Quem é São João Evangelista
São João Evangelista é um dos doze apóstolos e o autor a quem a tradição atribui o quarto Evangelho, três cartas e o livro do Apocalipse. Era filho de Zebedeu, irmão de Tiago Maior, e pescava no lago da Galileia quando Jesus o chamou.
No Evangelho que leva o nome dele, ele nunca se nomeia: aparece sempre como o discípulo que Jesus amava. É essa a assinatura da devoção, e é dela que nasce tudo o mais.
A origem, com as datas
João pertence ao grupo mais próximo de Jesus, aquele que sobe ao monte da Transfiguração e entra no Horto. Na Última Ceia, o Evangelho o descreve reclinado junto ao peito do Senhor, imagem que a arte cristã repetiu por vinte séculos.
O momento decisivo está no capítulo 19 do Evangelho de João, versículos 26 e 27. Aos pés da Cruz, Jesus diz à mãe: eis o teu filho. E ao discípulo: eis a tua mãe. O texto acrescenta que, daquela hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa. É por causa desse versículo que a Igreja lê a maternidade de Maria como estendida a todos os cristãos.
Na manhã da Ressurreição, João corre ao sepulcro com Pedro, chega primeiro, espera, entra depois e crê. Segundo a tradição antiga, viveu depois em Éfeso, foi exilado na ilha de Patmos durante a perseguição de Domiciano, voltou sob o imperador Nerva e morreu já centenário, o único dos apóstolos a não morrer mártir.
O que existe hoje
Em Selçuk, na Turquia, ficam as ruínas da Basílica de São João, erguida sobre o lugar que a tradição aponta como o túmulo dele, e a poucos quilômetros dali está a Casa de Maria, ponto de peregrinação cristã e também muçulmana. Em Patmos, o Mosteiro de São João, o Teólogo, e a gruta onde a tradição situa a visão do Apocalipse são reconhecidos como patrimônio mundial.
A Turquia voltou ao noticiário católico em 2025: entre 27 de novembro e 2 de dezembro, o Papa Leão XIV peregrinou ao país pelos mil e setecentos anos do Concílio de Niceia. O Credo formulado naquele Concílio afirma o que o prólogo do Evangelho de João já dizia: no princípio era o Verbo.
Onde visitar
Éfeso e Patmos são os dois endereços clássicos de quem procura João. No Brasil, o nome está em centenas de paróquias, e a data de 27 de dezembro costuma reunir as comunidades logo depois do Natal. Em Roma, a Basílica de São João de Latrão, catedral do Papa, é dedicada ao Salvador e aos dois Joões, o Batista e o Evangelista.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 27 de dezembro, dentro da oitava do Natal. A posição no calendário não é acaso: a Igreja coloca lado a lado o nascimento de Jesus, o primeiro mártir em 26 de dezembro e o discípulo amado em 27, mostrando três modos de responder ao mesmo presépio.
Em regiões de língua alemã guardou-se o costume de abençoar o vinho no dia 27, e o chamado vinho de São João é conservado durante o ano. É costume local, não obrigação da Igreja.
Coisas que pouca gente sabe
O símbolo dele é a águia, e a razão é o começo do Evangelho: enquanto os outros três partem da genealogia, do deserto ou do anúncio, João começa antes do tempo, com o Verbo que estava junto de Deus. A tradição cristã leu esse voo alto como o olhar da águia, que encara o sol.
João é também o apóstolo mais ligado ao verbo permanecer. A palavra atravessa o Evangelho e as cartas dele, e é o que ele próprio fez: permaneceu na Cruz quando os outros se afastaram.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente confunde João Evangelista com João Batista, o precursor. São duas pessoas distintas, com festas distintas: o Batista é lembrado em 24 de junho e o Evangelista em 27 de dezembro.
Também se costuma dizer que João escreveu o Apocalipse em Éfeso. A tradição situa a visão na ilha de Patmos, durante o exílio, e o texto do próprio livro diz isso na abertura.
Como e quando rezar
Reza-se a São João Evangelista pedindo intimidade com Deus, fidelidade nas horas difíceis e a graça de cuidar de quem foi confiado à gente. Escritores, teólogos e editores o têm como padroeiro, e é comum pedir a ele clareza para dizer as coisas de Deus com palavras simples.
Um modo bonito de rezar no dia 27 de dezembro é ler em casa o capítulo 19 do Evangelho de João, versículos 25 a 27, e depois rezar uma Ave-Maria, tomando para si o encargo que ele recebeu.