Quem foi São João Bosco
João Bosco nasceu em Castelnuovo d'Asti, no Piemonte italiano, em 16 de agosto de 1815, numa família de camponeses pobres.
Perdeu o pai muito cedo e foi criado pela mãe, Margarida, que mais tarde foi morar com ele em Turim e trabalhou ao lado do filho no meio dos meninos. Eles a chamavam de Mamãe Margarida.
Ordenado padre em Turim, dedicou a vida inteira aos meninos pobres da cidade: os que trabalhavam desde criança, os que dormiam na rua, os que passavam pela cadeia.
Fundou três obras que existem até hoje: a Sociedade de São Francisco de Sales, que são os salesianos, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e a Associação dos Cooperadores Salesianos, de 1876.
Morreu em Turim, em 31 de janeiro de 1888, e foi declarado santo pelo Papa Pio XI na Páscoa de 1934.
No Brasil, o nome dele está em colégio, universidade, rua e bairro de quase todo estado, e isso não é acaso: a obra salesiana chegou cedo por aqui e ficou.
A oração de São João Bosco
O texto rezado a ele é este:
Necessitando de especial auxílio, com grande confiança recorro a vós, ó São João Bosco. Preciso não só de graças espirituais, mas também de graças temporais, e principalmente desta que agora vos apresento. Vós, que tivestes tanta devoção a Jesus Sacramentado e a Maria Auxiliadora, e que tanto vos compadecestes das desventuras humanas, alcançai-me de Jesus e de sua celeste Mãe a graça que vos peço, e mais: resignação inteira à vontade de Deus.
Depois se rezam um Pai Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Vale reparar no fim dela.
A oração pede graça material sem nenhum constrangimento, e é raro isso aparecer com essa franqueza. Mas ela não termina no pedido: termina pedindo uma segunda coisa, e maior, que é aceitar inteiramente o que Deus decidir.
O pedido continua ali. Só que colocado no lugar certo.
O sonho de 1883, entre os paralelos 15 e 20
Em 1883, Dom Bosco contou um sonho em que via terras da América do Sul.
O trecho que ficou famoso descreve uma faixa entre os graus 15 e 20, com um lago se formando num ponto, e traz uma voz que repete: quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde manará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível.
Repare numa coisa: o sonho não nomeia cidade nenhuma. Dá coordenadas.
Agora os fatos seguintes, na ordem em que aconteceram.
Dom Bosco morreu em 1888. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, no governo de Juscelino Kubitschek, no Planalto Central, dentro daquela faixa de paralelos.
A capital tem Dom Bosco entre os seus padroeiros. O primeiro templo erguido na cidade foi a Ermida Dom Bosco, à beira do lago, e o Santuário Dom Bosco, com seus vitrais azuis, virou um dos cartões-postais de Brasília.
Ou seja: a capital do Brasil tem como padroeiro um padre italiano que morreu setenta e dois anos antes de ela existir, por causa de um sonho que ele contou e que ficou escrito.
Razão, religião e amorevolezza
O jeito de educar que ele criou tem nome: Sistema Preventivo. E se resume em três palavras, das quais duas são fáceis de traduzir e uma não é.
Razão quer dizer explicar o motivo da regra em vez de simplesmente mandar. O jovem obedece melhor quando entende.
Religião quer dizer a fé dentro da educação, e não como uma aula separada das outras.
E amorevolezza é a palavra que os documentos salesianos mantêm em italiano até hoje, porque nenhuma tradução dá conta dela. Não é só carinho, nem só bondade: é o afeto que precisa ser demonstrado de um jeito que o outro perceba. Não basta querer bem ao jovem. Ele tem que saber que querem bem a ele.
O nome do sistema se explica pelo contrário dele. Preventivo se opõe a repressivo: em vez de punir depois que o erro aconteceu, criar um ambiente e uma presença em que ele tem menos chance de acontecer.
Por isso o pátio importa tanto na escola salesiana. O adulto fica junto, não vigiando de longe.
Bons cidadãos nesta terra, dignos habitantes do céu
Numa carta de 9 de junho de 1867, ele mesmo escreveu para que servia todo aquele trabalho:
Era minha intenção esforçar-me para fazer bons cidadãos nesta terra, para que um dia fossem dignos habitantes do céu.
São duas coisas, e nessa ordem.
Ele não separou formar gente para a vida de formar gente para a fé, e não pôs uma acima da outra. Queria que o menino saísse de lá sabendo um ofício, ganhando o próprio pão e sendo alguém em quem se pode confiar. E queria que isso fosse, ao mesmo tempo, o caminho do céu.
O Ofício da festa dele guarda outra frase sua, mais curta e mais direta:
Até o meu último suspiro será pela minha juventude.
Pai e Mestre da Juventude
No ano do centenário da morte de Dom Bosco, o Papa João Paulo II lhe deu esse título numa carta dedicada a ele, e o título pegou.
Não é enfeite. É a descrição do que ele fez: juntou num homem só o pai que acolhe e o mestre que ensina, para gente que muitas vezes não tinha nem um nem outro.
Ele é padroeiro dos jovens, dos estudantes, dos aprendizes e dos editores, e este último padroado vem de um lado menos conhecido da vida dele: escrevia, imprimia e distribuía livros populares baratos, para que gente simples tivesse o que ler.
Quando se reza a São João Bosco
Reza-se em 31 de janeiro, o dia dele, que em colégio salesiano é festa grande.
Reza-se por filhos e por alunos, e de modo especial na fase em que eles ficam difíceis de alcançar.
Reza-se por professores, educadores, catequistas e por quem trabalha em escola.
Reza-se por adolescentes em situação de rua, em conflito com a lei ou sem ninguém por perto, que foi exatamente o público dele.
E reza-se por quem trabalha com jovens e está cansado, lembrando a frase: até o meu último suspiro será pela minha juventude.