O que é a devoção de São João de Cortes
São João de Cortes não é um santo diferente: é São João Batista sob invocação local, no povoado que leva esse nome, em Alcântara, no litoral do Maranhão.
Devoção com endereço é assim: o santo é o mesmo do calendário universal, e o nome do lugar entra no jeito como aquela comunidade o chama. Quem é de lá não diz apenas São João, diz São João de Cortes.
A fundação, em 1757
A vila foi fundada em 1757 por jesuítas portugueses, com a tarefa de catequizar os tupinambás da região.
O trabalho teve apoio oficial: o desembargador Diogo da Costa e Silva, administrador do distrito de Cumã, agiu por ordem do governador Gonçalo Pereira Lobato e Souza, dentro do arranjo da Companhia de Comércio do Maranhão. Ou seja, fé e projeto colonial andaram juntos ali, como em quase toda missão daquele século.
O anil e o fim da missão
Por volta de 1762 havia plantações de anil no povoado, e também uma fábrica que preparava o produto para exportação.
A fábrica funcionou até 1778, poucos anos depois da expulsão dos jesuítas da colônia. É um detalhe econômico que explica o tamanho que aquele lugar teve: não era só capela, era produção.
A paróquia, em 1838
A paróquia foi instituída em 23 de julho de 1838, pela lei provincial número 73, e o templo foi construído por frei Francisco José Cabral.
O nome do templo diz tudo sobre a devoção: Capela de São João Batista. É ela que organiza a vida religiosa do povoado até hoje.
Quem construiu e quem mora ali
A história da população de São João de Cortes é a história do Maranhão em miniatura: indígenas deslocados, pessoas escravizadas, pessoas libertas e quilombolas foram formando os povoados da região.
Viraram pequenos agricultores e pescadores, e é essa gente que sustenta a devoção. Hoje São João de Cortes é distrito de Alcântara, com porto próprio na costa.
Quem é São João Batista
O santo da invocação é o primo de Jesus, filho de Isabel e Zacarias, que pregou a conversão no deserto e batizou Jesus no rio Jordão.
Ele é chamado precursor, ou seja, o que vem antes e prepara. Foi preso e decapitado por ordem de Herodes, e é um dos santos mais celebrados do Brasil, por causa das festas juninas.
Onde visitar
Alcântara, no Maranhão, tem centro histórico tombado, do outro lado da baía de São Marcos em relação a São Luís, e é a porta de entrada.
De lá se chega a São João de Cortes, na costa, onde estão a capela e o porto. A festa de 24 de junho é o melhor dia para conhecer a devoção viva.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 24 de junho, nascimento de São João Batista, e é a data que o povoado celebra. Em 29 de agosto a Igreja lembra o martírio dele.
Coisas que pouca gente sabe
O calendário da Igreja celebra o nascimento de apenas três pessoas: Jesus, Maria e João Batista. Todas as outras festas de santo marcam a morte.
As festas juninas brasileiras, com fogueira, quadrilha e bandeirinha, nasceram dessa festa litúrgica de 24 de junho, e não o contrário.
E o povoado tem uma coincidência curiosa: foi fundado por jesuítas dois anos antes de a Coroa portuguesa expulsar a Companhia de Jesus da colônia, em 1759. A obra sobreviveu a quem a fundou.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente pensa que São João de Cortes é outro santo, com história própria. Não é: é São João Batista, e o Cortes vem do nome do lugar.
Também é comum achar que a festa junina é festa profana que a Igreja adotou. É o inverso: a data é litúrgica, marca o nascimento do Batista, e a festa popular cresceu em volta dela.
Como e quando rezar
Reza-se a São João de Cortes como se reza a São João Batista: por conversão, por coragem para dizer a verdade e por quem prepara caminho para outros, como pais, professores e catequistas.
No povoado, a novena antes de 24 de junho é o momento forte, e a festa reúne quem mora fora e volta para a data.