Quem foi São João Paulo II
Karol Józef Wojtyla nasceu em Wadowice, na Polônia, em 18 de maio de 1920.
Foi eleito Papa em 16 de outubro de 1978, o 264º da história, depois do pontificado de apenas trinta dias de João Paulo I. Era o primeiro papa não italiano em mais de quatro séculos.
Governou a Igreja por quase vinte e seis anos, um dos pontificados mais longos que já houve.
Morreu em 2 de abril de 2005.
Foi declarado santo em 27 de abril de 2014, junto com o Papa João XXIII, numa celebração que reuniu mais de quinhentas mil pessoas na Praça de São Pedro.
A oração de São João Paulo II
O texto rezado a ele é este:
Ó São João Paulo, da janela do Céu, dá-nos a tua bênção! Abençoa a Igreja, que tu amaste, serviste e guiaste, incentivando-a a caminhar corajosamente pelos caminhos do mundo, para levar Jesus a todos e todos a Jesus. Abençoa os jovens, que também foram tua grande paixão. Ajuda-os a voltar a sonhar, voltar a dirigir o olhar ao alto, para encontrar a luz que ilumina os caminhos da vida na terra. Abençoa as famílias, abençoa cada família. São João Paulo, com a tua intercessão, protege as famílias e cada vida que nasce dentro da família. Roga pelo mundo inteiro, ainda marcado por tensões, guerras e injustiças. Tu te opuseste à guerra, invocando o diálogo e semeando o amor: roga por nós, para que sejamos incansáveis semeadores de paz. Ó São João Paulo, da janela do Céu, onde te vemos junto a Maria, faz descer sobre todos nós a bênção de Deus. Amém.
Por que o dia dele não é o dia da morte
Aqui está uma exceção que passa despercebida, e ela diz muito.
A Igreja celebra os santos, em regra, no dia em que eles morreram. A lógica é bonita: aquele é o dia do nascimento para o céu, o dia em que a vida com Deus começou de vez. É por isso que quase toda página de santo traz uma data de morte como data de festa.
São João Paulo II morreu em 2 de abril de 2005.
E a festa dele é em 22 de outubro.
O 22 de outubro é o dia em que ele começou: a data em que assumiu oficialmente o ministério, em 1978, seis dias depois da eleição.
Ou seja, com ele a Igreja fez o contrário do costume. Em vez de guardar o dia em que ele partiu, guardou o dia em que ele apareceu na praça e começou o trabalho.
Quem viveu aquele tempo entende a escolha. Para uma geração inteira, ele não é a lembrança de um fim: é a lembrança de um começo.
A janela, que explica a oração
A oração rezada a ele começa de um jeito estranho para quem não sabe do que se trata: da janela do Céu.
A imagem não é enfeite. É o lugar dele.
Todo domingo, ao meio-dia, ele aparecia numa janela do Palácio Apostólico para rezar com a multidão na praça e dizer algumas palavras. Aquela janela virou o ponto de encontro de milhões de pessoas com o Papa, semana após semana, durante vinte e seis anos.
Quem rezava na praça olhava para cima e via uma janela com alguém nela.
Por isso a oração pede a bênção dele da janela do Céu, e por isso, quando ele morreu, a multidão voltou àquela praça e olhou de novo para a mesma janela, que dessa vez estava vazia.
É uma das poucas orações que se entendem melhor sabendo um detalhe de arquitetura.
Os números de quase vinte e seis anos
Alguns números do pontificado dizem o tamanho do trabalho.
Ele presidiu 147 ritos de beatificação, nos quais proclamou 1.338 beatos.
E presidiu 51 canonizações, nas quais proclamou 482 santos.
Isso é mais do que somaram vários séculos de papas anteriores juntos. Uma parte grande dos santos que o brasileiro conhece hoje, sobretudo os do século XX, foi proclamada por ele.
Foi também quem instituiu, no ano 2000, o segundo domingo da Páscoa como Domingo da Divina Misericórdia.
Há um detalhe nessa história: ele morreu na véspera desse domingo, em 2005, e foi declarado santo exatamente nesse mesmo domingo, nove anos depois.
Como ele quis ser lembrado
Chamam-no de Papa da família, e o apelido não veio de fora: é assim que ele mesmo desejou ser lembrado.
A oração acompanha isso. Das quatro bênçãos que ela pede, uma é para a Igreja, uma é para os jovens, uma é para o mundo em guerra, e uma é para as famílias, com a insistência de pedir duas vezes: abençoa as famílias, abençoa cada família.
Repare que ela não pede nada para quem reza.
É uma oração inteiramente virada para fora: pede pela Igreja, pelos jovens, pelas famílias e pela paz do mundo. Quem reza entra nela como um dos abençoados, não como o assunto.
Quando se reza a São João Paulo II
Reza-se em 22 de outubro, o dia dele.
Reza-se pelas famílias, e de modo especial pelas que estão em dificuldade, que é o pedido repetido dentro da própria oração.
Reza-se pelos jovens, que foram, nas palavras da oração, a grande paixão dele.
Reza-se pela paz, em tempo de guerra e de conflito.
E reza-se por quem está desanimado e precisa voltar a sonhar, que é literalmente o que a oração pede: ajuda-os a voltar a sonhar, voltar a dirigir o olhar ao alto.