Quem foi São João XXIII
Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em 1881 em Sotto il Monte, na região de Bergamo, no norte da Itália, em família de camponeses. Foi ordenado sacerdote em 1904, criado cardeal em 1953 e eleito Papa em 1958, como o 261º sucessor de Pedro.
Ele chegou ao cargo com 76 anos, e muita gente esperava um pontificado curto e sem novidade. Foi o contrário: em pouco mais de quatro anos ele mexeu na Igreja como poucos mexeram em séculos.
O apelido que o povo deu
Papa Bom não é título oficial nem categoria de documento: é apelido, e nasceu do jeito dele.
Roncalli falava simples, ria, contava história da própria infância pobre, visitava presos e doentes. A expressão pegou tão forte que atravessou o mundo e chegou ao Brasil, onde ele é conhecido como o Papa Bom até por quem não sabe o nome de batismo dele.
A decisão que mudou tudo
Poucos meses depois de eleito, ele anunciou a convocação de um Concílio, ou seja, uma reunião de todos os bispos do mundo para tratar da vida da Igreja.
O Concílio Vaticano II foi aberto em 11 de outubro de 1962, e é dele que vem quase tudo que hoje parece normal na Missa e na vida das Paróquias: a liturgia em português, o lugar dos leigos, a leitura da Bíblia nas comunidades, a relação com quem não é católico.
João XXIII não viu o fim do Concílio: morreu em 3 de junho de 1963, no meio dos trabalhos, e quem levou a obra até o fim foi Paulo VI.
O que ele escreveu
As duas encíclicas mais conhecidas dele são a Mater et magistra, sobre a questão social, e a Pacem in terris, sobre a paz entre as nações, ambas escritas nos primeiros anos da década de 1960.
A Pacem in terris ficou marcada por ter sido dirigida não só aos católicos, mas a todas as pessoas de boa vontade, num tempo em que o mundo tinha acabado de passar perto de uma guerra nuclear.
O que existe hoje
João XXIII foi declarado beato em 2000, por João Paulo II, depois do reconhecimento da cura da irmã Caterina Capitani, que tinha uma doença grave no estômago.
A canonização veio em 27 de abril de 2014, no Domingo da Divina Misericórdia, celebrada pelo Papa Francisco na presença do Papa emérito Bento XVI. No mesmo dia foi canonizado João Paulo II, e por isso aquele domingo ficou conhecido como o dia dos quatro Papas.
O corpo dele está na Basílica de São Pedro, em Roma, onde é visitado todos os dias por peregrinos do mundo inteiro.
Onde visitar
Em Roma, o corpo do santo fica na Basílica de São Pedro, e a visita é aberta a qualquer peregrino.
Em Sotto il Monte, na região de Bergamo, ficam a casa onde ele nasceu e o museu com objetos pessoais dele, procurados sobretudo por grupos italianos.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 11 de outubro, o mesmo dia em que ele abriu o Concílio Vaticano II, em 1962. Não é a data da morte dele, como acontece com a maioria dos santos.
Coisas que pouca gente sabe
Durante a Segunda Guerra Mundial, como representante do Papa no oriente, ele ajudou judeus a escapar da perseguição por meio de vistos de trânsito.
A canonização dele foi feita sem a exigência de um segundo milagre, decisão que a Igreja chama de canonização pela graça. Não foi favor: foi o reconhecimento de que a fama de santidade dele estava provada havia décadas.
E o detalhe mais humano de todos: ele registrou em diário espiritual as próprias lutas interiores, publicado depois com o título de Diário da Alma.
O que muita gente acredita e não é verdade
Que ele foi um Papa de transição, escolhido para não fazer nada. Fez o contrário: convocou o maior Concílio da história moderna da Igreja.
Que o Concílio inventou uma Igreja nova. O Concílio não mudou a fé: mudou a forma de apresentá-la, e a diferença entre essas duas coisas é o que separa uma conversa séria de uma briga de internet.
Que Papa Bom era um título dado pelo Vaticano. Era apelido popular, e é assim que ele entrou na memória do povo.
Como e quando rezar
A ele se pede pelas coisas grandes que parecem impossíveis de mudar: a paz onde há guerra, o acordo onde há briga velha, a coragem de começar aos 76 anos o que ninguém esperava.
O dia forte é 11 de outubro. Uma boa forma de rezar é ler um trecho da Pacem in terris e terminar com o Pai-Nosso, pedindo a paz que a encíclica pede.