Quem foi São Jerônimo Emiliano
São Jerônimo Emiliano nasceu em Veneza, filho de Angelo Emiliani, senador da República de Veneza, e de Eleonora Morosini. Era nobre, e seguiu o caminho esperado de um nobre daquele tempo: a carreira militar.
O que ninguém esperava é que ele terminasse a vida cuidando de crianças abandonadas, e que virasse o padroeiro delas no mundo inteiro.
O soldado e a prisão
Na guerra contra a Liga de Cambrai, ele assumiu o comando da fortaleza de Castelnuovo di Quero, no lugar do irmão ferido em combate. A fortaleza caiu para os franceses e ele foi preso no calabouço do próprio castelo.
Foi na prisão que a vida dele mudou. Ali ele reencontrou a fé e aprofundou a devoção a Nossa Senhora, pedindo a libertação. A tradição da ordem que ele fundou conta que a Virgem apareceu e lhe entregou as chaves da fuga, e é essa a cena que costuma aparecer nas imagens dele.
Em 1518 ele estava de volta a Veneza, cuidando da educação dos sobrinhos órfãos e começando a frequentar hospitais e abrigos de pobres.
A virada, com as datas
Em 1531, depois de uma epidemia castigar Veneza, ele convenceu a cidade a construir um hospital.
Depois foi para as cidades vizinhas e fez o que ninguém fazia de forma organizada: em Brescia abriu um orfanato; em Bérgamo abriu dois, um para meninos maiores e outro para meninas, e ainda uma casa para mulheres que queriam deixar a prostituição.
Em 1532, com dois companheiros, fundou em Somasca a Companhia dos Servos dos Pobres, que hoje se chama Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca. Os religiosos dela são conhecidos como Somascos.
A morte e os títulos
Ele morreu em 8 de fevereiro de 1537, em Somasca, de peste contraída no cuidado dos doentes. Um detalhe que quase ninguém conta: quando fundou a obra, ele ainda era leigo, e não padre.
O Papa Bento XIV o declarou beato em 1747, e o Papa Clemente XIII o canonizou em 1767. Em 1928, o Papa Pio XI deu a ele o título que ficou: padroeiro dos órfãos e da juventude abandonada, no mundo inteiro.
Os Somascos no Brasil
A ordem que ele fundou chegou ao Brasil em 14 de dezembro de 1962, com os padres Miguel Pietrangelo e Heitor Giannella, no Rio de Janeiro. O trabalho começou pelo acompanhamento das comunidades mais pobres.
Em 1977 os Somascos se firmaram na periferia de Santo André, em São Paulo. Em 1986 abriram a comunidade de Campinas, que hoje é a sede da província no país e cuida da Paróquia São Jerônimo Emiliani.
Hoje o Brasil tem cinco comunidades da ordem: Uberaba, em Minas Gerais; Presidente Epitácio e Santo André, em São Paulo; Satuba, em Alagoas; e Campinas, também em São Paulo.
Onde visitar
Na Itália, o lugar dele é Somasca, no vale de Bérgamo, onde fundou a ordem e onde morreu. Veneza, cidade natal, e Bérgamo completam o roteiro.
No Brasil, o endereço mais direto é a Paróquia São Jerônimo Emiliani, em Campinas, e as obras sociais que os Somascos mantêm nas cinco cidades onde estão.
Quando a Igreja celebra
A memória é em 8 de fevereiro, dia da morte dele. Em muitas paróquias a data é aproveitada para rezar pelas crianças em acolhimento institucional e pelas famílias que esperam por adoção.
Coisas que pouca gente sabe
O nome dele aparece de duas formas em português: Emiliani, como no italiano, e Emiliano, na forma abrasileirada. As duas se referem à mesma pessoa, e a segunda é a mais usada nos calendários brasileiros.
Ele começou a obra sendo leigo, tio de sobrinhos órfãos, sem ordem religiosa nem dinheiro de instituição.
E a fundação dele não cuidava só de crianças: incluía casa para mulheres que deixavam a prostituição, num tempo em que a resposta social para elas era a cadeia ou a rua.
O que muita gente acredita e não é verdade
A confusão mais comum é com São Jerônimo, o padre e Doutor da Igreja que traduziu a Bíblia para o latim, celebrado em 30 de setembro. É outra pessoa, de outro tempo: o tradutor viveu no século 4, e o veneziano no século 16.
Outra confusão é imaginar que ele foi padre desde o começo. Não foi: a obra nasceu das mãos de um leigo, e a ordem religiosa veio depois do trabalho, não antes.
Como e quando rezar
Reza-se a São Jerônimo Emiliano por crianças órfãs e abandonadas, por adolescentes em acolhimento, por famílias em processo de adoção e por quem trabalha em casa de acolhida.
Ele também é procurado por quem está preso, ou tem alguém preso na família, por causa do que aconteceu com ele no calabouço de Castelnuovo di Quero.