Quem é São Januário
São Januário, San Gennaro em italiano, é o padroeiro de Nápoles e um dos santos mais ligados à identidade de uma cidade em todo o mundo católico. Nasceu em 272 e foi bispo de Benevento, na região da Campânia, diocese vizinha a Nápoles.
Morreu mártir durante a perseguição do imperador Diocleciano. O que fez o nome dele atravessar dezessete séculos, no entanto, não foi o martírio: foi o que acontece com o sangue dele.
A origem, com as datas
O primeiro registro do fenômeno é datado: em 17 de agosto de 1389, depois de um período de grande escassez, o sangue seco voltou ao estado líquido e assim permaneceu pelos dias seguintes.
Desde então, a liquefação passou a ser esperada em três momentos do ano, cada um com um motivo próprio: no primeiro sábado de maio, em memória da primeira trasladação das relíquias; em 19 de setembro, memória litúrgica dele e data do martírio; e em 16 de dezembro, lembrando a erupção do Vesúvio de 1631, que a tradição napolitana atribui à intercessão dele ter sido contida.
O que existe hoje
As duas ampolas são guardadas numa teca de prata, feita por desejo de Roberto d'Angiò, na Capela do Tesouro de São Januário, dentro da catedral de Nápoles. O que se vê nas datas é a massa de sangue seco avermelhado, aderida a um lado do vidro, transformar-se em líquido até cobrir toda a ampola.
A cidade acompanha o fenômeno com atenção quase civil, e não apenas religiosa. Na tradição napolitana, a falha na liquefação é lida como aviso de guerra, fome, doença ou desastre, e por isso a notícia do resultado sai nos jornais da Itália a cada uma das três datas.
Onde visitar
O endereço é a catedral de Nápoles, no centro histórico da cidade, com a Capela do Tesouro de São Januário. Em Pozzuoli, perto de Nápoles, está o lugar tradicionalmente apontado como o do martírio.
No Brasil, muita gente conhece o nome pelo estádio de futebol no Rio de Janeiro que o leva, e não pelo santo. É bom saber disso ao procurar a devoção na internet.
Quando a Igreja celebra
A memória litúrgica é em 19 de setembro, data do martírio, e é a mais importante das três em que se espera a liquefação. As outras duas são o primeiro sábado de maio e 16 de dezembro.
Coisas que pouca gente sabe
O fenômeno tem três datas e três motivos diferentes, o que quase ninguém sabe: uma lembra a trasladação das relíquias, outra o martírio, e a terceira uma erupção do Vesúvio ocorrida em 1631. Não é a mesma comemoração repetida.
Outro dado: a Igreja nunca tratou a liquefação como prova de fé obrigatória. Ela é venerada como sinal, acompanhada com respeito, e o culto ao santo não depende do resultado de cada ano.
O que muita gente acredita e não é verdade
No Brasil, a confusão mais comum é com o estádio. Quem digita o nome geralmente está procurando futebol, e não o bispo mártir da Campânia.
Também se diz que a Igreja garante o milagre todo ano. Não garante: há anos em que a liquefação não acontece, e a leitura de mau presságio é da tradição popular napolitana, não do ensinamento da Igreja.
E há quem confunda São Januário com Santo Genaro ou Gennaro como se fossem santos diferentes. É o mesmo nome, em italiano.
Como e quando rezar
Reza-se a São Januário por proteção contra catástrofe, por cidade em risco e por quem vive sob ameaça que não controla, o que é o sentido antigo da devoção napolitana, nascida à sombra de um vulcão.
Em 19 de setembro, o costume napolitano é acompanhar a celebração na catedral. À distância, rezar pela própria cidade e por quem trabalha em resgate e defesa civil combina com este santo.