes da Missa do domingo, e rezar por quem estuda e ensina.