Quem foi São Jerônimo
Jerônimo nasceu em Estridão, na região da Dalmácia, por volta do ano 347. O nome completo dele era Eusébio Sofrônio Jerônimo.
Ele é um dos homens mais importantes da história do Cristianismo, e por um motivo bem concreto: se você já leu a Bíblia em qualquer língua moderna, você deve alguma coisa a ele.
Morreu em Belém, em 30 de setembro, no ano 419 ou 420. É nesse dia que a Igreja o celebra, e essa data acabou virando muito mais do que a memória de um santo.
A oração para entender a Bíblia
A oração mais rezada a São Jerônimo pede uma coisa específica, e não é graça material:
Ó Deus, criador do universo, que vos revelastes aos homens, através dos séculos, pela Sagrada Escritura, e levastes a vosso servo São Jerônimo a dedicar a sua vida ao estudo e à meditação da Bíblia, dai-me a graça de compreender com clareza a vossa palavra quando leio a Bíblia.
Repare no pedido: compreender com clareza. É a oração de quem abre a Bíblia e não entende o que está lendo, o que acontece com muita gente e quase ninguém admite.
Ela costuma ser rezada antes da leitura, e não depois.
Quarenta anos numa gruta em Belém
O trabalho da vida dele foi traduzir a Bíblia inteira para o latim, a partir do hebraico e do grego.
Isso levou mais de quarenta anos. E ele não fez isso numa biblioteca confortável: fez nas grutas ao lado da Basílica da Natividade, em Belém, a poucos metros do lugar onde a tradição diz que Jesus nasceu.
Um homem passou quatro décadas conferindo palavra por palavra, ao lado do lugar onde a história começou, para que outras pessoas pudessem ler.
Nesse trabalho ele foi auxiliado por Santa Paula de Roma, e a tradução foi encomendada pelo Papa Dâmaso I.
Vulgata quer dizer edição do povo
A tradução dele ficou conhecida como Vulgata, e o nome explica a intenção.
Vulgata vem do latim vulgata editio, que quer dizer edição divulgada, edição corrente, aquela que está na mão de todos. A raiz é vulgatus, que significa comum, popular, do povo.
Ou seja: o nome da obra não fala de erudição, fala de alcance. O latim era a língua que o povo do Império falava, e o objetivo era tirar a Bíblia do círculo de quem lia hebraico e grego e colocá-la onde as pessoas pudessem alcançar.
A palavra vulgar, hoje, virou sinônimo de grosseiro. Naquele tempo queria dizer apenas isto: do povo.
Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo
A frase mais conhecida de São Jerônimo é curta e não deixa saída: ignorar as Escrituras é ignorar Cristo.
Ela virou uma das citações mais repetidas quando a Igreja fala de leitura bíblica, e o argumento dela é simples. Se é pela Escritura que se conhece quem Jesus é, então quem não lê não está apenas deixando de ler: está deixando de conhecer.
Vindo de quem gastou quarenta anos traduzindo, a frase tem outro peso.
O santo que virou data das Nações Unidas
Aqui está o fato mais surpreendente desta página, e ele é recente.
Em 24 de maio de 2017, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução 71/288 e declarou o dia 30 de setembro como Dia Internacional da Tradução.
A data foi escolhida por ser o dia da morte de São Jerônimo, reconhecido como padroeiro dos tradutores.
Vale medir o tamanho disso. Uma organização de quase duzentos países, que não é religiosa, escolheu como data mundial de uma profissão o dia em que morreu um monge católico do século IV. Não por causa da fé dele, mas por causa da qualidade do trabalho que ele fez.
30 de setembro, Dia da Bíblia
No Brasil, a mesma data é o Dia da Bíblia para os católicos, e por um motivo direto: é o dia de São Jerônimo.
E ela fecha um mês inteiro. Setembro é o Mês da Bíblia, dedicação instituída no Brasil pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em 1971, com estudo e leitura da Palavra nas paróquias ao longo das quatro semanas. O dia de São Jerônimo é o encerramento.
Faz sentido que o mês termine nele. Foi ele quem colocou o livro na mão do povo.
Quando se reza a São Jerônimo
Reza-se antes de abrir a Bíblia, pedindo justamente o que a oração pede: compreender com clareza.
Reza-se em 30 de setembro, que é o dia dele, o Dia da Bíblia e o encerramento do Mês da Bíblia.
Reza-se por quem estuda, por quem ensina e por quem traduz, sendo ele o padroeiro dos tradutores por decisão antiga da tradição e, desde 2017, por reconhecimento internacional.
E reza-se por quem tem dificuldade de entender o que lê, seja na Bíblia ou fora dela. A oração não pede que a leitura fique fácil: pede clareza para quem está lendo.