Quem foi São João de Brito
São João de Brito foi um missionário jesuíta português que viveu e morreu no sul da Índia, no século XVII. Ele nasceu em Lisboa, em 1º de março de 1647, filho de Salvador de Brito Pereira, fidalgo que chegou a ser governador da Capitania do Rio de Janeiro, e de Dona Brites Pereira.
Ou seja: o pai do santo governou terra brasileira, e o filho foi morrer do outro lado do mundo, evangelizando em língua tâmil.
A vida, com as datas
Ele entrou no noviciado da Companhia de Jesus, em Lisboa, em 1667, e fez os estudos de Teologia entre 1671 e 1673.
Em 25 de março de 1673 embarcou para Goa, onde chegou em 14 de setembro daquele ano. Em abril de 1674 partiu para Madurai, no sul da Índia, como superior da missão.
Em 1688 voltou a Portugal e foi recebido por Dom Pedro II, que o convidou a permanecer no reino. Ele recusou e voltou para a Índia, sabendo o risco que corria.
O método que o tornou diferente
O ponto que faz dele um personagem incomum é o método. Em vez de exigir que os indianos virassem portugueses para virar cristãos, ele fez o caminho inverso: vestiu-se como os brâmanes, deixou o cabelo crescer, adotou os costumes locais e aprendeu a língua da região.
Era uma aposta arriscada dentro da própria Igreja daquele tempo, e é justamente ela que explica a penetração da missão dele naquela sociedade.
O martírio
Em 8 de janeiro de 1693 ele foi preso. O motivo não foi a pregação em si: um príncipe local, Tariadevem, converteu-se, e uma das esposas rejeitadas por causa da nova fé denunciou o missionário aos brâmanes.
Em 4 de fevereiro de 1693, por ordem do rei da região, ele foi decapitado em Oriur. O corpo foi desmembrado, prática destinada a apagar a memória do condenado.
O que existe hoje
Ele foi beatificado em 21 de agosto de 1853 pelo Papa Pio IX e canonizado em 22 de junho de 1947 pelo Papa Pio XII. Na Índia, é padroeiro da Arquidiocese de Madurai e continua sendo procurado por cristãos tâmeis, que o tratam como um dos seus.
Quando a Igreja celebra
A festa é em 4 de fevereiro, dia da morte dele. Pio XII, ao canonizá-lo, determinou que a memória ficasse justamente na data do martírio.
Coisas que pouca gente sabe
O pai dele governou a Capitania do Rio de Janeiro, o que liga a família à história do Brasil. Ele teve a chance de ficar em Portugal, com apoio do próprio rei, e escolheu voltar para o lugar onde sabia que poderia morrer. E o nome dele até hoje é dado a meninos no sul da Índia.
O que muita gente acredita e não é verdade
Muita gente supõe que ele tenha morrido em conflito religioso genérico contra cristãos. A causa registrada é outra e bem específica: a conversão de um príncipe e a denúncia feita por uma esposa repudiada.
Também há quem confunda o método dele com abandono da fé católica. Não é o caso: ele manteve a doutrina inteira e mudou apenas a roupa, a língua e os costumes, que não são doutrina.
Como e quando rezar
É santo de quem trabalha longe de casa, de quem vive entre gente de outra cultura e de quem enfrenta hostilidade por causa da fé. Missionário, imigrante e quem foi transferido para outro país encontram nele um exemplo de adaptação sem perda de identidade.